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Nunca, jamais fale isso para uma grávida

Gestantes revelam os comentários que mais as incomodam. Variam desde o estilo de vida dela até o formato da barriga #ficaadica

Nunca, jamais fale isso para uma grávida

Impossível negar: grávidas recebem diariamente enxurradas de comentários, conselhos e frases clássicas de todos à sua volta – inclusive de estranhos. Não é fácil lidar com todos eles, ainda mais em uma fase de tantas mudanças.

Por isso, pedimos que elas nos contassem quais são os temas que mais as incomodam. Leia tudo! O conteúdo abaixo é um verdadeiro manual de etiqueta.

“Nossa, que barriga imensa!”

Cada corpo e cada gravidez possuem formatos diferentes – logo, tamanhos de barrigas diferentes. Mesmo assim, é muito comum surgirem comentários até impressionados com o tamanho da barriga da grávida, seja para muito grande ou para muito pequena.

“O que eu mais tenho ouvido e não gosto é: ‘Nossa, sua barriga está imensa! Já está para nascer, né?’. É a minha segunda gestação e, desde a primeira, quando eu era muito magra, a minha barriga ficou enorme. Dessa vez, engordei mais, então esse tipo de comentário me irrita muito, especialmente quando vem de outras mulheres na mesma idade gestacional, com metade da minha barriga”, conta Thais Moraes, grávida de 35 semanas, da Helena. Há ainda quem pergunte se a mãe tem certeza que tem só um bebê, se não errou as contas etc. Desnecessário, né?

“Aproveite pra dormir agora”

Essa frase é clássica entre as grávidas! A verdade é que, apesar de parecer um aviso real, uma previsão certeira, não agrada à gestante ficar ouvindo isso repetidamente. Algumas justificaram que não é possível acumular sono ou armazená-lo em um vidrinho para usar depois. Sendo assim, a dica é partir sempre do pressuposto de que a grávida sabe que é bem provável que ela fique bastante tempo sem dormir direito quando o bebê nascer e que, logo, não é preciso avisá-la.

“Posso colocar a mão na sua barriga?”

Se a pergunta já incomoda algumas mães, imagine quem coloca a mão sem nem perguntar? “Geralmente, já colocam a mão enquanto perguntam. Detesto isso! Por mim, só os mais próximos colocariam a mão na minha barriga. É energia! Mas aqui no Brasil, barriga de grávida é domínio público, rs. Mesmo pessoas que me conhecem bem pouco já chegam colocando a mão”, conta Fernanda S. Moreno Tucci, grávida de 28 semanas de uma menina ainda sem nome escolhido.

“Menina/ menino é muito melhor por que...”

É bem comum que o questionamento sobre qual é o sexo do bebê apareça antes de qualquer pergunta sobre a saúde da mãe ou do filho. “Sempre ouço: ‘Agora você vai ter que se acostumar com cor de rosa, laços, fitas e princesas’ ou ‘Menina é muito melhor por que..." ou "Menina é muito mais difícil por que...’. Odeio essa coisa de rotular que menino é assim e menina é assado”, diz Patricia Lage Ricciardi, mãe do Eloi, de 18 meses, e grávida de 21 semanas de uma bebê, que ainda não tem nome definido.

Há ainda quem lamente pelo sexo do bebê. “Já ouvi algumas vezes: ‘Que pena, podia ser menina agora, né?’”, conta Janaína Silva, grávida de 39 semanas do Daniel. Já imaginou ouvir isso? A maioria delas reclama da forma como as pessoas querem muito que se tenha um casal como filhos e desdenhando caso isso não aconteça.

“Mas você está grávida, não pode comer isso!”

A partir do momento que é descoberta a presença de um bebê na barriga de uma mulher, muita coisa muda na vida dela. Prioridades, estilo de vida, opiniões, rotina, entre tantas outras. Há quem acredite em algumas regras de alimentação para grávidas, mas é preciso sempre lembrar que apenas a gestante pode ou não negar algum alimento ou bebida.

Dar bronca, impor regras e humilhá-la em caso de “desobediência” são coisas que não ajudam e, pior, não devem ser comentadas a não ser que seja solicitado pela grávida. “Outro dia, fui comprar um café para mim e a mulher do caixa disse: ‘Desculpe, mas não posso vender café para uma mulher grávida’. Eu a questionei e ela respondeu que cafeína faz mal. Tentei novamente ela se recusou. Fui embora. Foi péssimo!”, conta Marina Masotti Bustamante, grávida de 31 semanas do Gabriel.

“Tomara que ela tenha o seu cabelo”

Principalmente quando a futura criança é uma menina, há muitos comentários em relação ao cabelo dela – alguns deles racistas, inclusive.

“Estou grávida do Miguel (27 semanas) e, além de ouvir que 'Até que enfim vou ter um filho homem, que uma família só fica completa com um filho homem’ – comentário que me deixa realmente brava –, me lembro muito das minhas gestações anteriores, das minhas filhas, em que eu ouvi muitos falando sobre o cabelo delas. Meu marido é negro, então, falavam que eu tinha que torcer para puxarem ao meu cabelo, senão eu iria gastar muito dinheiro com prancha e alisamento. Gente!”, espanta-se Ana Beatriz Costa Souza.

“Parto normal ou cesárea?”

O nascimento do filho é uma escolha muito pessoal da mãe. Tudo depende do médico que ela frequenta, do quanto ela se informou sobre suas opções etc. Há diversos tipos de parto: parto domiciliar, parto natural, parto humanizado, parto normal, cesárea eletiva, cesárea por emergência... A verdade é que a única coisa que importa é a mãe estudar bem, se empoderar e ter certeza das opções que ela tem e qual escolher.

Receber palpites sem embasamento, de familiares, amigos e até de desconhecidos, só atrapalha e a reclamação é praticamente geral. “Isso me irrita demais! É assunto meu!”, defende Abigail Num, grávida de 26 semanas do – possivelmente – Nathan. É importante respeitar a opinião da gestante e tentar se livrar de julgamentos antes de conversar com ela.

“Vocês já vão fechar a fábrica, né?”

Muitas mães que estão na segunda gestação em diante reclamam que recebem muitos comentários dando a entender que ter mais filhos é uma loucura. Os comentários variam entre: “Mas você vai fazer laqueadura, né?”, “Faz cesárea, é bom que já liga (ligação das trompas)” e “Vocês já vão fechar a fábrica, né?”, entre outras.

O incômodo acontece por serem comentários invasivos e darem a entender que os pais estão sendo irresponsáveis. É sempre bom evitar. Independentemente do número de filhos, todos podem ser planejados e queridos. E mesmo que venha a acontecer a gravidez por acidente, isso não significa automaticamente que é algo indesejado e que não deve se repetir nunca mais.

(Foto: Getty Images)