Bebês

O dia em que realmente me senti pai

Cada pai experimenta a paternidade de forma diferente, cada um a seu tempo, ao seu modo e de acordo com o seu próprio repertório de experiências. Todos, porém, sentem uma intensa emoção

O dia em que realmente me senti pai

Enquanto a mulher vê o seu corpo se transformar durante a gravidez, o pai assiste o desenrolar da gestação como um mero espectador.

Seus hormônios não se alteram, suas formas não se modificam, ele fica horas tentando sentir um singelo movimento do bebê na barriga da mãe e, num piscar de distração, o chute já passou.

Ele até sabe que ali, naquele outro corpo, cresce um pedacinho dele também, mas tem pouco acesso momentaneamente. Ao “gestar” do lado de fora, sua percepção da paternidade é completamente diferente da mulher – ou não, quem sabe?

Por isso, nada melhor que ouvir deles próprios o momento exato em que se sentiram realmente pais. Acompanhe os depoimentos que recebemos e não se poupe de ter ao lado um lencinho...

Feliz Dia dos Pais

“Era o segundo domingo de agosto de 2012 quando fui acordado, às 7 da manhã, por minha esposa com uma cesta de palha com um monte de coisas dentro e um sorriso de orelha a orelha. Levei algum tempo para decodificar a cena que acompanhava os ‘parabéns’ dela para mim. Abri a cesta e havia um exame de gravidez, uma foto dela com a barriga de fora ao lado de um teste de farmácia e um livro infantil sobre o Palmeiras. Aquela imensidão de informações bombardeando meu cérebro que recém deixava o estado onírico, aos poucos, começava a se organizar, e um misto de surpresa e alegria preenchia minha alma e meu coração. O desejo começava a deixar o campo das ideias e passava a, definitivamente, fazer parte de minha realidade. Calculadamente, Luciana deixou para me dar a notícia nesta data. Era Dia dos Pais. E esse foi o dia em que me tornei pai.”Cristiano Lanza Liveraro, 42 anos, psicólogo, pai de Sofia (2 anos e meio).

Nada era mais só meu

“Minha primeira sensação memorável da paternidade aconteceu quando minhas filhas haviam acabado de completar 1 ano. Era uma noite quente, estávamos nas últimas semanas de dezembro de 2013. Tinha ido na festa de fim de ano do pessoal do trabalho, na verdade um happy hour prolongado muito agradável e merecido. Cheguei em casa de fininho. A Grasi e as meninas já estavam dormindo. Abri a porta e me deparei com um cirquinho de nylon vermelho e amarelo que elas tinham ganhado de aniversário. Não era muito grande, mas ali, no meio da sala, ocupava bastante espaço. Então eu senti as paredes da minha existência expandirem como um útero. Duas pessoas crescendo dentro da minha vida, construindo suas casas dentro da minha casa. Juntando coisas, ocupando meu espaço. Mas aquela casa não era minha. Nada me pertencia exclusivamente. Tudo coexistia e agora eu era mais três pessoas. E o que antes era rígido ganhou flexibilidade. Minha existência se agigantava dentro dos meus 1,67 de altura. Quanta emoção, quanta pressão. Como é possível não explodir feito uma bexiga e se perder por aí em pedaços? Entrei no cirquinho. Deitei de cabeça pra cima, olhando o vértice colorido no teto onde as pontas vermelhas e amarelas se encontravam. Demorei pra dormir. Fiquei indo e voltando no tempo, me sentindo muito sortudo por tudo. Eu era pai!”Rodrigo Bueno, 36 anos, ilustrador, pai das gêmeas Margarida e Iolanda (2 anos e meio).

Gravidez acidental

“Só descobrimos a gravidez de minha esposa Jana por conta de um acidente que ela sofreu. Numa viagem a trabalho, ela quebrou o nariz e foi atendida num pronto-socorro. Ao ser medicada, começou a se sentir muito mal e um exame confirmou a gravidez. Em um dia ela me liga falando do acidente e, no outro, da gravidez. Fiquei confuso e levei um susto. Acabei ficando em uma zona meio neutra até escutar o coração do bebê pela primeira vez. Mas o momento definitivo, acho que foi no parto, quando o segurei no colo. Nesse momento, toda a verdade veio à tona: sou pai.” Daniel Burle Orlandine, 37 anos, designer, pai de Francisco (6 anos).

Varal encantado

“O momento mágico em que me senti pai, de fato, brilhou em uma manhã, quando distraidamente eu atravessava a cozinha do nosso apartamento, ainda antes de a Mariana ter nossa filha, e me deparei com o varal de secar roupas repleto de roupinhas de neném. A emoção daquele momento foi incrível, encheu meu coração de amor e transformou minha alma para sempre e para melhor. Aquele varal me mostrou que a vida não seria mais a mesma e me deu a certeza que eu jamais viria a ser ninguém, pois para sempre passaria a ser pai.”Fabio Teixeira Coelho, 40 anos, comerciário, pai de Jasmim (2 anos).

Toda minha

“O primeiro chute, foi emocionante. No parto da Susane, senti uma mistura de preocupação, com o momento mais feliz da minha vida até hoje. Tudo junto e confuso. Já em casa, ela tinha 3 dias de vida e dei o primeiro banho de chuveiro, só eu e ela. Foi quando realmente a ficha caiu. Tão pequena, nos meus braços. Eu era responsável por ela. Toda minha!” – Alan Pardini, 36 anos, coordenador de projetos, pai da Antonella (1 ano e 8 meses).

Colo de pai

“Quando eu e a Ana descobrimos a gestação do Vittorio, o primeiro filho, mesmo vendo o positivo do exame, ainda não havia caído a ficha de que seria ‘pai’. Senti um frio na barriga quando ouvimos o coraçãozinho no ultrassom pela primeira vez. Mas foi após poder tê-lo nos braços que o sentimento invadiu por completo. A vontade de proteger e de não largar, de querer ter para sempre perto...”Waldy Vieira de Novaes Neto, 36 anos, advogado, pai de Vittorio (9 anos), Govanni (7 anos) e Giulia (4 anos).

Primeiro encontro

“Meu pequeno nasceu tranquilo, em seu momento, em sua hora. Com uma carinha curiosa, olhou sua mãe Mirian e foi correndo para os seios. Ri e chorei ao mesmo tempo. Me mantive calmo, mesmo com o nervosismo tomando conta de mim. Estava eufórico sem dizer uma palavra, sabia que todo aquele momento se tornaria inesquecível. Vi meu filho no colo da minha esposa e, apenas observando, fui tomado por um sentimento que sinceramente não sei descrever, mas ali, exatamente naquele momento, percebi o que era ser pai.”Jorge Augusto Correa Patricio, 29 anos, supervisor de produção, pai de Benício (11 meses).

Noite roqueira

“Eu me senti realmente pai no dia em que ninei o Arthur, recém-nascido, madrugada adentro e ele não dormia de maneira alguma, pois estava com muita cólica. Então, comecei a cantar para ele, bem baixinho, todas as músicas de rock que conhecia, até ele começar a cair no sono. Mesmo estando exausto de andar a noite inteira de um lado para o outro, percebi que sentia um amor que não tinha sentido por nada ou por ninguém até então”. – Diego Perpétuo da Silva, 36 anos, designer gráfico, pai de Arthur (3 anos) e marido de Rosiane Pacheco.

Bate coração

“Quando ouvi o coração batendo no primeiro ultrassom da Camilla fiquei emocionado. Percebi que havia outra vida ali, que algo grande estava se preparando para acontecer. E aconteceu. No exato momento em que a Leah nasceu, também me fez nascer como pai. E, exatamente como um bebê que acabou de vir ao mundo, chorei tanto quanto ela. Chorei como um pai recém-nascido”. – Alexandre Meyer, 43 anos, engenheiro, pai de Leah (1 ano e meio) e Alan (2 meses).

Deu positivo!

“Eu vivi a gravidez desde o começo junto com a minha esposa Maria Helena. Ficava de olho para ver se a barriga mexia e corria para colocar a mão e sentir o bebê. Pegava o rolete vazio do papel higiênico e colocava na barriga para ouvir o coração. Chorei muito, mas muito mesmo, de alegria indescritível, ao saber que seria uma menina. Tudo isso foi forte, mas eu me senti pai de fato quando eu dei banho sozinho, pela primeira vez, na minha filha. Aquele foi o momento em que me vi realmente como pai. Com o primeiro filho a experiência é sempre mais forte, mais emocionante. É o novo que, de repente, surge em sua vida. Os outros filhos também foram emocionantes, mas já não eram mais novidades. Meu maior e melhor presente da vida é ser pai de três filhos maravilhosos.”Dionísio Martins da Silva, 67 anos, psicólogo, pai de Luciana (34 anos), Tatiana (31 anos) e Tiago (29 anos).

(Fotos: Getty Images e Arquivos pessoais)