Comportamento

Tudo o que eu aprendi sobre adaptação escolar

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Pode ser fácil, pode ser difícil, pode sofrer uma reviravolta de uma hora para a outra. Adaptação escolar é assim mesmo, e você precisa preparar seu coração de mãe!

Tudo o que eu aprendi sobre adaptação escolar

Minha filha entrou na escola com dois anos e dez meses. Já se vão alguns bons anos desde então, uma vez que Cacá está com seis anos agora. E posso dizer que cada volta das férias é uma grande aventura.

Já passamos pela adaptação escolar clássica, quando a criança chega ao ambiente escolar pela primeira vez.

Vivenciamos uma troca de professora no terceiro dia de aula (coincidentemente, seria a mesma professora do ano anterior, o que dificultou bastante as coisas. Afinal, minha filha já tinha um vínculo bem estabelecido com ela, e precisou entender que, ao contrário de tudo o que havia sido falado, ela teria uma professora nova nos meses seguintes). Tivemos fases em que a pequena entrava na escola correndo. Outras em que empacava e grudava em mim de um jeito que partia meu coração.

Agora estamos enfrentando a transição para um colégio muito maior, que acontece junto com uma mudança de casa e de bairro.

Resumindo: sobre adaptação escolar, eu tenho o que falar! Justamente por trabalhar com internet e maternidade, converso com muitas mães, e vejo que existem ainda outras tantas situações relacionadas à chegada dos pequenos na escola. De tudo o que eu poderia te dizer, há duas coisas que eu queria deixar como mensagem nesse post: se está difícil, uma hora melhora. E se está bom e piorar, fique tranquila que isso também passará.

Uma verdade sobre a adaptação escolar que eu confirmei na prática é que, quanto mais calma estiver a mãe, mais fácil será para a criança. Acredito muito nisso porque vi acontecer aqui em casa.

Precisei pesquisar diversas escolas até encontrar aquela que eu considerava a melhor para minha filha - e só aí veio a tranquilidade de que eu precisava para que a filhota se adaptasse bem. Mas o contrário não é necessariamente verdade: você pode estar muito confiante com a escolha, de que será uma fase maravilhosa para seu filho, e ele empacar. E aí você terá que ter a paciência de esperar o tempo dele, porque cada criança é única (e lida de uma forma diferente com a questão).

Conheço mães que tiveram adaptações completamente diferentes. Todo mundo diz que com o mais velho é mais difícil, porque o caçula vai na onda do irmão. Acredito que, na maior parte das vezes, seja isso mesmo o que acontece. Mas não é raro ver o mais novo aos prantos na porta da escola, mesmo tendo o outro a lhe chamar para dentro. É questão de personalidade, de maturidade, e mesmo da fase que aquela família está vivendo (já pensou que a criança pode estar tendo que lidar com muita coisa ao mesmo tempo? Morte de alguém importante para aquele núcleo familiar, uma mãe que ficou doente, um irmãozinho que está por nascer podem alterar toda a dinâmica).

Outra coisa que percebi, ao longo desses anos, é que há crianças que você acha que vão chorar por um mês, e em menos de uma semana entram pelo portão da escola com um sorriso de orelha a orelha. E há também aquelas que começam super bem nos primeiros dias, e depois de um mês começam a choramingar já no caminho. Aí você fica com a pulga atrás da orelha: "Será que aconteceu alguma coisa? Será que ele não gostou da professora?". Claro que não dá para eliminar a possibilidade, mas o mais comum é que a criança só tenha demorado um pouco para processar a separação. E que só naquele momento tenha percebido que a escola não é uma brincadeira que dura poucos dias - ela terá essa rotina para o resto do ano. Então resiste.

Por fim, eu queria dizer que você tem todo o direito de chorar, de se perguntar se está fazendo o seu melhor para a adaptação do seu pequeno. Quantas vezes forem necessárias. Se você puder fazer isso longe dele, faça (porque vê-la chorar só tornará o processo mais doído). Você não é uma mãe pior por expressar dessa forma sua fragilidade. É apenas mais uma mãe no mundo que deseja o melhor para o filho.

(Foto: 123RF)