Comportamento

Famílias que mudaram de rumo e encontraram a felicidade!

É preciso coragem para percorrer novos caminhos. Na trajetória, muita coisa fica para trás, mas quem passa por essa experiência não se arrepende

Famílias que mudaram de rumo e encontraram a felicidade!

Um belo dia você acorda e percebe que aquelas roupas já não te servem mais e aqueles sapatos não querem mais percorrer os caminhos conhecidos. Então você se pergunta: e agora?

A resposta, geralmente, está dentro de quem faz a pergunta – você mesma! –, mas encontrá-la depende de muita força de vontade e certa ousadia.

Por muitas vezes, seguimos uma vida e investimos em uma carreira que não nos faz mais felizes, que não preenche mais nossos vazios ou que não condiz mais com a atual situação de vida, com os novos valores, com as novas perspectivas.

Apesar disso, seguimos adiante porque temos medo do incerto, do que os outros irão dizer e porque nem sempre é fácil começar algo novo, do zero.

Aqui, você vai acompanhar a história três mulheres que decidiram fazer mudanças radicais em suas vidas. Inspire-se!

Do cinema para a maternidade

Janie Paula, 31 anos, era assistente de direção em cinema e publicidade. Hoje, é doula, a mulher que dá suporte físico e emocional à gestante em trabalho de parto. 

“Com a gravidez 12 anos depois do primeiro filho, vi que não queria passar o dia todo longe dos dois, educar por telefone e sentia que algo no que eu fazia me desgastava. Então, resolvi descobrir o que faria sentido dentro das minhas novas necessidades e que também me faria feliz. Uma busca nada fácil e muito intensa, que faria mil vezes novamente se fosse preciso”, diz.

O primeiro passo para que a mudança acontecesse foi “querer de fato”. “Eu não voltaria para mesma área depois da licença e pedi apoio ao marido”, lembra-se. Depois, fez coaching, retomou a terapia - “Isso foi fundamental!”, acredita – e deu espaço para paixão que já envolvia a maternidade.

Foi difícil acreditar que queria mesmo trabalhar com o que lhe dava prazer em viver e aprender. “A mudança de valores foi decisiva: passar tempo perto dos filhos e do marido. Antes, o importante era pagar conta - o que ainda é -, mas se tornou pagar conta sem abrir mão deles”, argumenta.

Durante esse processo, sentiu um vazio imenso. Sua profissão era muito do que sabia sobre ela mesma. Teve (e ainda está tendo) que se conhecer novamente. Acreditar que dava para começar de novo. A decisão foi tomada aos poucos.

“Primeiro escolhemos que eu não trabalharia por um ano, contei com a ajuda dos sogros, empréstimo e fui buscando saber para onde iria”, comenta. O Buxixo de Mães (grupo materno que fundou) lhe mostrou que queria se manter na transformação por meio da maternidade.

“Quando pude acompanhar minha doula em um parto domiciliar, para ver se eu ia gostar, percebi que, para apoiar mulheres naquele momento, valeria – e muito! – estar longe da família”, avalia.

Embora a mudança tenha gerado muitas inseguranças, Janie afirma que é feliz hoje, pois sabe que a família se orgulha do seu trabalho. “Sem o apoio deles seria impossível”, frisa.

Toda essa transformação começou em 2013. Ela e a família ainda estão aprendendo a lidar com a nova “não rotina” que os partos trazem, com a escolha de a pequena ainda não ir para escola (ela tem 2 anos e 4 meses), com suas emoções e as de todos os outros.

“Hoje, o que mudou é que tenho certeza de que me conhecer e respeitar foi a melhor escolha que fiz na vida. No começo eu achava que podia acordar a qualquer momento e dizer ‘eu pirei?’, mas a cada dia que passa vejo meus valores mais claros e me entrego mais e mais à nova profissão”, garante Janie.

Novos ares, novas perspectivas

Maria Amélia Aderaldo, 34 anos, é psicóloga clínica há mais de 10 anos. Iniciar a carreira foi um processo árduo, como toda profissão, mas ela garante que alcançou um momento de grande satisfação no seu ofício.

Tinha clínica própria em um bairro bacana de São Paulo, atendia a seus pacientes e gerenciava o espaço, pois também sublocava salas para outros profissionais de saúde.

“Tudo estava em ordem e funcionando em perfeita harmonia. Porém, eu e meu marido sempre tivemos a sensação de trabalhar muito e não exatamente conseguir realizar nossos sonhos, como o de ter nossa própria casa e, com isso, uma certa estabilidade”, exemplifica.

Foi quando perceberam que tinham um custo de vida “estratosférico” em São Paulo, somando aluguel, escola, aluguel do ponto comercial, entre outros, e isso criava um abismo entre o real e o sonho.

“Nesse instante, resolvemos olhar para fora e começamos a considerar a viabilidade de trabalho e qualidade de vida fora da capital. E mudou tudo!”, assegura.

Compraram uma casa em Atibaia, interior de São Paulo, para onde mudaram recentemente. Ainda estão se acostumando com as diferenças do dia a dia: o espaço, o clima, o ritmo, a rotina ainda sem rotina. “De agora em diante, meu consultório será em casa, na parte dos fundos, o que muda muito a formatação que tinha de trabalho”, comenta.

Maria Amélia ainda não tem paciente na cidade e, até isso se estruturar, levará uma “vida dupla”, indo para São Paulo duas vezes na semana. “Sei que não será fácil, mudar é sempre um desafio, mas a proposta é fantástica e, quando essa realização é o objetivo maior, fazemos as coisas darem certo. Vale a pena!”, afirma.

Para ela, esse era o momento do risco e o casal se jogou nele. “Estamos um pouquinho arranhados, mas nada que o tempo e o desejo não curem. Força e fé sempre. É o propósito que faz o enfrentamento ter sentido”, finaliza.

A cozinha como nova direção

Fernanda Yokoyama de Carvalho, 37 anos, era bióloga e cuidava de projetos socioambientais no Maranhão, numa ONG que ajudava a desenvolver projetos de geração de renda em comunidades carentes, com foco nas mulheres. Morando no interior de Lençóis Maranhenses. Entre 2000 e 2007, deu aulas para complementar a renda, quando decidiu voltar para São Paulo.

Nessa época, ela e o marido tinham dois filhos e, poucos meses depois de instalados na capital, engravidou da terceira filha. Quando a pequena estava com seis meses, Fernanda se viu grávida do quarto filho.

“A cozinha sempre esteve presente na minha vida, mas nunca pensei nela como profissão. Com quatro filhos, contas para pagar, vontade de voltar a trabalhar, mas ao mesmo tempo continuar cuidando da rotina e estar perto das crianças, comecei a pensar nisso como uma possível profissão”, comenta.

Começou ensinando empregadas domésticas a cozinharem. Depois, passou a vender comida para clientes das aulas e daí surgiu a ideia de vender comidas congeladas.

“Seria perfeito: cozinhar – que é o que eu amo fazer – e poder trabalhar da minha casa!”, lembra-se. Assim nasceu a Cozinha da Flor, que no fim de 2015 vai fazer quatro anos.

Enquanto ficava fora para as aulas de culinária, contava com uma ajudante para cuidar dos pequenos. Com as encomendas, como eram feitas em casa, era mais fácil.

“Atendia as demandas das crianças e me organizava no tempo restante. Trabalhar em casa é prazeroso, mas muito cansativo também. O que levaria quatro horas para fazer fora de casa e sem filhos acaba levando, às vezes, o dobro de tempo. Além disso, também tive que adaptar minha cozinha para produzir comida e vender”, relata.

Nessa época, o marido passava o dia fora, trabalhando, e Fernanda não queria mais aquilo para sua família. “Não queria ver meu marido fazendo algo só por dinheiro, para sustentar a casa. Trabalho, para mim, é mais do que um salário no final do mês: tem que dar satisfação, tem que mover paixão, senão, definitivamente, não faz sentido”, defende.

Ela e o parceiro planejaram mais uma mudança de rumo, priorizando o bem-estar da família e o prazer em fazer algo que gostavam e acreditavam, que é cozinhar e cuidar da alimentação e da saúde das pessoas.

“São Paulo não era a cidade que queríamos morar e muito menos o estilo de vida que queríamos para nós e nossos filhos. Planejar também foi muito importante: para onde vamos, quando vai largar o emprego, como vamos alavancar as vendas das comidas, como divulgar... E as crianças?”, revela.

Mudaram novamente de cidade e foram para o interior: Santo Antonio do Pinhal, na Serra da Mantiqueira, a cerca de 180 km da capital. Continuaram entregando as comidinhas em São Paulo, só que preferiram morar num lugar pequeno e tranquilo.

A cozinha fica no silêncio, no alto da montanha, numa cidade de 7 mil habitantes. Ali, a empresa se estabeleceu de fato. No começo, as contas também não batiam. Muitas vezes não sobrava e era desesperador.

"Nossa família ajudou muito e os amigos também. Divulgavam as comidas, compravam, deram uma força mesmo. O ganho de qualidade de vida foi incrível, mas precisávamos acertar o financeiro", diz. A família foi fundamental nesse ponto também, inclusive ajudando-os a terem mais equipamentos e melhorarem o estoque.

Hoje, são quatro pessoas ajudando na cozinha, o triplo do número de clientes do primeiro ano e o negócio sempre crescendo e aumentando. “Começamos a oferecer comidinhas naturais para festas e agora iniciamos a produção de cervejas artesanais. Não paramos nunca de criar!”, comenta.

 (Foto: Getty Images)