Bebês

Sintomas de gravidez: eu já sabia!

O atraso menstrual é o sinal mais óbvio de que a família vai aumentar. Mas algumas mudanças do corpo podem ser notadas pelas futuras mamães antes mesmo do resultado positivo

Sintomas de gravidez: eu já sabia!

Com a vida dividida entre a carreira profissional e as tarefas de casa, muitas mulheres só acabam se dando conta de que um bebê está a caminho depois que a menstruação atrasa.

E, a não ser que o casal esteja de fato tentando engravidar e a mulher, bem atenta ao seu corpo, alguns sinais que estão associados à gestação podem acabar passando despercebidos e até serem confundidos com o início do ciclo menstrual.

Foi o que aconteceu com Suzana Orlando, mãe de Pedro, 7 anos, e Gustavo, 3, durante a primeira gestação. Após sofrer um aborto espontâneo, ela parou de menstruar. “Como todos os exames deram normais e a médica comentou que, como o meu ciclo ainda não tinha normalizado, as chances de engravidar eram pequenas, acabei não me preocupando. Continuei com o ácido fólico e vida normal”, diz.

No pacote de vida normal acabaram entrando uma escova progressiva e uma viagem romântica para a Argentina, com direito a muito vinho. Ao voltar de férias, a médica pediu novo ultrassom para verificar se estava tudo certo para recomeçar as tentativas. E aí veio a surpresa. “Foi só através desse exame que descobri que já estava com mais de dois meses de gestação”, lembra Suzana.

Mas a verdade é que, muitas vezes, antes mesmo de aparecer o símbolo de positivo marcado em azul no teste de farmácia ou do exame de sangue confirmando a gestação, o organismo feminino já pode começar a indicar de que em 9 meses um novo e fofo ser fará parte da família.

“Com a elevação do Beta-HCG sanguíneo a mulher já pode apresentar alguns sintomas da gravidez, como náuseas, vômitos, cólicas e mastalgia, que é o aumento da sensibilidade e das dores nas mamas. Um outro sinal que passa quase que imperceptível entre as mulheres é o aumento da frequência cardíaca”, explica o ginecologista e obstetra Anderson Pinheiro.

Segundo ele, a elevação do Beta-HCG é o principal fator responsável pela sintomatologia materna. Ele começa a ser produzido antes mesmo da implantação do óvulo no útero, que ocorre por volta do oitavo dia após a fecundação. “Mas esses sintomas podem ser muito discretos e em grande parte das mulheres podem passar despercebidos”, comenta.

O corpo fala

Foi percebendo os sinais do próprio corpo que a enfermeira Caroline Gautheron, mãe de quatro filhos, com idades entre 2 e 14 anos, não teve dúvidas de que cada um dos resultados daria positivo antes mesmo de consultar o médico.

“Todos os dias, como qualquer recém-casada, era uma alegria o momento que meu marido chegava do escritório. Até que um dia o cheiro do perfume dele me deixou enjoada e irritada. Com isso associado aos meus seios que estavam supersensíveis, tive a certeza que estava esperando um bebê”, conta.

Na segunda vez, ela sentiu sono e calor incontroláveis e logo estava convicta de que teria outro filho. Um ano mais tarde, o apetite ampliado foi o principal sinal.  “Eu tinha vontade de comer alimentos misturados e que não combinavam entre si. Tinha desejo por feijão intercalado com doces, como geleia, chocolate e mel. Pensei que aquilo não era normal e que certamente devia estar grávida. Bingo!”, lembra.

Já do quarto filho, a confirmação veio numa sessão de cinema. “Semanalmente saía para ver filme. Eu adoro cinema e sou uma pessoa que tem dificuldades para dormir, ainda mais no cinema. Mas naquele dia, encostei no ombro de uma amiga e peguei no sono. Chegando em casa, pedi para o meu marido comprar um teste de farmácia e só confirmei o que já desconfiava”, relembra ela.

De acordo com o ginecologista e obstetra Fabricio Collares Rosas, o corpo começa a se preparar para a gestação antes mesmo do atraso da menstruação.

“O aumento dos hormônios Beta-HCG e da progesterona são os principais responsáveis pela manutenção da gestação nas semanas iniciais e eles provocam uma série de mudanças fisiológicas no corpo da grávida a fim de viabilizar a gestação e garantir a proteção da mãe e do bebê, principalmente durante o primeiro trimestre, que é a fase gestacional mais delicada”, esclarece.

Gravidez

O especialista observa que o sono e o cansaço excessivos são uma forma que a natureza encontrou de evitar que a mãe se exponha a atividades em excesso colocando-a e ao pequeno em risco. “Os enjoos tão típicos desse período, por exemplo, são também uma defesa do corpo que proporcionam à mulher a busca por uma alimentação mais balanceada”, argumenta Fabricio.

Ainda conforme o médico, o aumento no nível da progesterona também proporciona que os tecidos e músculos do corpo fiquem mais elásticos e relaxados, a fim de garantir não só que o útero e a barriga cresçam, como diminuir as possíveis contrações uterinas.

“E é justamente esse relaxamento muscular o responsável algumas vezes pela prisão de ventre e pelo aumento da vontade de fazer xixi, ambos no início da gestação”, diz. Apesar disso, o sinal mais sugestivo de gravidez entre as mulheres é o aumento do volume e da sensibilidade das mamas.

TPM ou gravidez?

Um detalhe: todos os sinais descritos acima podem ser facilmente confundidos com a TPM (Tensão Pré-Menstrual), que também ocorre por causa do aumento do hormônio progesterona.

“Em ambos os casos, as mulheres podem se sentir irritadas, sonolentas e com uma sensação de peso no abdome inferior. Acontece que, na gestação, todos esses sinais se estendem por meses, além do atraso menstrual. Além disso, mesmo gestantes, algumas mulheres podem ter pequenos sangramentos esporádicos, decorrentes da implantação da placenta no útero”, afirma Fabricio.

Portanto, se você desconfia da possibilidade de gravidez, o melhor é procurar um médico para avaliar. É unanimidade entre os especialistas que, quanto antes a gestação for descoberta, maiores são as vantagens tanto para a mãe quanto para o bebê.

“Mais cedo a mulher começa a se alimentar de maneira mais equilibrada, a fazer os exames do pré-natal e a ingerir as vitaminas essenciais à saúde fetal, como o ácido fólico”, frisa Fabricio.

Sinais de gravidez

Será que é hora de procurar um médico? Antes do sim, conheça os dez principais sinais da gestação, além do atraso menstrual. Mas é importante lembrar que não são todas as mulheres que terão o conjunto desses sintomas. Na dúvida, marque uma consulta!

1. Sensação de inchaço no abdome: ocorre pela retenção de líquidos causada pela progesterona, visando amolecer todos os tecidos do corpo, como o útero, a pele e as articulações (para acomodar o crescimento do bebê) e também do colo do útero e da bacia (para permitir passagem do bebê pelo canal do parto).  

2. Aumento do volume e sensibilidade dos seios e dos mamilos: decorre da produção de progesterona e prolactina, que proliferam as estruturas mamárias a fim de aumentar a produção de leite no futuro.

3. Fadiga e sonolência: ocasionadas pelo aumento da progesterona, que atua no sistema nervoso central, deixam a gestante mais quieta e sonolenta para evitar gastos de energia desnecessários e exposição a riscos no início da gestação. 

4. Sensação de peso do abdome inferior: com o aumento do volume uterino, há uma sensação de peso ou cólicas, o que está relacionado ao crescimento uterino. Pode ocorrer desde o início da gravidez, mas, em geral, é sentido após a sexta semana.

5. Maior frequência das micções: acontece por causa dos hormônios e está relacionado com o relaxamento da musculatura lisa dos órgãos e da válvula que regula a eliminação de urina.

6. Falta do apetite ou perversão do apetite ("desejo" de comer alimentos estranhas), aumento da salivação e aversão a determinados odores: também são causados pelos hormônios e estão relacionados com a melhor seleção de alimentos, para evitar que a gestante ingira algo que traga riscos ao bebê.

7. Náuseas ou vômitos matinais: estão relacionados à presença de níveis de Beta- HCG e podem estar presentes já no início da gravidez - frequentemente surgem após a quinta semana de gravidez. Também podem ser considerados mecanismos de proteção do bebê à medida que a gestante passa a selecionar melhor o que vai ingerir.

8. Aumento da frequência cardíaca: costuma ser identificada após a quarta semana de gravidez e é uma resposta a alterações hormonais no corpo materno. É justificada pela necessidade de adaptar o corpo materno às demandas da gravidez e nutrição do concepto.

9. Obstipação e flatulência: também resultados dos hormônios e do relaxamento dos músculos do estômago e intestino.

10. Escurecimento da aréola mamária, linha média do abdome e região genital, além da pigmentação no rosto em forma de "asa de borboleta" (também conhecido como cloasma gravídico): ocorrem por conta do aumento da melanina causada pelo hormônio estrogênio, que é um protetor natural contra a radiação solar e de outras luzes.

(Fotos: Getty Images)