Bebês

Tchau, mamadeira!

Suspender o uso do acessório é importante para o desenvolvimento da criança. Mas nem sempre é tarefa fácil

Tchau, mamadeira!

Tirar a mamadeira dos filhos deve ser encarado como mais um passo no desenvolvimento das crianças. Porém, antes de mais nada, os pais devem estar convictos e certos sobre o procedimento, pois a insegurança deles pode ser um ponto-chave de fracasso nessa transição.

“Existe um processo de assimilação da família, pois a mamadeira é um símbolo de que aquela criança é um bebê, então tirá-la significa que ele está crescendo. Devemos focar nos benefícios que isso vai trazer para a criança e seguir em frente”, explica a pediatra Rafaella Gato Calmon, do Saúde4kids.

Apesar de não haver uma idade limite, especialistas são unânimes em afirmar que o ideal é retirar a mamadeira até os 2 anos, pois nesse momento a criança já tem coordenação suficiente para usar os chamados copos de transição.

Além disso, após essa idade, já aparecem alterações importantes e até visíveis que só vão se acentuando como: dentes, lábios, padrão respiratório e musculatura orofacial.

Vale lembrar que o uso prolongado da mamadeira pode causar ainda alterações no desenvolvimento da fala, desmame precoce, aumento de chance de cáries, além do maior risco de contaminação e aquisição de doenças infectocontagiosas, como aponta a fonoaudióloga Lílian Kuhn.

“Geralmente os pais percebem que a criança está pronta para iniciar o processo porque ela mesma demonstra um interesse pelos copos ao presenciar os adultos usando-os. Esse é o momento de aparecerem os copos coloridos e atrativos para despertar o interesse dos filhos e facilitar essa troca”, aconselha Flávia Nassif, pediatra do hospital Sírio Libanês.

Processo necessário

“Como todo processo adaptativo inerente ao desenvolvimento das crianças, a transição da mamadeira para o copo deve ser feita de maneira lenta e gradual, evitando-se ao máximo a ocorrência de retrocessos”, afirma Thalita Lodi Rizzini, pediatra do Hospital Sepaco.

Pode-se inicialmente suspender as mamadeiras em período diurno e, posteriormente à noite. Não se recomenda negociar com o filho ou oferecer “prêmios” pelo sucesso e, sim, uma conversa paciente, falando diariamente sobre a importância da transição e mostrando que precisa usar copos, como as crianças maiores e os adultos.

A jornalista Claudia Olivieri Gonçalves, mãe da Camila, hoje com 7 anos, conta que a menina começou a usar mamadeira com 1 ano, logo que ela parou de amamentar. 

“Aos 3, por orientação do pediatra, decidi tirar a mamadeira e, por incrível que pareça, o processo durou um único dia, depois de uma conversa que tivemos. Disse a ela que já estava se tornando uma mocinha e que estava na hora de abandonar e passar a utilizar o copo de treinamento”, lembra-se

Mãe e filha foram juntas a uma loja e a pequena escolheu o copo de que mais gostou. “Ela voltou para casa muito feliz e nunca mais pediu a mamadeira”, diz.

Já na casa da advogada Fabíola Barisauskas, mãe de Thiago, de 5 anos, não tem sido tão fácil. Há 2 anos ela vem tentando tirar a mamadeira do filho, sem sucesso.

“Ele toma por volta de 3 mamadeiras por dia. Já tentei de tudo: conversei, prometi presente. Não adianta: se recusa a tomar leite no copo, e, como ele come muito mal, eu fico com peso na consciência de deixá-lo sem o leite também”, explica.

Segundo ela, tem sido um processo muito desgastante. “Tem dias em que fico tão exausta que largo tudo e o deixo se alimentar como ele quiser, sem brigar, sem tentar conversar, sem insistir para que coma corretamente. Ele adora trocar o almoço e o jantar pela mamadeira. E, se deixar, toma mais de um litro de leite por dia”, revela a mãe.

Como tirar a mamadeira dos filhos

Para evitar processos sofridos assim, reunimos aqui algumas dicas preciosas para ajudar nessa importante transição:

  • Períodos específicos: não retire a mamadeira em períodos de transição, como início da escola, chegada do irmãozinho, desfralde, mudança de casa ou quando ele estiver doente, pois será bem mais confuso e complicado, como sugere Rafaella Calmon.
  • Prazos: trabalhe em cima de prazos, com datas conhecidas pelas crianças, como Natal, Páscoa, aniversário. Se cumpridos, é importante recompensá-las. Não no sentido de presenteá-las, mas comemorando com elas essa conquista. 
  • Melhores horários: comece a retirar a mamadeira da madrugada (caso ainda exista essa mamada). Na sequência, vale combinar com a criança que, primeiramente, água e sucos serão oferecidos em copos de transição. Só depois é que vem o leite.
  • Substituições eficientes: entre as mamadas do dia, comece pela da tarde. Troque por um lanche – normalmente um iogurte ou uma vitamina com leite batido com frutas, que deve ser servido em copo ou caneca. Se quiser pode optar por um canudinho. 
  • Apoio da família: suspenda a mamada da manhã, trocando-a por leite com cereais (servido com colher) ou vitamina com frutas (sempre em copo ou caneca). Nessa ocasião, um café da manhã com a família reunida pode ser encorajador. 
  • Logística adequada: deixe a mamada noturna por último, pois é a mais difícil de ser retirada.
  • Ressalte as vantagens: destaque sempre o lado bom que abandonar a mamadeira traz. "Fale, por exemplo, sobre passar a participar das atividades ligadas à alimentação junto à família, o que não seria possível se prosseguisse com a mamadeira", mostra Christine Christmann, psicóloga e neuropsicóloga infantil.

 

E lembre-se: carinho, paciência, confiança e perseverança nunca são demais.

(Foto: Getty Images)

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