Bebês

Colar-mordedor pede atenção das mães

Acessórios que embelezam a mulher e massageiam a gengiva podem confundir o bebê. Por isso, todo cuidado é pouco!

Colar-mordedor pede atenção das mães

Quem tem filhos em fase de primeira dentição sabe bem o sofrimento que os primeiros dentes podem causar ao bebê. Choro, coceira e desconforto são apenas alguns dos sintomas que afligem os pequenos.

É nesse contexto que eles aprendem a levar tudo à boca para aliviar a coceira na gengiva. Os mordedores parecem ter ficado no passado e a nova moda entre algumas mães é o uso de colares-mordedores.

Feitas de silicone, com material semelhante ao usado na maioria dos mordedores tradicionais, as contas são presas por um fio resistente e servem tanto como acessório para o look da mamãe quanto para aliviar a coceira na boca do bebê.

Enquanto muitas mães brasileiras já vêm aderindo ao item, a peça não agrada totalmente os especialistas. Na teoria, o colar-mordedor em nada difere de um mordedor tradicional. Apenas na teoria. E por isso pede atenção dos pais.

“O grande problema do uso desse tipo de acessório é que ele cria na criança a falsa sensação de segurança ao brincar com as bijuterias da mãe. Todo colar passa a ser visto por ela como mordedor”, alerta Fernando Godim, pediatra e especialista em segurança da criança.

Ele ressalta que, durante a fase de desenvolvimento dos dentes, quando esse tipo de massageador de gengiva se faz necessário, a criança ainda é muito jovem para distinguir entre o mordedor apropriado e qualquer outra peça usada pela mãe.

Sendo assim, o hábito de levar os acessórios à boca torna-se comum. “O uso desse tipo de acessório indiretamente favorece acidentes como a ingestão ou aspiração de pequenos objetos, como brincos, anéis e grampos de cabelo, e até mesmo casos de sufocamento”, explica o pediatra.

Ele ressalta ainda que, para a criança, deve haver uma diferenciação clara entre os brinquedos dele e os itens de uso da mãe. “Toda prática que gere confusão deve ser revista”, pontua.

Com duas décadas de trabalho dedicado à prevenção de acidentes domésticos, a pediatra Mariângela Nobre também desaconselha o uso do acessório e lembra o quão preocupante é a questão. Segundo relatórios da ONG Criança Segura, sufocamento é a principal causa de morte de bebês com até 1 ano de idade em acidentes domésticos.

“Esse tipo de colar ou pulseira serve mais para a mãe do que como mordedor eficiente de fato, uma vez que só podem ser usados quando a criança estiver no colo. O ideal é que ela tenha liberdade para segurar o mordedor e massagear a gengiva. É uma fase de descoberta. E o principal: que a peça não gere conflito visual com os enfeites da mãe”, afirma.

Mariângela alerta que esse modelo de mordedor jamais deve ser dado à criança para brincar sozinha. “A mãe deve estar sempre presente, pois as contas podem se soltar de alguma maneira e a criança ingeri-las acidentalmente. Ela pode também enrolar no pescoço e se sufocar. Não é um acessório seguro para a criança brincar sozinha”, avisa.

Apesar do alerta, para as mães que pretendem usar, a cautela é fundamental. Supervisão constante e higiene rigorosa são palavras de ordem. 

Ao comprar, prefira sempre produtos feitos em silicone e que sejam livres de Bisfenol-A, uma substância tóxica muito presente em produtos plásticos. O fio que prende as contas deve ser resistente para que elas não se soltem, gerando engasgamento.

Já quando o assunto é higiene, os acessórios voltados para a massagem das gengivas merecem cuidados dobrados, pois a saliva da criança favorece o desenvolvimento de micro-organismos.

Para manter a saúde bucal do seu filho é importante esterilizar a peça antes e após o uso, de acordo com a indicação do fabricante. Normalmente são sugeridas água corrente e soluções esterilizadoras próprias para mordedores e chupetas.

Não é aconselhado submeter o colar-mordedor a altas temperaturas, pois o calor excessivo danifica a peça.

(Foto: Getty Images)