Comportamento

Uma carta para as mulheres que não conseguem engravidar

O caminho até a maternidade pode não ser fácil

Uma carta para as mulheres que não conseguem engravidar

Após quarto anos, vários ciclos de FIV (Fertilização In Vitro), três abortos devastadores, e inúmeros contratempos... O caminho de Aela* até a maternidade tem sido tudo, menos fácil. Siga sua história no Babble e não perca o capítulo mais recente de sua jornada.

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Seu mundo está entrando em colapso agora, eu sei. Passei por isso três vezes, perdi meus gêmeos com 17 semanas, minha segunda gravidez com 10 semanas e minha última com cinco semanas. Sei que você não quer encarar o mundo. Eu também não queria. Também sei que você nunca vai “superar” um aborto.

Perder um bebê que você queria – e especialmente perder um bebê que você estava tentando ter – é devastador. Seu coração se parte em um milhão de pedaços, você duvida de sua autoestima, você se culpa, e pode até começar a odiar seu corpo depois de vários abortos. É um longo caminho para se recuperar. A dor emocional é intensa. Algumas vezes, ela sufoca e chacoalha seu mundo. Mas você é uma guerreira; não se esqueça disso. E há maneiras de ajudar a se curar emocionalmente depois de um aborto. Mesmo parecendo que nunca conseguirá sair desse buraco negro, você irá. Eu juro.

Então, chega a hora de aproveitar o poder de sua dor para fazer algo que você sempre quis fazer. Aquela viagem que sempre sonhou? Vá. Aquele corte de cabelo que nunca teve coragem de encarar? Passe a tesoura. A aula de culinária que é doida para fazer? Inscreva-se. Você pode não sentir vontade de fazer absolutamente nada, especialmente nada novo, mas se obrigue. Deixe o conforto da tristeza e faça algo que nunca fez, algo que não carregue o peso de sua perda. Você sempre vai carregar isso com você, então é importante aproveitar agora para fazer coisas que te tragam um pouco de alívio.

“VOCÊ É UMA GUERREIRA. NÃO SE ESQUEÇA DISSO”.

Não é uma questão de se esquecer do que aconteceu, mas de perceber que você é muito mais do que o que aconteceu. Você é uma nova pessoa por conta de sua perda – isso muda e isso mudará você para sempre. É apenas a verdade, seja ela boa ou má. Você olhará o mundo por uma lente totalmente diferente agora. Pegue esse tempo de transição e faça algo que você sempre quis fazer. Você pode se sentir derrotada por sua perda, mas, ao fazer algo por você, irá equilibrar esses sentimentos, fazendo se sentir cuidada. E amada. E você é tão digna desse amor. Não se esqueça disso durante essa fase tão triste. Na verdade, nunca se esqueça disso.

Permita-se ficar triste. Pode parecer improdutivo para sair da escuridão, mas se permitir chorar é um passo crucial para conseguir sair dessa. Não afaste seus sentimentos para longe, e certamente não caia na armadilha de diminuir o que aconteceu. Eu estava apenas de seis semanas. Fulana abortou no segundo trimestre, perto disso o meu nem conta. Fique triste. Chore pelo seu feijão de seis semanas. Você não consegue chegar ao outro lado sem antes passar pela escuridão, que é espessa, pesada e o último lugar que você quer estar – mas você está lá. Permita-se estar lá.

Assegure-se de ter um cuidado extra com seu corpo após um aborto. Para mim, esse sempre foi o maior desafio depois de perder um bebê. Fico tão brava com meu corpo por me fazer falhar. Chego a odiá-lo. E quero jogá-lo no lixo junto com as comidas, bebidas e porcarias. Quero parar de usá-lo bem. Parar de me exercitar, parar de fazer sexo. Quero que meu corpo sinta as coisas terríveis que sinto sobre ele, tratando-o do mesmo jeito que sinto que me tratou. Quero traí-lo assim como me traiu. Por que deveria me importar com você quando me magoou tanto? Mas cuidar do seu corpo, superar o sentimento de “ter que ficar” com seu corpo (mesmo que ele seja tão profundo que você nem o perceba), e verdadeiramente dar passos para cuidar de si mesma, irão ajudar incrivelmente seu processo de cura.

Você faz parte desse clube agora, desculpe te contar. É um clube que ninguém quer fazer parte. Mas agora é um clube composto por outras guerreiras como você, por mim, por mulheres que precisaram dizer adeus aos seus bebês antes mesmo de terem a chance de falarem oi.

Isso mudará você. Mas não precisa te destruir.

*Por Aela Mass

(Imagem: Thinkstock)