Comportamento

Contato pele a pele pode deixar crianças mais inteligentes e saudáveis, segundo estudo

Tem coisa mais gostosa que ter seu filho nos braços?

Contato pele a pele pode deixar crianças mais inteligentes e saudáveis, segundo estudo

A maioria dos pais não quer nada além de fazer carinho em seus recém-nascidos. Bebêzinhos têm a pele mais macia, o melhor cheiro no cabelo, e tudo que querem fazer é deitar em você e respirar com seus hálitos delicados (bem longe dos anos de criança em que tudo que fazem é pular sobre você!). É divino, com certeza, e se meu filho pudesse ficar pequeno assim para sempre, minhas chances de ter mais 50 bebês seriam muito maiores.

Mas sabia que há benefícios reais de dar colo ao seu bebê, especialmente pele a pele?

Muitas pesquisas provaram as vantagens de segurar seu bebê nu (bem, quase nu – não se esqueça da fralda!) em contato com sua pele. Fazer isso, principalmente nas primeiras horas após o nascimento, aumenta a probabilidade de sucesso da amamentação, e até mesmo para reduzir a dor.

Mas agora, sabemos ainda mais: um novo estudo, publicado no Pediatrics, mostrou que o contato pele a pele traz benefícios em longo prazo, especialmente quando se trata de saúde e inteligência.

O estudo foi uma continuação de uma pesquisa realizada há 20 anos, em que os pesquisadores olharam para os efeitos positivos que o pele a pele (muitas vezes chamado Kangaroo Mother Care) teve sobre prematuros. Esse novo estudo descobriu que prematuros e bebês de baixo peso apresentaram melhor neurodesenvolvimento, maiores taxas de aleitamento materno e até melhora da ligação mãe-bebê.

Os pesquisadores acompanharam 716 participantes Kangaroo Mother Care (KMC) e os compararam a um grupo de pessoas que não receberam o cuidado. No final, os adultos que receberam KMC quando recém-nascidos tinham maior QI do que aqueles que não.

Os bebês KMC também tinham áreas significativamente maiores de matéria cerebral cinzenta e maturação aumentada no córtex cerebral. Socialmente, essas crianças apresentaram hiperatividade e agressividade reduzidas, menos faltas na escola e, ainda, salários maiores quando adultos.

Claro, nem todos os bebês têm a oportunidade de ter a experiência pele a pele com seus pais, especialmente naquelas primeiras horas depois do nascimento. Mas isso não significa necessariamente que seu filho vai ser menos brilhante, feliz e inteligente.

Como qualquer estudo, é importante olhar os resultados com ressalvas. Lembre-se que foram avaliados apenas bebês prematuros, então pode não fazer sentido comparar seu próprio bebê com aqueles da pesquisa. Também é difícil medir os efeitos de uma prática de cuidados infantis e como isso pode afetar uma criança em longo prazo, especialmente quando acontece tanta coisa na vida, além das primeiras horas ou meses.

Em uma análise do estudo, também publicada pela Pediatrics, Lydia Furman apontou algumas dessas discrepâncias.

“É difícil quantificar e qualificar as intervenções associadas aos pais e ao parto, porque todos os pais são diferentes”, escreveu Furman. “20 anos se passaram e ‘a vida aconteceu’, então inúmeras contribuições ocorreram na vida de cada indivíduo”.

Independentemente das muitas nuances da pesquisa, acho que a maioria dos pais concorda que ter seu filho nos braços é apenas uma coisa que nos faz sentir bem; algo que deveríamos fazer sempre que possível – e não apenas com prematuros na UTI. Assim como o estudo apontou: “acreditamos firmemente que é uma intervenção poderosa, eficiente, provada cientificamente que pode ser usada em todos os contextos”.

Baseada em minha própria experiência, e conversando com outras mães através dos anos, certamente parece que alguns hospitais facilitam mais que outros o contato pele a pele ininterrupto com recém-nascidos. Seria incrível se todos os hospitais tornassem isso uma opção viável para mães e bebês – e talvez, estudos como esse, darão o argumento para impulsionar o cuidado pele a pele, que é tão necessário.

(Imagem: Thinkstock)

(Por Wendy Wisner)