Bebês

A culpa por não conseguir amamentar de forma exclusiva

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Nem toda mãe consegue amamentar o filho apenas com o leite materno, por mais esforço que faça. Não acredita nisso? Antes de julgar, leia minha história!

A culpa por não conseguir amamentar de forma exclusiva

Eu não sei se você que está do outro lado da tela é mãe, mas se for, entenderá bem o sentimento de querer dar ao filho o melhor de você.

Ainda na gravidez você repensa hábitos, passa a comer melhor, deixa de lado aqueles pratos deliciosos, mas que você sabe que não fazem bem à saúde. A sensação de estar nutrindo um filho começa aí, e prossegue depois do parto com a amamentação.

Que mãe nunca sonhou em ter uma produção de leite enorme, capaz de alimentar bem o filho e ainda sobrar (afinal, doação de leite materno é um ato de amor!)?

Claro que eu também sonhei com isso - afinal, todas as mulheres da minha família tinham alimentado seus bebês dessa forma. E eu achei que o processo seria natural com minha filha - que seria só deixar que a natureza fizesse seu trabalho e tudo correria bem.

Só que as coisas não aconteceram dessa forma, infelizmente. Sim, eu havia preparado o bico da mama para amamentar (tomei sol diretamente na pele, nos últimos meses da gestação. E embora não soubesse até que ponto a técnica funcionasse, também usei bucha vegetal na auréola mamária), eu tinha me informado sobre a pega e sabia que deveria comer bem, beber bastante líquido e descansar o quanto fosse possível, para que o leite viesse em boa quantidade. Mas quando minha filha Catarina nasceu, eu percebi que a maternidade não é uma ciência exata. Ela chorava de um lado, eu chorava de outro, e o leite não jorrava como esperado.

Certamente algumas mães dirão que eu não tentei o bastante... O que mais fazer, além de dedicar as 24 horas do seu dia a amamentar? Eu recebi a pediatra de Catarina em casa para que ela mostrasse com todos os detalhes como minha filha deveria pegar o seio, fiquei à disposição dia e noite (sem pular uma única mamada, com medo de que a falta de sucção da minha filha desse ao meu corpo o recado de que ele não precisava produzir tanto leite), aumentei a frequência das mamadas, a ponto de sentir a exaustão física chegar. E ela chegou: em apenas 15 dias, eu pesava 45 Kg, praticamente uma mãe em pele e osso. 

Eu comia mesmo sem vontade - a maior quantidade que conseguia. Eu bebia quatro litros de água todos os dias (meio litro por mamada, e eram oito no total). Apesar de estar fazendo o meu máximo, minha filha continuava chorando, e ganhando pouco peso ao final de um mês.

Você pode imaginar meu sentimento? Frustração total! Por não conseguir nutrir minha filha sozinha, por não estar sendo a mãe que eu desejava tanto ser! E como isso dói...

Quando Catarina completou seu primeiro mês de vida, a pediatra prescreveu o leite artificial, que seria dado sempre depois do peito. Se por um lado eu me entristecia com isso, por outro agradecia por haver uma saída que evitasse que minha filha tivesse fome. No fim das contas, amamentei junto com o complemento até o nono mês da pequena, quando, em função de uma bronquiolite, ela parou de mamar e meu leite secou de vez.

Essa foi minha pequena vitória, porque sabia que com o pouquinho de leite materno que ela tomava eu passava meus anticorpos e todo o amor desse mundo.

(Foto: 123RF)