Comportamento

Por favor, não me julgue!

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Você também já se sentiu julgada na sua forma de ser mãe?

Por favor, não me julgue!

Se há algo que eu descobri com a maternidade é que, por melhor que você tente cuidar de um filho, sempre existe alguém para dizer que você não está fazendo o certo.

Claro que toda mãe comprometida, que realmente se preocupa com o bem-estar e a educação de um filho, faz isso segundo seus valores, seus critérios. E sim, ela é passível de falha - mas eu tenho certeza de que lá, no fundo do seu coração, ela só está tentando acertar. Mas como é difícil para quem está olhando de fora enxergar isso!

Quer alguns exemplos?

Se você leva seu filho para sua cama, para tentar fazê-lo dormir, está criando uma criança dependente. Se tenta fazê-lo adormecer apenas no quarto dele, não supre sua necessidade de carinho. Se tenta a amamentação exclusiva até o fim, é uma louca que coloca a saúde do seu filho em risco. Se dá o complemento que o pediatra receitou, não se esforçou o suficiente para que o processo de amamentar desse certo!

Então vamos combinar uma coisa? Hoje, apenas por um dia, não me julgue (ou julgue todas as mães que passam ou passaram pelo mesmo)!

- Por favor, não julgue uma mãe pelo choro do seu bebê. Porque pode ser que ele chore o tempo todo, mesmo que ela tente fazê-lo parar. Pode ser que ele esteja doente, pode ser que tenha cólicas, pode ser que esteja cansado ou pode ser, simplesmente, que essa mãe já tenha tentado de tudo, sem sucesso. E certamente é ela quem mais sofre com isso!

- Por favor, não julgue uma mãe pelas vezes em que seu filho joga as coisas no chão. Porque ela pode já ter explicado mil vezes que não é para fazer isso, mas ele continua fazendo - apenas para entender como as coisas funcionam nesse mundo.

- Por favor, não julgue uma mãe pelas crises de birra do seu filho. Porque se ele está berrando para ter algo que deseja, é porque ela não satisfez sua vontade no primeiro instante. E, sim, crianças fazem birra para testar limites, mesmo quando têm pais firmes.

- Por favor, não julgue uma mãe vegetariana, vegana ou carnívora. Aquela que não toma leite, que não come açúcar, ou que come tudo isso e não vê problema. Porque pessoas são, de fato, diferentes, fazem escolhas distintas, de acordo com suas próprias características (e o que pode ser melhor para você, não necessariamente é para ela também).

- Por favor, não julgue uma mãe que amamenta de forma prolongada. Não diga que ela está criando um filho fora das regras da sociedade (porque ela acredita que está fazendo o melhor para o filho - dando amor, afeto, segurança, saúde em forma de leite). E também não julgue uma mãe que parou de amamentar porque seu leite secou, pois você não sabe se ela passou por um estresse tão grande, que sua produção não resistiu a ele.

- Por favor, não julgue uma mãe dando-lhe o rótulo de "fraca". Porque ela, mais do que ninguém, sabe se o filho merece, naquele momento, um pouco de compreensão. E não julgue também aquela outra a quem você chamou de "severa", porque ela pode estar justamente mostrando para o filho que existem consequências para seus atos.

(Foto: 123RF)