Comportamento

Economia colaborativa: perdendo o constrangimento com as vendas e trocas de usados

Por Samantha Shiraishi
@maecomfilhos

Sempre tem gente que pensa que vender é feio e que digno é doar. Mas muita gente super digna não aceita doações e poderia se beneficiar com uma compra justa

Economia colaborativa: perdendo o constrangimento com as vendas e trocas de usados

Venda de usados me lembra, inevitavelmente, Toy Story e o Xerife Woody se arriscando para salvar o pinguin Izzy, grande cantor do Quarto do Andy.

Se ser deixado à venda numa pechincha é uma depressão para os brinquedos, na vida real pode ser o jeito de dar nova vida aos objetos sem uso e fazer outras pessoas felizes com o que anda esquecido ou jogado no canto na casa da gente.

Por aqui, sempre doamos o que não precisávamos mais. Já nem sei mais quando aprendi com minha mãe e creio que meus filhos também internalizaram esse conceito antes de terem idade para registrar quando e como foi.

O armário ou a estante ficou pequena? É hora de rever o que não estamos usando muito porque ficou pequeno, está muito desgastado ou perdeu a utilidade.

Foi assim com roupas de karatê quando os meninos mudaram para o kung fu. Mandamos unifomes novinhos para um projeto social. Com o mesmo desprendimento já doei uma máquina de lavar roupas com apenas 2 anos de uso porque ganhei uma nova de uma marca que queria divulgar o sistema de economia de água.

Mas foi ao mudar para meu novo apartamento (o que comentei no post anterior) que descobri que nem tudo dá para doar.

Tínhamos muitos móveis de cozinha e, mesmo novinhos, ninguém queria porque eram grandes. Resolvemos colocar à venda num site conhecido e, surpresa, em poucas horas tinha muita gente interessada.

O casal que comprou estava mudando de apartamento para a chegada do segundo filho e ficou feliz por poder mudar com a cozinha bem organizada a um preço honesto.

O objeto seguinte foi o carrinho com bebê conforto, que ficou obsoleto quando Manu mudou de cadeira de carro e começamos a viajar muito com ela.

Novamente o casal que comprou foi embora feliz com a aquisição, pois não teria condições de comprar um conjunto de uma marca tão boa se não fosse usado.

Foi assim que mudamos de opinião sobre as vendas de usados.

Por muito tempo a gente dava/doava o que não queria mais, mas descobrimos que, quando vendemos com um preço legal os objetos em bom estado (e aqui é assim, pois eu mudo a casa toda hora!), as pessoas ficam contentes por comprar e a gente amortiza os custos. É uma corrente do bem!

E como disse minha comadre Simone: “A gente não tem árvore de dinheiro”.

Para quem curte essa economia colaborativa, uma outra dica são os grupos de desapego. Gosto muito do movimento Free Your Stuff, que incentiva a doação de objetos, ideias e experiências, promovendo a redução, reutilização de itens do dia a dia, de forma prática.

As Free Your Stuff são comunidades autônomas pelo mundo e hoje já existem hoje grupos em Paris, Lu, Trier, Mainz, Copenhagen, Kaiserslautern, Berlin, Budapest, Malmö, Stuttgart (basta adicionar “Free Your Stuff + o nome da cidade para encontrar algum).

Leia também: Feira de trocas de brinquedos: consumo consciente ou exagero?

(Fotos: Acervo Disney e Divulgação)