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7 mães que disseram adeus ao emprego formal

Muitas mulheres optam por deixar as relações de trabalho tradicionais para se dedicarem aos filhos. Mas isso, nem sempre, significa deixar de trabalhar

7 mães que disseram adeus ao emprego formal

Durante os meses de gestação, você planeja como será a rotina quando o bebê nascer. Organiza a licença-maternidade e se prepara mentalmente em relação à rede de apoio que precisará dispor – avó, babá, escolinha? – para o dia da volta ao trabalho.

Mas aí o bebê nasce e tudo vira de ponta-cabeça. Os meses de licença passam num piscar de olhos e você já tem que voltar ao emprego. E, então, percebe que não, você não quer deixar seu filho com ninguém.

A solução encontrada por muitas mães para essa angústia é deixar o trabalho dito formal – aquele com horários rígidos e rotinas pré-estabelecidas – e ficar em casa cuidando dos filhos.

Só que, como as contas não param de chegar, a maioria encontra formas alternativas de rendimentos, sem que, para isso, precise abrir mão do dia a dia dos pequenos. Se esse é o seu sonho, então, confira essas histórias e se inspire em mulheres que encontraram outra fonte de renda.

Sabonetes artesanais

A jornalista Luciana Fuoco estava à frente de uma agência de comunicação quando engravidou, em 2012. Sua rotina de viagens era intensa e seu ritmo de trabalho, frenético. “Eu comandava uma agência que atuava com assessoria de imprensa para empresas grandes e fornecia conteúdo jornalístico para as maiores editoras do país”, conta. A ideia era colocar uma profissional gabaritada em seu lugar até o fim da licença, mas os planos mudaram quando Sofia nasceu prematuramente, com 30 semanas de gestação.

“Eu já havia sido internada às pressas com 25 semanas e uma amiga muito competente assumiu meu lugar. Porém, alguns clientes se assustaram e ficaram bem reativos e, com isso, alguns contratos foram cancelados”, completa. A pequena ainda estava na UTI neonatal quando o maior cliente encerrou o contrato. Luciana decidiu fechar a agência. “Eu não podia lidar com uma empresa ruindo e uma filha na UTI. Minha filha era meu foco. Então, aos prantos, no saguão da maternidade, liguei para o meu marido e decidi encerrar tudo”, relembra.

Com a alta hospitalar de Sofia e a volta para casa, Luciana retomou trabalhos como repórter freelancer, o que não era suficiente para completar a renda familiar. Foi quando tirou do fundo do baú uma velha habilidade: fazer sabonetes artesanais. “No início eram lembrancinhas de chá de bebê, maternidade, aniversários, casamentos, brindes corporativos”, relata. Luciana não parou mais e conseguiu cuidar de perto da rotina inicial de Sofia, que incluía idas constantes ao pediatra e outros profissionais, incluindo fisioterapia duas vezes na semana.

“Sou apaixonada por fazer sabonetes tanto quanto escrever uma boa matéria, mas não posso negar que as lembrancinhas, hoje, representam 50% da minha renda familiar”, completa a jornalista, que criou a loja virtual Coisas de Sofia e passa as madrugadas trabalhando – seja criando sabonetes especiais ou escrevendo uma matéria – enquanto a pequena dorme. “Mas não me arrependo nem um pouco da decisão que tomei”, afirma.

Mãe e filha

Loja de móveis infantis

Ser mãe era o grande sonho de Patricia Platinetti Mazaro e, mesmo antes de engravidar, ela já tinha uma sensação de que seria difícil voltar ao trabalho por conta da distância até a empresa e da carga horária. À época supervisora de inovação em uma multinacional americana, quando a licença de seis meses estava quase acabando, buscou um lugar para deixar o Bento, o filho.

“Ele se adaptou bem à escola, mas eu não fiquei bem. Tinha que tirar meio litro de leite por dia para deixar para ele no dia seguinte e esse processo dentro da empresa era bem complicado. Um dia, depois de tirar leite na enfermaria, corri para uma reunião com o meu chefe e me sentia completamente maluca com tanta coisa acontecendo. Quando abri a porta da sala, ele me perguntou por que eu estava descabelada. E eu estava realmente descabelada, sentia isso. Naquele dia me caiu uma ficha de que aquilo não estava certo e não fazia bem para mim”, relembra Patrícia.

Depois de dois meses trabalhando e de muita conversa com o marido, eles decidiram que fazia mais sentido Patricia ficar com Bento. “A ideia não era eu parar de trabalhar completamente. Foi então que eu e mais duas amigas, que também têm filhos da mesma idade que o meu, começamos a sonhar com a construção de um tipo de negócio que tivesse a ver com a gente, com nosso propósito de vida e que pudesse deixar esse mundo melhor de alguma maneira”, diz.

Assim, criaram a Cuchi, uma loja de móveis infantis que prima pela liberdade e autonomia da criança. “Hoje, trabalho para alavancar a Cuchi em conjunto com as minhas sócias e faço freelas de tradução para ganhar um dinheirinho extra”, orgulha-se Patrícia que só começou a trabalhar três vezes na semana, quando Bento já estava com 1 ano e meio.

Fotografia familiar

Mariana Hart Dore já era mãe de uma menina de 6 anos quando se viu grávida novamente – de gêmeos! Na época, trabalhava como gerente de uma marca de roupas. “Eu vivia estressada, com cotas a bater, tinha uma equipe para comandar e superiores pressionando. Trabalhava aos sábados, domingos e feriados e tinha apenas quatro folgas por mês. Minha filha mais velha já havia tido sua educação terceirizada por conta da jornada intensa de trabalho. Então, nessa nova gestação percebi que seria uma oportunidade de escrever uma nova história”, conta.

Depois de colocar custos no papel, Mariana e o marido chegaram à conclusão de que seria melhor que ela se dedicasse às crianças. Depois de 3 anos de dedicação integral e exclusiva aos filhos, Mari começou a estudar fotografia, que foi seu hobby durante os anos anteriores, quando fotografava o crescimento dos pequenos.

“Primeiro comecei fazendo cursos e workshops rápidos, para não me distanciar muito do foco dos filhos. Pouco mais de um ano depois, me profissionalizei e comecei a trabalhar como autônoma, fotografando famílias. Minha nova profissão foi crescendo junto com as crianças e eu me apaixonando cada vez mais, não só pela fotografia, mas pela possibilidade que ela me trouxe de fazer meus horários, escolher onde e como iria trabalhar, deixando minha família sempre em primeiro lugar”, fala com carinho a fotógrafa de gestantes, partos, bebês e crianças.

Hoje, 8 anos após deixar a empresa e quase 4 anos depois de se profissionalizar, Mariana tem uma agenda movimentada, um nome reconhecido no mercado e seu trabalho é responsável por 50% da renda total da família.

Comida vegetariana

Quando a filha de Flavia Spielkamp estava com 2 anos, ela percebeu que estava perdendo a autonomia em sua criação. Embora separada do pai da menina, podia contar com a família dele na dinâmica da rotina da pequena, porém, isso estava tomando um rumo que não a estava agradando. “Eu não participava mais do dia a dia dela, trabalhava muito longe da escola, acabei indo morar em outro bairro por questões financeiras e um pânico me consumiu. Não queria ter uma filha e não ser a pessoa responsável diretamente pela rotina dela”, lembra-se.

Quando a garotinha estava com quase 3 anos, Flavia decidiu abandonar a carreira empresarial. “Passei a me dedicar ao que sou, o que estudei para ser e ao que amo fazer: cozinhar!”, conta. Longe do emprego tradicional, a chef começou promovendo jantares a portas fechadas, para grupos selecionados, em seu apartamento. Logo, criou um projeto de sopas orgânicas e vegetarianas congeladas delivery.

Com o tempo, vieram os eventos e as festas particulares, o projeto de chef em casa, assessoria para restaurantes e o Aya Cuisine começou a tomar forma. “Hoje, estou me firmando como catering de comida natural, saudável e com personalidade vegetariana”, comemora Flavia, que está grávida novamente e que faz tudo isso de forma a conciliar sempre com a agenda de sua filha.

Pesquisa de mercado

Cibele Loureiro era administradora de convênio médico quando engravidou, aos 41 anos de idade. Com uma vasta experiência na área hospitalar, trabalhou até os cinco meses de gestação, pois passava muito mal. Durante esse tempo, pensava como poderia conciliar o trabalho com o bebê. Tinha certeza apenas de uma situação: seu filho não iria para a creche, para que ela pudesse trabalhar.

“Comecei a procurar sites de trabalhos em casa e, na verdade, não senti confiança nas poucas coisas que chamaram minha atenção. Até que, conversando com uma amiga que trabalha com publicidade, ela me falou sobre um trabalho freelancer de recrutamento de pessoas para pesquisa de mercado”, relembra.

Hoje, Pedro vai completar 4 anos e Cibele trabalha em casa desde seus dois meses de vida. “Nunca precisei deixar meu filho para nada, sempre trabalhei ao lado dele. Faço relatórios assistindo a desenho animado, faço minhas reuniões por Skype e não preciso sair de casa e tenho um salário ótimo, muito melhor do que no antigo trabalho formal. Me orgulho muito de ter tomado essa decisão”, enfatiza Cibele.

Mapas astrológicos

Ao engravidar, Circe Mascarenhas Ferrario não tinha ideia da pessoa que se tornaria. Há 3 anos, quando Clarice nasceu, ela trabalhava em uma companhia anglo-holandesa e conseguiu privilegiados sete meses de licença. Mas quando o período se aproximava do fim, ela não conseguia visualizar outra opção que não fosse não retornar ao emprego.

“Eu acredito que, para mim, essa decisão foi resultado de uma conjunção de fatores, como não amar o que eu fazia, não me sentir satisfeita com o produto do meu trabalho, não conseguir conciliar trabalho e maternidade e, junto a tudo isso, o fato de eu sentir muita, muita vontade de ficar com ela, o tempo todo. E foi aí que decidi não voltar”, conta a publicitária.

Com a saída do emprego formal, Circe aprendeu novos ofícios e se lançou em caminhos desconhecidos. Fez um curso de astrologia, com duração de um ano, que hoje possibilita auxiliar outras pessoas em busca de autoconhecimento por meio da leitura de seus mapas. Recentemente, seu marido se juntou a ela no desafio de serem "donos da própria vida" e saiu do emprego formal, em que estava há mais de 6 anos. Juntos, eles inauguraram a Marafo Records, uma loja de vinil online.

“Eu amo fazer os mapas e agora a loja tem sido um desafio e tanto, mas é muito recompensador poder se dedicar a algo que é seu, que você acredita e curte. E, melhor, poder estar junto com as crianças”, fala Circe, que teve mais um filho, Caetano, que completa 11 meses. Hoje, todas as atividades da família geram renda significativa, tanto os mapas de astrologia como a loja de vinil.

Carregadores de bebês

Tuca Petlik é formada em Arquitetura e Urbanismo e trabalhava há quase 10 anos como arquiteta paisagista. Quando engravidou, tinha dúvidas em relação ao trabalho, mas achava que voltaria para o escritório em algum momento. Depois que a filha nasceu, enquanto estava em licença-maternidade, foi sentindo que não queria retomar a antigo ritmo, que não fazia sentido ficar tantas horas longe da pequena, que não seria a mãe que queria ser.

“Primeiro peguei projetos para fazer por minha conta, em casa, junto com uma amiga. Aí precisei fazer um sling para meu marido e acabei fazendo alguns a mais para tentar vender – e vendi tudo. Fiz mais, peguei encomendas, fui vendendo, as pessoas dando um feedback legal e fui crescendo. Depois, comecei a fazer outro modelo de carregador de bebê que fez muito sucesso e a coisa deslanchou”, conta.

Hoje, Tuca se dedica quase que exclusivamente ao negócio de carregadores de bebê, a Petlik Sling. “Minha renda atual se equipara ao que eu ganhava no escritório de paisagismo e corresponde a 40% do rendimento da família. Além disso, tenho tempo para ficar com a minha filha, flexibilidade de horários e a cobrança no trabalho é exclusivamente minha. E sinto um prazer enorme em fazer produtos que ajudam no dia a dia da família, que incluam o bebê, que ajude pais e filhos a estarem juntos com conforto e segurança”, finaliza Tuca, que não consegue ver nenhum ponto negativo em sua decisão.

(Fotos: Getty Images)