Bebês

Sabia que o cérebro do pai que cuida do filho passa por um “upgrade”?

Por Samantha Shiraishi
@maecomfilhos

Quando uma criança nasce, nasce também, para o pai e para a mãe, um novo desafio e o cérebro dos dois precisa adaptar-se para dar conta das novas demandas

Sabia que o cérebro do pai que cuida do filho passa por um “upgrade”?

Muito se fala no papel do pai nas novas famílias, no contexto da mãe que trabalha fora, das avós ainda produtivas, das ajudantes domésticas cada vez mais raras, das escolinhas em tempo integral que parecem ser a alternativa para muitas famílias. Mas pouco se reflete sobre as mudanças psicólogicas e emocionais que acontecem na vida dos novos pais quando eles ganham um filho. Esta área, assim como a da saúde física, acaba sendo relacionada ao que acontece no corpo da mulher.

Isso começa a mudar.

Pesquisas realizadas por especialistas indicam, dentre outras constatações, que o cuidado dos homens dedicados aos filhos nas primeiras semanas de vida modifica o cérebro masculino. Afinal, quando uma criança nasce, nasce também, para o pai e para a mãe, um novo desafio e o cérebro dos dois precisa adaptar-se para dar conta das novas demandas.

Já se sabia que há um aumento da massa cinzenta das mães nas áreas que estão associadas aos cuidados, ativando redes relacionadas à vigilância, ao prazer e à motivação, assim como são criados novos neurônios que favorecem os vínculos com o filho.

Os (ainda poucos) estudos sobre o cérebro do pai mostram que se o homem dedica-se a cuidar do filho nos primeiros dias de vida do bebê, ele terá o seu lado cognitivo fortalecido, com aumento dos neurônios para que possa lidar melhor com situações estressantes, o que o leva a ser uma pessoa mais disponível e colaborativa.

Um estudo, realizado na Universidade de Tel Avivi, acompanhou famílias que tinham tido filhos recentemente, filmando tanto aquelas nas quais cuidar dos filhos era função das mães, quanto as famílias em que o pai colaborava com esse cuidado e as que eram compostas por dois homens, sem o envolvimento de qualquer mulher no trato com a criança.

O experimento media o nível da ocitocina, um hormônio que fortalece os vínculos parentais, dos homens e mulheres participantes, assim como também observava o cérebro desses pais e mães enquanto assistiam aos vídeos em que seus cuidados com os bebês eram mostrados.

Nas mulheres, percebeu-se que foram ativadas as estruturas cerebrais mais primitivas, especialmente à amígdala, associada à maternidade em mamíferos.

Nos homens que cuidavam dos bebês, mas que tinham mulheres como parceiras nesse trato, foi ativada uma rede no córtex frontal e temporal, associada às interações sociais e empatia. E nos pais de famílias homoafetivas, que eram os únicos cuidadores, sem a intervenção feminina, a amígdala também foi ativada, como ocorre com as mulheres, favorecendo a percepção de sinais sutis sobre de qual atenção o outro precisa e do que ele necessita em determinado momento.

Meu recado: vamos reduzir o sexismo de achar que só as mulheres conseguem dar conta de muitas coisas e neste Dia dos Pais admitir que os homens também estão desenvolvendo uma plasticidade do cérebro - mas pais queridos, é preciso cuidar de verdade de seus bebês para que ocorra a integração necessária das redes emocionais e sociais cognitivas, hein!

E o resultado vale a pena: quem não quer ampliar a conexão com o filho?

Para se emocionar: o fotógrafo inglês Dave Young passou alguns dias registrando o momento em que homens se tornam pais para um site - The Book of Everyone - que faz impressão de fotos e álbuns para comemorar o Dia dos Pais.

(Foto: Acervo pessoal - os primeiros dias de nossa caçula Manuela com o papai Guilherme. Minha imensa gratidão à vida que me permitiu dar o melhor pai do mundo para meus três filhos. <3)