Carreira

Os prós e contras de um relacionamento no trabalho

Pensando em se envolver com alguém da mesma empresa que você? Veja o que deve esperar dessa situação

Os prós e contras de um relacionamento no trabalho

No ritmo corrido da vida atual, tem sido cada vez mais comum se envolver com pessoas no mesmo ambiente de trabalho. Afinal, entre as tarefas de casa, a academia e os estudos, o ambiente corporativo é onde passamos a maior parte das horas dos nossos dias úteis.

Apesar da "praticidade" que um relacionamento amoroso no escritório traz ao dia a dia, essa dinâmica também pode ocasionar algumas situações desconfortáveis.

Antes de mais nada, a master coach de carreira Alda Marmo aconselha que os envolvidos procurem saber quais as regras da empresa sobre relacionamentos afetivos entre profissionais, principalmente quando eles ocupam o mesmo setor e estão em cargos hierárquicos diferentes.

“Misturar papéis e relações demanda muita habilidade de quem estiver envolvido. Saber onde começa e termina uma relação não é fácil, mas é possível que tudo dê certo. Relações humanas são sempre desafiadoras em qualquer ambiente”, diz a especialista.

Já que a situação não é 100% garantia de bem-estar, listamos abaixo os prós e contras para ajudar você a ponderar sobre o assunto.

Os prós

1. Praticidade

Alda Marmo observa que, atualmente, é difícil separar a vida pessoal da profissional. “Não há mais o espaço só do trabalho. As atividades profissionais entram na nossa vida através das redes sociais, dos e-mails, mensagens via celular e até dos tais encontros pós-trabalho, o famoso happy hour. Nada mais normal do que se envolver com alguém do ambiente corporativo, uma vez que as pessoas passam muito tempo trabalhando e convivendo com colegas”, explica. 

Em tempos de agendas apertadas, os compromissos corporativos podem ser compartilhados entre o casal, fazendo de algumas obrigações, como congressos e viagens, mais agradáveis. 

2. Companheirismo

Dentro dessa dinâmica, há casais que conseguem encontrar diversos benefícios em compartilhar o mesmo ambiente de trabalho. “Dependendo do cargo que ocupam, podem se tornar parceiros e um completar ainda mais o outro. Podem passar a se conhecer ainda mais e ganharem admiração e respeito mútuo”, diz a especialista em carreira.

Alda afirma que dividir o ambiente de trabalho exige do casal maturidade e respeito, podendo ser um ponto de crescimento para ambos, mas é preciso aprender a fazer dar certo, principalmente se um dos dois tiver “poder” sobre o outro.

Para a engenheira Ana Paula Kobata Chinen, que trabalha em uma multinacional japonesa, a mistura deu muito certo.

“Depois de 6 meses juntos, eu e o Vicente resolvemos consultar o RH para ver se era proibido relacionamento entre colaboradores e descobrimos que havia restrição apenas para os casos de relacionamento entre chefe e subordinado, o que não era nosso caso. Foi então que decidimos contar ao nosso chefe sobre o relacionamento. Depois da aprovação dele, falamos aos colegas também”, lembra-se.

Ela faz questão de frisar que, apesar do relacionamento, o comportamento no trabalho é bem profissional e não atrapalha em nada.

“Pelo contrário, um ajuda ao outro, dando suporte, sugestões e compartilhando conhecimento. Todos os dias vamos juntos ao trabalho, economizamos bastante gasolina! Paguei a língua, pois sempre disse que era impossível conviver tanto tempo com alguém e agora vivo essa situação e adoro”, conta Ana Paula, de casamento marcado para o primeiro semestre do ano que vem.

Os contras

1. Fofocas

Quando famosos se envolvem amorosamente, tudo vira notícia: início de relacionamento, conflitos, celebrações e términos. “O mesmo acontece em ambientes corporativos”, diz Alda.

master coach aconselha que, no caso de término, haja uma conversa madura entre os ex-parceiros. “Provavelmente, no início, seja melhor um deles sair de férias para dar um pouco de espaço”, afirma.

A profissional de relações públicas Lucila Longo sofreu com o falatório depois de terminar o relacionamento com o colega de profissão em uma multinacional alemã.

“Enquanto trabalhávamos sob o mesmo teto, ninguém se importava muito. Foi só a gente terminar para todo mundo perguntar por ele, perguntar se a gente pensava em voltar, porque havíamos terminado... Era insuportável. Foi assim todos os dias, até que não aguentei e pedi demissão. Fui para outra empresa, longe de todos os amigos em comum, e parei de frequentar os eventos. Mas, até hoje, alguns me perguntam dele. Terrível!”, conta Lucila.

2. Overdose de convivência

É uma delícia ficar perto da pessoa que a gente ama, não é mesmo? Principalmente, quando estamos no início de relacionamento. Alda alerta, porém, que é preciso tomar cuidado para que não haja excessos.

“Até em relações amorosas é necessário equilíbrio. Ficar junto é bom, mas é preciso ter o seu próprio tempo, manter seus outros relacionamentos de amizade é importante e necessário para um relacionamento saudável”, diz ela.

Alda Marmo também atenta para que essa convivência em excesso não atrapalhe o desempenho no mundo corporativo. “Muitos casais começam a excluir os colegas de suas relações, almoçando sozinhos, não participando mais dos eventos, além de sentimentos de ciúmes que podem acontecer, muitas vezes atrapalhando o desempenho de um dos parceiros. Cuidado!”, alerta.

“Quando está tudo bem no relacionamento, ótimo. Mas e se o relacionamento acaba? Muitas vezes fica difícil até de se manter no mesmo ambiente de trabalho, junto do ex-parceiro”, pondera. Por isso, melhor ter certeza antes de assumir uma relação.

(Foto: Getty Images)