Bebês

Dedo na boca pode até ser fofinho, mas também é prejudicial

Hábito entre as crianças pode ser sinal de algum estresse. E o pior é que pode acabar afetando os dentes dos pequenos

Dedo na boca pode até ser fofinho, mas também é prejudicial

Chupar o dedo, quando se é bebê ou criança, é um hábito muito comum, mas é preciso que os pais prestem bastante atenção para que o costume não prejudique a saúde do pequeno. "Esse ato pode ter várias causas, como uma necessidade neurológica, funcional ou emocional", aponta a odontóloga Denise Galassi. 

Os bebês nascem com um impulso de sucção muito forte relacionado à sobrevivência, à necessidade de se alimentar e, muitas vezes, tornam o chupar o dedo uma alternativa ao prazer das mamadas.

Já a necessidade emocional ocorre em crianças maiores que, em alguns momentos ou situações de desconforto, levam o dedo à boca e repetem a sucção. Normalmente, esses momentos estão relacionados a situações de medo, carência, dor, insegurança, timidez ou, ainda, busca de relaxamento.

"Entre muitas crenças e mitos, há algumas verdades no ato de chupar o dedo", conta a pediatra Kelly Oliveira. Uma delas é o entortamento dos dentes, ou seja, os dentes se tornam angulados para a frente, alterando o formato do osso maxilar e da mordida.

Quanto mais intensa e frequente a prática, piores ficam os dentes a médio e longo prazo, causando até mesmo problemas no desenvolvimento da fala e deformação do próprio dedo chupado.

Denise exemplifica um caso extremo. “Atendi um garotinho que chupava o dedo com tanta intensidade que a falange do polegar mais parecia uma folha, de tão achatada e alongada que era, além de ser uma extensão muito mole, uma estrutura sem qualquer resistência”, relata.

Claro que não são todas as crianças que criam esse hábito. Porém, é bom saber que isso pode ocorrer porque, em algum momento da vida, ela aprendeu a chupar o dedo, principalmente na fase oral (até cerca de 2 anos de idade) e na fase em que descobre as mãos (em torno dos 4 aos 6 meses).

E isso pode virar um costume ou não, dependendo de uma série de fatores psicológicos e emocionais. 

Para que o bebê ou criança não se habitue a chupar o dedo, os pais devem desviar a atenção dos pequenos com outras atividades ou brinquedos para colocar na boca ou mesmo amamentar com mais frequência. Caso a criança durma com o dedo na boca, é preciso retirá-lo delicadamente e com cuidado para não a acordar.

Carla Pinho relata que sua filha Julia chupou o dedinho desde a barriga. “Em todos os ultrassons ela estava com o dedinho na boca”, afirma. Após o nascimento, continuou com a prática e, segundo a mãe, foi uma luta para largar.

“Fizemos de tudo, até pimenta colocamos no dedinho”, admite. Mas como nada deu resultado, Carla procurou orientação psicológica. Porém, quanto mais tentava tirar, pior ficava o cenário. “E o resultado foi que Julia ficou com uma cavidade anormal no céu da boca, além de um dedo torto”, lamenta.

A única coisa que eliminou o hábito foi quando Julia colocou o aparelho ortodôntico para corrigir o céu da boca. “Acabou que o aparelho impediu o dedinho de ficar no mesmo lugar. Mas mesmo assim foi preciso colocar facetas nos dentes para corrigir o desalinhamento que o aparelho não dava mais conta”, finaliza a mãe, que diz ter até calafrios quando vê crianças com o dedo na boca.

Mais causas

Muitas vezes, o ato de chupar o dedo é desencadeado por estresse infantil. Entre os fatores que provocam esse estresse estão:

  • frustração ou aflição frequentes, como brigas na escola ou na família
  • crítica e desaprovação dos pais
  • excesso de atividades
  • bullying
  • acidente
  • agressão física
  • abuso sexual 

 

Tais situações fazem com que a criança retorne à sucção, uma vez que esse ato é uma forma de conforto psicológico ou de chamar a atenção dos pais.

Quando ocorre

A idade em que surge o mau hábito é bem variável. Nos bebês, a sucção fisiológica acentua-se aos 4 meses, diminui aos 7 meses e desaparece com 1 ano. Contudo, caso não desapareça, é preciso ficar atento e retirar a mania até, no máximo, os 3 ou 4 anos. 

"Quando persiste além dessa idade é que devemos dar maior atenção", alerta Denise. De acordo com ela, se não houver intervenção, pode ocasionar problema grave para os dentes e para o emocional da criança.

A principal recomendação, diz a pediatra, é identificar qual a real necessidade daquela criança, se está passando por algum período de mudança, ansiedade etc.

É importante também lembrar que o fundamental para evitar a situação é a prevenção. Observar o dia a dia do pequeno, seu comportamento e lhe dar atenção e muito carinho são bons caminhos. 

Também é importante tratar essa questão da forma mais natural possível, sem barganhas ou prêmios em troca do comportamento. Pode-se mostrar à criança que ela cresceu e que o ato de chupar o dedo é um comportamento de bebê – por isso ela precisa deixar esse comportamento, mudar.

Ou, ainda, oferecer a ela algo importante para segurar e ser responsável pelo cuidado, ocupando suas mãos com brinquedinhos, por exemplo. Por fim, desviar a atenção de sensações que desencadeiam o hábito também pode ser uma saída.

(Foto: Getty Images)