Bebês

Quando minha filha começou a andar

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Um bebê que ensaia os primeiros passos; e uma mãe que finalmente percebe que não o cria para ela, e sim para o mundo

Quando minha filha começou a andar

Por volta do oitavo mês de vida, muitos bebês desenvolvem a chamada "angústia de separação". É uma fase de muito choro, acordadas noturnas e ansiedade do pequeno - que, segundo os especialistas, está descobrindo que é um ser separado de sua mãe.

Até então, aparentemente, o bebê tem a impressão de ser uma extensão dela; e a partir desse momento descobre que ela pode se ausentar, ficar em outro cômodo da casa e que, portanto, ele estaria sozinho.

E para a mãe, quando será que ela percebe de fato que seu filho não é uma ramificação sua?

Pode parecer uma pergunta estranha (porque, obviamente, ela se reconhece como um indivíduo isolado dos demais há muito tempo), mas eu acredito que seja perfeitamente compreensível para as mulheres que já entraram para o maravilhoso time da maternidade. Porque, no fundo, toda mãe enxerga seu bebê (pelo menos um pouquinho) como sua obra.

Ele cresceu dentro de sua barriga por nove meses; foi nutrido por um cordão que os conectava fisicamente, depois pelo leite que ela produzia. Após o parto, ela dedicou todos os segundos de seus dias para seus cuidados. Então, como aquele bebê não seria uma parte dela mesma?

Para mim, o momento em que finalmente me dei conta de que minha filha Catarina não era minha, foi quando ela aprendeu a andar. A cada passo dado ela demonstrava sua vontade de explorar o mundo, de seguir por caminhos muitas vezes diferentes daqueles que eu escolheria para ela. E a natureza é sábia, pois dá tempo à mãe de se acostumar com o processo.

Primeiro, o bebê dá apenas alguns passos cambaleantes, mas volta quase caindo para apoiar em sua mãe. Depois, ele adquire habilidade para se distanciar alguns metros, e se volta para ela com um olhar maroto. Até que finalmente começa a correr (e, cá entre nós, como eles correm! Às vezes eu preciso me esforçar de verdade para alcançar Catarina!), e aí não há quem segure. 

O coração da mãe fica apertado, confesso. Mas é muito lindo de se ver!