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Minhas metas de Ano Novo são todas para meus filhos

O que você deseja para seus filhos em 2017?

Minhas metas de Ano Novo são todas para meus filhos

A essa altura, já virou um clichê, sério. As metas para o ano que vai começar são apenas pequenas mentiras que contamos para nós mesmos para nos sentirmos melhor. Elas ficam bonitas e fazem sentido no papel.

- Vou voltar para a academia.

- Vou parar de fumar (de novo).

- Vou fazer a dieta de zero carboidrato até maio.

- Vou acordar todo dia e ler 10 páginas de um livro clássico logo de cara, depois vou sair debaixo das cobertas e fazer 20 minutos de ioga, e tudo isso antes de eu me atrever a mergulhar no café e comer três bisnaguinhas que juro que compro só por causa das crianças.

O que estou tentando dizer é: por que não mudamos o foco um pouco?

Em vez de traçar objetivos para mim esse ano, nos quais provavelmente eu vou falhar, minhas resoluções de Ano Novo serão pensando em meus filhos.

Na verdade, quero fazer três coisas que já tenho praticado há algum tempo. Apenas quero garantir que vou continuar fazendo.  Quero ter certeza de que não vou ficar preguiçoso ou me perder ou me esquecer quando se trata de coisas que importam no meu mundinho: meus filhos. Acho que esse é o tipo de meta que pode ajudar você que é mãe ou pai, muito mais que entrar novamente naquele jeans que vestia na época da faculdade.

De qualquer forma, me dê cinco minutos, combinado? Olhe só, se você já faz essas coisas, continue fazendo. Se não, espero estar te dando a oportunidade de ter um ano muito gratificante.

1. Ver a vida de diferentes ângulos

Como um pai de três crianças: de 10 meses, 5 e 3 anos, e, de vez em quando, um marido passando por um divórcio, a arte extremamente simples de olhar constantemente para a minha própria vida de múltiplos ângulos e vantagens, tem sido salvadora nesse último ano.

Frequentemente, tendemos a ficar muito confortáveis vendo nossos dias passarem apenas por uma ótica. Tentar olhar as coisas de uma perspectiva diferente pode ajudar imensamente.

Eu faço isso. Por mim e pelos meus filhos. Mesmo no calor do momento, quando meu filho Henry está fazendo uma birra épica no chão da cozinha, enquanto sua irmã está me pedindo leite com chocolate e seu irmãozinho está cuspindo tudo que estava na sua boca, eu tento parar e ver como estou perdendo a sanidade. Vá por mim, nem sempre funciona. Há momentos em que perco a cabeça, grito, entro em pânico e me imagino me atirando pela janela oou correndo pela estrada até chegar à floresta.

Mas, quando funciona, o que tem sido mais e mais frequente, e consigo me afastar da situação e me ver como um personagem de um filme, de repente sou capaz de me direcionar para o melhor final que a cena poderia ter! Ou, se precisar, consigo me ver de fora da situação e me concentrar na criança que mais precisa de mim. E, fazendo isso, mantenho a calma, fico zen o suficiente para passar para os próximos 15 minutos e ajudar o próximo filho que mais precisa de mim naquele momento.

Então sim, vou continuar fazendo isso no próximo ano. Eu preciso! Sou um pai e isso faz sentido.

2. Hora da TV

Nos últimos meses, como montei minha própria casa de pai solteiro e lutei para estruturar e manter a rotina necessária para manter as crianças seguras e felizes, me perdi MUITO. Sinto que me tornei esse demônio da Tasmânia da hiperatividade, que dificilmente para e se senta no sofá com os filhos e vê um pouco de desenho com eles.

Mas, há algumas semanas, dei um basta. Certas coisas, certas tarefas e tudo, podiam esperar. Tinha que fazer isso. Precisava ficar com eles, nem que só por 20 minutos por dia, em uma posição em que eles pudessem me escalar e ficar em pé na minha cabeça, olhar para mim enquanto cutucam minha cara com suas fantasias de Hulk e seus bichinhos de pelúcia. Precisamos uns dos outros para estarmos uns com os outros, se é que isso faz algum sentido. Então agora, me dedico 100% a isso. Largo a louça na pia, mesmo quando queria lavá-la, e me jogo no sofá, onde eles pulam em volta de mim se ainda estão no pique, ou se aconchegam se ficam cansados, e eu apenas relaxo com eles por um tempo.

E, cara, isso é tudo para mim. E para eles também, eu sei disso. Vou continuar fazendo isso no ano que vem. E vou continuar fazendo isso até ter três adolescentes me vendo fazer isso e saindo de fininho para seus quartos.

3. Falar sobre amor

Perdi o amor esse ano. Perdi meu casamento para o divórcio. E veja, não importa o que digam sobre isso, não importa o quanto você queria ou não queria que seu relacionamento acabasse, ainda dói quando uma fonte potencial tão gigantesca de amor em sua vida de repente desaparece. Existe um vazio do tamanho de cinquenta galáxias que se instala em seus ossos. Onde uma vez havia o amor, florescendo e prosperando, há apenas esse deserto, ventos de um lamento.

Foi quando meus filhos me salvaram, eu acho. Mesmo sem saber ou sequer tentar, nossos filhos são nossos salvadores nesse mundo, apenas por estarem lá para nós. Curam nossos corações partidos apenas com um olhar, sem nem perceber os superpoderes que possuem.

Então, comecei a entender que preciso falar para meus filhos o quanto eles significam para mim. Nada exagerado, de um jeito que cause traumas e os torne imune a elogios. Apenas procuro dizer diariamente que os amo um tanto maior que um tiranossauro Rex, ou que o maior prédio do mundo, ou que o peso de 50 elefantes em cima da cabecinha deles.

Se você não fala isso com a frequência que poderia, bem, posso dizer que ficaria surpreso com o quanto isso te faria feliz falar para uma criança que você a ama diariamente. Você vai se surpreender em como pode lubrificar suas engrenagens.

Estou tão contente por ter começado a fazer isso. Finalmente me sinto pleno em deixá-los participarem da minha vida. Também estou realizado por este ano começar como uma maré inevitável de loucuras e mistérios, e eu já saber de alguns meios para lidar com as rasteiras que a vida pode me dar.

Feliz Ano Novo para você e sua família!

(Imagem: Thinkstock)

(Por Serge Bielanko)