Bebês

"Mudei de opinião depois que meus filhos nasceram”

Mães contam como a maternidade mexeu com seus pontos de vista e chacoalhou um bocado de coisas em que acreditavam antes

"Mudei de opinião depois que meus filhos nasceram”

Opinião todo mundo tem. E elas são formadas de acordo com as nossas experiências, conhecimentos e análises de situações.

Conforme os momentos da vida, podem mudar um pouco ou até drasticamente.

No caso, a segunda costuma ocorrer muito quando a mulher se torna mãe. Aconteceu com você?

Quando os filhos nascem, tudo muda! Muda o ritmo, a rotina, as prioridades, as experiências e, com isso, as opiniões.

Algumas mães contaram um pouco dessas mudanças na vida delas. Você se identifica com alguma?

Mudança de hábito

“Antes de ser mãe, eu achava que todo bebê tinha que dormir no berço, para não acabar com o relacionamento marital, nem criar uma criança mimada. Mas assim que o Tom nasceu, vi que não tinha o menor sentido ele ficar longe de mim. Na primeira noite, ele já dormiu metade da noite no carrinho, do meu lado, e a outra metade na minha cama. Depois, descobri os benefícios da cama compartilhada e continuei fazendo. Acho que o primeiro deles foi a amamentação, que foi muito facilitada, tanto que amamento a Mia até hoje. E tenho certeza de que temos crianças mais seguras de si porque fizemos cama compartilhada” – Debora Torrieli Santana, mãe de Tom, de 5 anos, e de Mia, de quase 3, na foto acima.

Exemplo para os filhos

“Quando me tornei mãe, mudei em diversos aspectos, mas as maiores mudanças foram na alimentação e em questão comportamental. Passei a me alimentar muito melhor e hoje temos até uma horta em casa. Antes, eu nem me preocupava se era orgânico ou não. Comia para matar a fome, não me preocupava se isso fazia bem para o meu corpo. Agora faço questão de ser um exemplo para eles em tudo. Principalmente na convivência social, como ser cordial no trânsito, separar o lixo, economizar água e energia etc. São valores diários e simples que antes passavam um pouco batido por mim” – Raíssa Favila, mãe de Benjamin, de 3 anos, e de Alice, de 1 ano e 10 meses.

Fé x amor

“Minha vida mudou totalmente com a maternidade. Mas um ponto especial foi a fé. Antes do Iam nascer, eu era incrédula. Acreditava somente no que podia ver e pegar. Após o seu nascimento, eu fui tocada por um amor tão grande que ultrapassa os limites da normalidade. Acredito que a maternidade me mostrou que existe um poder maior, algo grandioso e que rege todo o universo, todas as coisas. Algo que criou tudo isso e que me presenteou com a oportunidade de amar alguém mais do que a mim mesma. Não se trata de religião, pois ainda não encontrei um caminho. Se trata de fé, de acreditar que somos olhados e protegidos e que temos que ser um exemplo na vida dos nossos filhos. Que nossos passos serão copiados e que precisamos ser melhores por eles” – Michele Leão, mãe de Iam, de 3 anos.

Criando com apego

“Eu mudei tudo! Antes, acreditava na rigidez, na palmada, na chupeta e na mamadeira. Quando engravidei e fui atrás de mais informações, mudei toda a minha opinião. Hoje, acredito na criação com apego, na amamentação em livre demanda, exclusiva até os 6 meses e prolongada até quando for bom. Me reinventei, mudei meus conceitos, meus valores e me preocupo com as coisas em longo prazo. Isso me fez ver e respeitar a criança como um indivíduo, não diferente de um adulto. Antes de ser mãe, eu tinha como certo que pai e mãe mandavam e filho só obedecia. Hoje, aposto no diálogo, na explicação” – Nua Saw, mãe de Raul, de 6 meses.  

Perdendo o medo

“Antes de eu ter minha primeira filha, eu sempre fui medrosa. Eu via minha irmã pingando soro no nariz do meu sobrinho e ficava desesperada. Eu achava que nunca ia fazer isso na minha vida. Adivinha qual foi a primeira coisa que eu tive que fazer? Pingar soro no nariz da Manu para ela conseguir mamar, porque ainda tinha secreções do nascimento. Eu tive que fazer isso logo no primeiro dia de vida dela! Tive que provar minha coragem e foi isso que mudou muito” Desirée Brandt, mãe da Manuela, de 3 anos, e da Paola, de quase 1 ano.

Muito trabalho

“Antes de engravidar, eu achava que licença-maternidade era um tipo de férias e que essa coisa de cansaço extremo e noites sem dormir não eram bem assim. Também achava que era fácil e melhor para o bebê estabelecer uma rotina. Mas aí, eu engravidei de gêmeas e, desde que elas nasceram, a gente nunca teve uma rotina – no máximo, seguimos um fluxo de acordar, mamar, brincar, comer, mamar e dormir. Nunca, nunca um dia foi igual ao outro. E vi que na licença-maternidade a gente trabalha muito mais que em alguns empregos! Antes de engravidar, eu também acreditava que, cedo ou tarde, o bebê teria que tomar mamadeira. Como eu fui amamentada até mais de 3 anos, comecei a ler muito na gestação e, mesmo tendo gêmeas, consegui amamentá-las exclusivamente até os 6 meses. E elas seguem mamando muito! E nunca tomaram outro leite que não o do peito” – Mariana Perestrelo Campagnoli, mãe das gêmeas Carolina e Clara, de 1 ano e 5 meses.

Filho por perto

“Mudei meu jeito em várias coisas. Mas a principal é: não deixar ele sair com outras pessoas ou ir à casa de amigos. Quando eu tinha sobrinhos menores, sempre os levava para passear, viajar etc. Aí, eu engravidei e sempre dizia para minhas cunhadas que deixaria meu filho ir para a praia com elas – elas até compraram uma piscina de bebê para ele. Mas quando ele nasceu, tudo mudou. Eu nem conseguia imaginar a possibilidade de deixar outra pessoa passear com ele. A primeira vez que eu o deixei ir ao cinema com uma delas e com o padrinho foi já aos 6 anos. Mesmo assim, se atrasava 1 minuto, eu ficava ligando. Hoje, ele está com 8 anos e minha tia sempre o chama para passar uns dias das férias na casa dela. Jamais! Minha sogra queria levá-lo para Minas Gerais. Nem sonhando!”.Meire Ferreira, mãe de Renato, de 8 anos.

 (Fotos: Arquivos pessoais)