Carreira

De volta à vida profissional

A (muitas vezes) difícil decisão de retornar ao trabalho depois da licença-maternidade

De volta à vida profissional

Depois do recesso para cuidar do filho, não há como negar que o desejo de toda mãe é continuar agarradinha a ele.

Mesmo assim, seja por necessidade ou por vontade, muitas voltam a trabalhar fora normalmente, retomando sua carreira.

Inspire-se em algumas histórias. A gente sabe que não é fácil, mas é possível - e pode ser bem bom, tanto para mãe como para os filhos.

Um mundo novo

“Saí de licença-maternidade ainda com 8 meses de gravidez e fiquei parada por 5 meses, já que somei com 1 de férias. Ou seja, quando meu filho estava com 4 meses, eu tive que voltar a trabalhar. Eu o deixei no berçário da escolinha com uma imensa dor no coração. Mas, no fim, ele amou e fiquei mais tranquila. Mesmo assim, eu ficava com a cabeça o tempo todo nele. E, apesar disso, não tive dúvidas da minha escolha. O tempo que ficamos juntos em casa é muito intenso. Tudo novo, correria, cólicas, choros etc. A nossa cabeça fica confusa e voltar a trabalhar dá uma mesclada nas sensações. Pra mim, é como participar do mundo de novo! Hoje, meu filho continua adorando as tias da escola e eu sigo conciliando casa, marido e filho. Ah, e cuidando de mim de vez em quando, claro.”Arlete Ferreira, 34 anos, analista financeira e mãe de João, 7 meses (foto acima).

Amo o que faço

“Fiquei afastada por 5 meses de um emprego e por 6 meses de outro. Não tive a menor dúvida em voltar a trabalhar por três motivos: amo ser professora (os alunos me perguntavam quase que semanalmente sobre o meu retorno); preciso trabalhar também por necessidade financeira; e, principalmente, porque meu filho pôde ficar com a minha mãe, o que me deu uma tranquilidade ímpar. E fiz a escolha certa! Minha mãe cuidou e ainda cuida dos netos – minha irmã também tem um filho – com muito zelo. Eu não podia parar com minha vida profissional. Temos que agregar e não que escolher!”Renata Carnavarolo, 37 anos, professora e mãe do Rodrigo, 5 anos.

Independência x parceria

“Voltei a trabalhar quando minha filha estava com 4 meses. O motivo principal foi independência financeira. Não consigo depender do meu marido. Gosto de ter liberdade para fazer o que eu quero e, sem trabalhar, ficaria difícil. Além do mais, temos três filhos e só com ele trabalhando fica muito pesado, já que temos muitos gastos. Na época, pensei em não voltar mais. Mas hoje não me arrependo. Assim, posso dar uma educação melhor a eles. Já passei por isso três vezes e três vezes voltei ao trabalho.”Aline Deodato, 28 anos, supervisora e mãe de Nicolly, 7 anos, Nicolas, 3 anos, e Mirella, 6 meses.

Parte da vida

“Fiquei 6 meses de licença-maternidade e, depois, tirei 2 meses de férias. Eu nunca pensei em deixar meu trabalho. Adoro o que eu faço e, assim como a maternidade, ele também faz parte da minha vida. Nunca tive dúvidas em retornar, apesar de ser um momento delicado de adaptações. E não me arrependi em momento algum. Sou muito resolvida quanto a isso.” Paula Husek Serrão, 33 anos, procuradora e mãe do Henrique, 2 anos.

Mudança de rumo

“Trabalhava como assessora de eventos corporativos e, quando minha filha nasceu, não sabia mais como fazer para continuar a profissão. Eu quase não tinha vida, não tinha ninguém para ficar com ela e não queria colocá-la em uma escolinha com apenas 4 meses. Na época, meu marido ficou desempregado e não tive mais escolha: precisava trabalhar com urgência. Fiquei 4 meses de licença, mas já voltei a trabalhar de casa quando ela tinha apenas 2 meses. Fiquei louca! Trabalho, casa, mãe de primeira viagem, sozinha, bebê chorando, cólica, planilhas e mais planilhas, marido procurando emprego, prazos... Quando meu tempo em casa acabou, decidi mudar tudo e desisti do trabalho e da vida de eventos. Abri uma empresa de terceirização de serviços com o meu irmão e levei minha filha para trabalhar comigo. Montei um espaço para ela em um escritório e as meninas que trabalhavam comigo também me ajudavam. Não me arrependi em voltar a trabalhar porque consegui dar um jeito de poder ficar com a minha filha.” Liliane Cortez, 33 anos, empresária e mãe da Lorena, 2 anos.

Adaptação necessária

“Trabalho como assessora técnica, cargo que envolve muitas viagens. Em fevereiro de 2014, descobri que estava grávida. Onde trabalho, a licença-maternidade é de apenas 4 meses. A esses meses, juntei férias e consegui ficar 5 meses com meu filho, amamentando exclusivamente e em livre demanda. Quando esse tempo acabou, tive que voltar a trabalhar. Minha vontade era ficar em casa. Se eu tivesse condições, teria ficado até ele completar 1 ano. Mas não era uma opção. Mesmo assim, não me arrependo de ter voltado para o trabalho. O processo foi bem difícil, ainda mais quando retomei as viagens, mas era o certo a fazer no momento. Era o melhor para mim e para minha família. Mesmo trabalhando em período integral, mantive a amamentação exclusiva e em livre demanda até Chico completar 6 meses. Hoje, ele continua mamando muito bem e eu continuo trabalhando.”Camila Castellan Apocalipse, 27 anos, assessora técnica e mãe do Chico, 9 meses.

Ajuda do marido

“Fiquei de licença-maternidade por 6 meses. Na época, tive dúvidas se voltava a trabalhar fora ou não. Mas o que me motivou a voltar é que eu não ia precisar colocar meu filho na escolinha, já que conseguia intercalar a minha rotina com a do meu marido e com a da minha mãe para cuidar dele. Mas acho que, se não tivesse outra solução, talvez eu teria voltado ao trabalho de qualquer maneira. Não largaria meu emprego. Hoje, meu esposo consegue ficar o dia todo com meu filho”. Sill Cintra, 34 anos, dentista, mãe do João Miguel, 1 ano e 9 meses, na foto com o marido Alexandre Bastos.

(Fotos: Arquivos pessoais)