Comportamento

Guia da mulher independente

Sim, algumas atitudes e certos hábitos tornam você uma mulher mais poderosa. Saiba quais são eles

Guia da mulher independente

“A coisa mais triste que uma mulher pode fazer é rebaixar seu potencial por um homem”. A frase é de Emma Watson, atriz e embaixadora da UN Women, a agência da Organização das Nações Unidas que promove a igualdade entre gêneros, mas revela um dilema vivido por muitas mulheres ainda hoje.

Recentemente, outras celebridades, como Beyoncé, Meryl Streep e Pitty, também aproveitaram os holofotes da fama para colocar a boca no trambone em favor de um bem maior: o empoderamento da mulher.

Mesmo diante de todos os percalços para conquistar a independência em um mundo predominantemente masculino, cada vez mais mulheres têm se transformado em verdadeiras inspirações ao buscar a autonomia feminina.

Basta repensar hábitos enraizados, seguir práticas corajosas e dizer “olá” para a mulher forte e independente que há em todas nós! Veja quais atitudes e pensamentos te deixam ainda mais poderosa.

Por onde começar

“O primeiro passo para ser uma mulher independente é ter independência financeira”, afirma Sandra Leal Calais, doutora em psicologia e docente da Unesp Bauru.

Claro que o seu parceiro pode te ajudar financeiramente em tempos de crise, assim como você deveria fazer, caso ele precisasse, mas desde que seja algo temporário.

“Se a mulher aceita que o marido ou a família pague todas as suas contas, acaba por ficar submissa nas questões financeiras e isso pode atrapalhar a autonomia feminina no decorrer dos anos”, argumenta a especialista. 

Aventure-se!

A microempresária Priscilla de Lima sempre buscou a independência, mesmo quando era adolescente. “Ainda morava com os meus pais quando decidi começar a dar aulas de inglês para ter meu próprio dinheiro, muito porque sempre vi minha mãe pedindo dinheiro para o meu pai até mesmo para ir ao salão e achava muito estranho; não queria ser assim também!”, conta.

Com pais superprotetores, Priscilla decidiu sair de casa e realizar um sonho: estudar moda em Milão, na Itália.

“Tive que trabalhar como garçonete, babá e secretária. Ficar completamente sozinha em um país distante e, ainda assim, conseguir me virar me transformou em uma pessoa mais forte, corajosa e independente”, afirma.

Sem modismos

Para a psicóloga, é importante não copiar necessariamente o modelo de independência masculino. “Você não precisa seguir regras que não esteja com vontade de seguir; a independência feminina consiste em fazer as suas próprias regras”, aconselha Sandra. 

É importante, sim, segundo ela, que a mulher tenha mais atitude em vários setores da vida, mas sem a obrigação de seguir padrões de comportamento que não são fiéis a ela mesma. ”Não fique sujeita a modismo. Reflita sobre as coisas que você quer e como as quer”, orienta.

Seja autossuficiente

“Pode parecer clichê, mas viver bem realmente independe de com quem a gente vive”, diz a especialista. A ideia é que, se nós vivemos bem com nós mesmas e somos autossuficientes, não aceitaremos nada menos do que merecemos. Algo bem parecido com aquilo que a nossa avó já nos falava: melhor só do que mal-acompanhada.

Mas cuidado, porque autossuficiente não é o mesmo que egoísta. Você pode (e deve!) levar em consideração a opinião e os sentimentos do parceiro e/ou dos filhos, mas tenha em mente que as escolhas são suas e você pode ter suas próprias vivências - afinal, relacionamento não implica necessariamente em submissão.

Faça seus próprios planos

Para Ana Weiss, mãe de Maria, de 13 anos, e Lucia, de 6, um dos grandes desafios da maternidade é não centrar a vida nos filhos. “Elas são a parte mais importante da minha vida e são ótimas, mas não se vive apenas de maternidade”, conta.

“Mesmo a minha filha mais nova já sabe que eu tenho uma vida de mãe, mas também tenho uma vida pessoal”, diz. Para manter sua independência, Ana acredita que é importante ter disciplina com as finanças, com a organização da casa e da rotina das filhas. 

Entre as regras da casa estão, por exemplo:

  • respeitar a mãe sem interrompê-la quando ela está conversando com um amigo ou um familiar;
  • cumprir horários e agenda à risca (para que ela consiga ter horas para si mesma);
  • entender que gastar dinheiro em um brinquedo ou móvel pode implicar na viagem de férias das três.

 

“Acho importante que elas enxerguem a minha independência até mesmo para que aprendam a construir as suas próprias independências e decretar os espaços de liberdade pessoal e individualidade nas suas vidas”, defende.

Sandra Leal Calais diz que o mesmo vale para os relacionamentos amorosos. “Imagine uma mulher que vive para o homem e descobre depois que ele está em outra?”, questiona. A nossa razão de viver deve ser sempre a gente mesma e não outro alguém.

Escolha um parceiro com valores semelhantes

“O ideal é que a mulher que quer ser/continuar independente fique com alguém que pense semelhante a ela”, explica a psicóloga.

Segundo Sandra, muitas mulheres se casam com um parceiro mais conservador, do tipo que “brinca” que a mulher deveria ficar dentro de casa como antigamente, acreditando que eles vão mudar com o tempo, e se frustram quando querem dar o grito da independência e os parceiros não aceitam. 

“Até podemos pedir mudanças, mas não é certo que elas vão acontecer. A melhor coisa é escolher alguém que tenha valores parecidos com os seus, que estimulem e se orgulhem da sua independência, em vez de tentar podá-la”, aconselha.

(Foto: Getty Images)