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Ser mãe: expectativa X realidade

Alguns detalhes imaginados durante a gravidez são bem diferentes depois do parto. Prepare-se...

Ser mãe: expectativa X realidade

A maternidade ensina que ser mãe é diferente na teoria e na prática. Por isso, não importa quantos livros sejam lidos ou quantos conselhos sejam recebidos na gravidez, existe sempre alguma coisa que vai nos surpreender.

Às vezes isso é bom. Outras vezes, nem tanto. Mas o que as mulheres que contam suas histórias aqui concluíram é: vale a pena levar o susto e abraçar o desconhecido.

A experiência de cada uma dessas mães é única, mas todas tiveram expectativas que se revelaram totalmente diferentes na realidade. Mudou o sono, o trabalho, a vida social...

Elas revelam algumas questões que foram fantasiadas e como se adaptaram à nova vida. Depois de todos os contratempos, o que mais surpreende essas mulheres é o amor cada vez maior que sentem por seus bebês e a própria força interior.

Expectativa: Ter facilidade para retomar a carreira
Realidade: “Achava que a maternidade não ‘atrapalharia’ minha vida profissional. Eu teria apenas que achar uma boa escolinha perto do trabalho quando o Matheus fizesse cinco meses e ficaria tudo bem. Olha, talvez tenha sido fácil para ele, mas para mim… Me sentia tão culpada! Não queria deixá-lo com estranhos… Às vezes, no meio do expediente, sentia o cheiro do meu bebê do nada! Não teve jeito. A maternidade me tirou dos trilhos profissionais e eu, que nunca tive horários fixos, passei a tê-los. Mas isso não me fez sentir mal. Acredito muito na máxima: ‘Ser mãe é abrir mão de tudo, mas sem perder nada’”, diz Patrícia Rodrigues Peres, 35 anos, mãe há 1.

Expectativa: A vida vai acabar
Realidade: “Antes de ser mãe eu pensava que, com um bebê no colo, minha vida iria parar e eu não poderia fazer mais nada. Mas, depois de uma breve fase de adaptação, as coisas foram completamente diferentes. Tirei de letra. Quase nada mudou no meu trabalho, porque tive ajuda de uma vizinha de confiança, com quem deixava o Pedro Henrique, e da minha mãe. Minha vida social mudou um pouco, mas está longe de ser parada! Só me pergunto se aquele programa será bom para meu filho primeiro”, conta Fernanda Barros, 30 anos, mãe há 7 e que teve mais uma lição após sua segunda gravidez. Veja abaixo!

Expectativa: Não dar conta de um segundo filho
Realidade: “Descobri a gravidez da Clara três anos depois de ter o Pedro Henrique e foi um choque. Tinha acabado de começar a trabalhar em uma nova empresa e estava focada no meu filho e meus projetos pessoais. ‘Será que vou conseguir dar amor e atenção para duas crianças e ainda cuidar da minha rotina?’, pensava. Mas, quando a Clara nasceu, vi que a gente dá jeito para tudo. Claro que a conta bancária deu uma esvaziada e meus filhos ocupam boa parte do meu dia a dia, mas dou conta de tudo. O Pedro não se sentiu abandonado, a Clara tem todo o amor que merece, as contas se adequaram e ainda consigo tirar um tempinho para trabalhar, sair com amigas e até viajar!”, afirma Fernanda Barros.

Expectativa: Engordar e nunca mais emagrecer
Realidade: “'Vou engordar feito uma porca e meu marido não vai mais querer saber de mim'. Em meio à felicidade, essa foi a primeira coisa que me veio à cabeça quando descobri a gravidez. Realmente, fui para a maternidade com 95 kg. Mas, com a amamentação, emagreci 17 kg só no primeiro mês. Além disso, não paro um segundo por causa do Alberto. Tem dia que saio correndo do banho enrolada na toalha porque ele começou a chorar. Tanto que continuo perdendo peso. Não fiquei com uma única estria na barriga e agora, um ano depois do parto, estou firme na academia. Meu corpo está voltando ao que era antes e me sinto uma pessoa muito mais forte. Uma leoa!”, afirma Adriana Simões, 38 anos, mãe há 1 ano.

Expectativa: Sofreria com insônia e as cólicas do bebê
Realidade: “Quando engravidei da Julia, todo mundo dizia que eu não iria mais dormir e que bebê dá muito trabalho. Eu também já tinha visto muita criança chorar horrores de cólica e tinha medo de que isso fosse acontecer comigo. Mas minha filha é muito tranquila. Ela dorme bem, só acorda para mamar e me deixa descansar numa boa. Ela nunca teve cólicas, mesmo eu não sendo muito rígida com minha alimentação. A Julia é calma, não liga para barulhos, não se irrita fácil e não é chorona. A maternidade com ela é maravilhosa!”, opina Fernanda Aramaki, 27 anos, mãe há 6 meses.

Expectativa: Ter energia para cuidar de tudo
Realidade: “Quando me imaginava como mãe, pensava naquela mulher perfeita, que trabalha, estuda, cuida da casa e do bebê. Minha mãe tentou me alertar e disse para eu dormir tudo que pudesse antes do parto, mas não dei bola. Como eu era sonhadora! Depois que a Agatha nasceu, descobri que amamentar a cada três horas, trocar, dar banho, limpar a casa e ainda me arrumar era muito desgastante. Ficava esgotada! Quando voltei ao trabalho, quase seis meses depois, parecia um zumbi. Depois de algum tempo me adaptei, voltei a cuidar mais de mim e concluí que ter um filho não é um bicho de sete cabeças. Mas também não era o mar de rosas que eu imaginava!”, comenta Gabriela Amaral, 25 anos, mãe há 3.

Expectativa: Continuar gostando dos mesmos passeios
Realidade: “Como engravidei nova, tinha uma vida cheia de baladas, shows, churrascos e barzinhos. Eu sabia que ter um filho limitaria minha vida social no começo, mas não esperava que meus gostos fossem mudar. Ir para a boate vai deixando de ser tão legal e ver seu bebê gargalhando e dando os primeiros passos é incrível. Tanto que, hoje, organizo eventos muito mais ‘família’, como piqueniques temáticos em parques com atividades para todas as idades, e adoro!”, revela novamente Gabriela Amaral.

Expectativa: Ter tudo sob controle
Realidade: “Sempre fui muito precavida e tive tudo sob controle. Trabalho como produtora e tenho plano A, B e C para cada situação que aparece. Achava que seria assim com os filhos, mas a verdade é que os planos vão por água abaixo. Mudou meu sono, meu peso e minha rotina. Tenho que moldar meus horários aos da minha pequena e, mesmo dando conta de tudo, tenho que rebolar. A parte boa é que fiquei mais compreensiva comigo, flexível e não me martirizo se algo dá errado. Só aceito a situação e bola pra frente!”, garante Cintia Vitty, 31 anos, mãe há 4 meses.

Expectativa: Sentir apenas alegria com a novidade
Realidade: “A gente imagina que vai ficar superfeliz quando descobrir a gravidez e que vai avisar os parentes com balões e muita fofura. Mas não é bem assim, ainda mais quando você não planejou engravidar. Não me entenda mal: fiquei muito feliz ao saber que a Olívia estava a caminho, mas esse não foi um sentimento livre de conflitos. Tomei um susto quando descobri, no pronto-socorro, achando que estava com gastrite nervosa. Também não fiquei confortável para falar sobre o assunto com ninguém durante uma semana. Mas, passado o susto, curti muito a gravidez, o barrigão e todas as expectativas de mãe. Minha filha é linda, parceira e, se fico longe dela 30 minutos, morro de saudades!”, define Amanda Galegale, 26 anos, mãe há 3.

Expectativa: Amamentar seria um momento mágico e indolor
Realidade: “Passei a gravidez chorando de alegria ao pensar em como seria o momento da amamentação. Que mágica seria essa troca de energia tão forte entre mãe e filha, esse vínculo único. Aí a Olívia nasceu e o leite veio, mas em pouca quantidade numa das mamas. Mesmo depois de ficar uma hora pendurada no meu peito, a Olívia tinha fome. A médica insistia em me apertar até eu chorar de dor dizendo que eu tinha leite, sim. Uma semana depois do parto, o leite empedrou, meu mamilo rachou e eu descobri o que era dor. Mesmo assim, sinto falta dessa época. Enquanto ela mamava, os olhinhos da minha filha reviravam de sono e prazer. Valeu a pena viver isso com ela”, reconhece Amanda Galegale, em mais uma lição que aprendeu após a chegada de Olívia.

(Fotos: Getty Images)