Carreira

Diga-me o que postas...

O que você exibe nas redes sociais pode contar (ou tirar) pontos do seu currículo

Diga-me o que postas...

É fato: em questão de pouquíssimos anos, a internet já chegou tão longe que, se buscarmos a linha que separa o on-line do off-line, vamos nos dar conta que esse limite praticamente não existe mais. 

Acontece que essa falta de limite entre mundo real e digital acaba afetando a nossa capacidade de avaliar aquilo que a gente posta nas redes sociais, principalmente nas relações de trabalho.

Na maioria das vezes esse impacto não é positivo, tanto para quem está procurando emprego quanto para quem está empregado.

A verdade é que as empresas estão há um bom tempo de olho no que você posta na internet e, por incrível que pareça, já desenvolvem políticas internas voltadas para o comportamento de seus funcionários e candidatos nesse ambiente.

É o que explica Fabio Cipriani, consultor de estratégias em redes sociais e pesquisador do comportamento corporativo. “Na internet, o profissional e o pessoal estão cada vez mais misturados, mas, ao mesmo tempo, as empresas continuam sendo empresas e avaliam o colaborador ou candidato do ponto de vista profissional, sempre”, diz.

Como ele lembra, todo mundo conhece o caso de alguém que já foi demitido por causa de algo que postou na rede social e pondera que essa "onda" de demissões foi importante para se aprender que a vida no mundo digital requer muita sensatez e pelo menos um conhecimento básico de alguns recursos de privacidade que redes como o próprio Facebook oferecem.

Por isso, é fundamental exercitar o bom senso e pensar bem antes de adicionar chefe e colegas de trabalho ou, se já adicionou, saber “esconder” postagens que possam pegar mal para você, mesmo que o relacionamento no trabalho seja do tipo “amigos para sempre”.

Esse bom senso, aliás, conta muitos, muitos pontos no currículo de quem está buscando uma vaga, pois as empresas observam (bastante) os perfis dos candidatos.

Mas o que é conteúdo que pega mal? 

“Não existe conteúdo errado; existe a preocupação com o que você quer transmitir ao mundo. É preciso se comportar com coerência ao perfil de cada rede e à sua própria personalidade”, diz a diretora de conteúdo da Agência Pulso, Gabriela Borges.

“Se a pessoa posta coisas muito pessoais que não quer compartilhar com os colegas de trabalho, o ideal é manter as contas fechadas e avaliar muito bem antes de adicionar alguém. Já no LinkedIn, também é preciso manter o bom senso e lembrar que esta é uma rede social de trabalho, ou seja, manter o comportamento e estilo de postagem no nível profissional”, recomenda.

A gerente comercial Andrea Menezes Souza, que já viu muita postagem “dar o que falar” entre os colegas, é um exemplo de quem se adaptou seguindo a cartilha da sensatez.

“Só adiciono pessoas do trabalho que sejam de alguma forma estratégica para o relacionamento interpessoal”, afirma.

Mesmo aqueles que ela havia adicionado bastante tempo atrás para ajudar na divulgação dos produtos que vende, Andrea deu um jeitinho de convidá-las a curtir uma fanpage oficial e excluir o acesso do Facebook.

“No meu Face, criei lista de restritos também. Em todo caso, prefiro resguardar minha intimidade”, revela.

(Foto: Getty Images)