Comportamento

O poder do NÃO na educação

Por Marina Breithaupt

Nem sempre é simples dizer uma palavra tão pequena, mas é extremamente importante para toda criança conhecer os seus limites

O poder do NÃO na educação

Aquela criança tão esperada... Uma gestação de expectativas... Uma família toda em função do bebê... Aí nasce um protagonista que, ao passar dos anos, vai assumindo mais e mais papéis na vida dos pais.

Aos poucos, eles vão crescendo e manifestando sua personalidade e desejos. É quase irresistível ceder as vontades de um filho.

Acredito que todo pai e mãe concorda com isso. Nosso instinto grita por protegê-los, lhes dar tudo que tiver ao nosso alcance, vê-los sempre felizes com as necessidades e desejos atendidos.

Se é o primeiro filho, a gente tende a querer não negar nada pois, poxa vida, é nosso único filho!! Daí vem o segundo e então temos a figura do caçula - e a gente sabe, os caçulas são irresistíveis. 

Bom, de fofura em fofura, acredito que o número de filhos independe: a gente sempre tem vontade de fazer mais e mais por eles e o desejo de não contrariá-los é maior que nós mesmos.

Até porque, vamos combinar, às vezes dizer um "sim" é mais simples e evita toda uma confusão e estresse - além das temidas birras. Já me vi dizendo muito "sim" quando deveria dizer "não" por um simples motivo: cansaço. Então, fica mais fácil evitar a batalha.

Acontece que isso não ajuda em nada na educação dos pequenos. Ensinar limites faz parte da nossa árdua tarefa de pais e é através de algumas negações, sempre explicadas para que as regras fiquem sempre claras, é que as crianças vão compreendendo seus limites.

Cada casa tem regras e formatos diferentes; cada família tem um molde. Precisamos entender que as crianças precisam desde cedo viver frustrações, compreender que não podem tudo, não só em casa mas também fora dela. Precisam entender que existem regras e, para isso, o poder de um NÃO bem aplicado é enorme e benéfico.

Vivo diariamente a batalha do NÃO para três fases diferentes. Há a adolescente que precisa entender seu novo "espaço" com todas as responsabilidade e consequências da vida adulta. Tenho um garoto de 6 anos, naquela fase em que a energia parece não ter fim e os questionamentos fazem parte dele, que adora testar os limites - é quase uma missão dessa idade.

Ainda tenho os recém-chegados "nãos" da fase em que o bebê começa a andar e passa a precisar compreender limites físicos e de comportamento. É muito "não" pra pouca mãe, né?

Como eu falei, já cedi algumas vezes por puro comodismo, sabendo que o "sim" traria o conforto imediato evitando os episódios de birra, principalmente em público.

Mas entendo que não impondo limites e regras não colaboro em nada com o futuro deles nesse mundo e, afinal, é para eles serem livres que hoje os cerco de regras. Lá no futuro, eles irão me agradecer. Sei que vão!

Um beijo

(Foto: Shutterstock)