Bebês

Sou uma entusiasta do aleitamento materno, mas com ressalvas

Por Samantha Shiraishi
@maecomfilhos

Ainda que amamentar seja natural, a mãe precisa de todo apoio possível - dos familiares aos profissionais especializados

Sou uma entusiasta do aleitamento materno, mas com ressalvas

A primeira semana de agosto é sempre especial: marca a SMAM, Semana Mundial do Aleitamento Materno, da qual participo há anos e que busca estimular a prática ancestral e biológica de alimentar o próprio bebê.

Amamentar é tão natural que mesmo mulheres que não passaram por uma gestação (as mães adotivas) podem ser estimuladas a ter leite e assim cuidar de seus bebês. Mas no último século, com o avanço das fórmulas industriais que tentam imitar o leite humano, esse exercício se tornou uma opção para as mulheres comuns - porque, vamos combinar, a nobreza contava com amas de leite há milênios!

Por isso mesmo, por ser uma prática que é natural, mas hoje em dia precisa ser estimulada, a SMAM tem imenso valor para desmistificar as dificuldades para aleitar, propagar os inúmeros e imensos benefícios do aleitamento materno, reforçar os cuidados com a mãe nutriz e criar novas condições de trabalho e um ambiente social acolhedor para as mulheres que o fazem - lembram-se do meu post sobre a experiência de amamentar nos parques da Disney? Pois é, alguns estados, sendo a Flórida o pioneiro, protegem legalmente as mães que amamentam em público.

E como tornar isso mais natural?

O caminho é a conscientização. A frase “Amamentar hoje é pensar no futuro”, que foi tema de uma SMAM, nos dá umas pistas. Ainda que amamentar seja natural, é um processo para o qual a mãe deve estar preparada e precisa de todo apoio possível - dos familiares aos profissionais especializados.

A Semana Mundial de Amamentação, idealizada pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno (Waba, a sigla em inglês), ocorre em cerca de 150 países e busca incentivar o aleitamento até os dois anos ou mais e de forma exclusiva até os sexto mês de vida do bebê.

Tenho orgulho de ser voluntária e entusiasta desde 2006. Participo desse movimento desde que meu blog existe, contando da minha experiência feliz aleitando meus filhos mais velhos (ambos por mais de 1 ano) e doando leite materno para bancos de leite, além de ser voluntária em Unidades de Saúde de comunidades carentes para estimular as mães a manterem o vínculo do aleitamento mesmo depois dos 6 meses do bebê.

Em 2014, esta semana tem um significado pessoal que a torna mais doce e valiosa: ainda estou amamentando. Manuela, com 15 meses, ainda mama no peito e cresce saudável, tanto física quanto emocionalmente - sim, o aleitamento faz parte das 7 ferramentas do apego para formar crianças bem resolvidas.

P.S. Sou uma entusiasta do aleitamento materno, mas com ressalvas. Por que? Bem, eu tive uma experiência maravilhosa amamentando meus filhos em livre demanda por longo tempo, mas na mesma época vi outras mães e bebês próximos a nós não viverem da mesma forma. E notei que essas mulheres, maravilhosas à sua maneira, se sentiam frustradas, inferiores, menos capazes até de amar porque não alcançavam essa “glória”. Nesse sentido eu me considero uma militante do aleitamento materno (especialmente o exclusivo, até os 6 meses, como eu fiz), mas sou totalmente contra a divinização do leite materno.

 

(Foto: Acervo pessoal)