Comportamento

Uma hora vamos errar

Por Marina Breithaupt

Admitir que os erros farão parte da nossa jornada materna afasta a culpa e torna todo esse processo mais leve

Uma hora vamos errar

Nem precisa perder muito tempo pesquisando pela internet. Basta usar as palavras "mãe" e "maternidade" como pesquisa no Google para, em pouco tempo, você encontrar muitos e muitos textos e artigos falando sobre a culpa materna.

A culpa de mãe que trabalha fora, a da que escolheu ficar em casa e abandonou a sua vida de antes. A culpa da falta de tempo, a culpa por não poder comprar o que deseja para o bebê, a culpa por presentear demais ou de menos, a culpa por zelar demais ou de menos.

Meu amigo e minha amiga, tem muita culpa relacionada à maternidade e, também, à paternidade.

Aceitar que esse sentimento de se responsabilizar e cobrar demais acaba gerando essa culpa em nós é parte de um processo libertador.

Eu sei que uma hora vou errar. Não posso controlar tudo e muito menos jogar sobre meus ombros culpas que não correspondem diretamente a mim.

Se a mãe precisa voltar a trabalhar para complementar a renda da família e, com isso, o bebê precisar ficar sob os cuidados de outra pessoa certamente ela se sentirá culpada em algum momento, mesmo que seja lá no futuro. Mas pensem, que culpa real essa mulher tem? Nenhuma, né?

Foge ao controle dela. Mesmo que ela queira estar presente o tempo todo na vida do filho, nem sempre essa escolha existe no mundo real. Como ideologia, é tudo lindo, mas na vida prática, as coisas são diferentes.

Esse é só um exemplo. Existem muito e muitos outros motivos que fogem ao nosso controle e nos levam a sentir culpa. E mesmo os que podemos controlar, quem disse que hora ou outra não iremos errar?

Essa é outra parte que precisamos admitir para deixar o processo da criação dos filhos mais leve. A gente não vira um ser supremo que não erra, acima do bem e do mal, depois que temos um filho. Mesmo que, para eles, a gente seja visto dessa maneira, não somos e vamos errar muitas e muitas vezes, por mais que a gente se prepare.

Uma hora ou outra você vai levantar a voz para seu filho por estar com outros problemas e totalmente sem paciência, mesmo seu filho não tendo culpa de nada. Por mais conscientes que a gente seja da importância de sermos justos, vez ou outra, algo parecido com esse exemplo vai acabar acontecendo.

Somos passíveis de erros - e de acertos! - e admitir isso torna a criação dos filhos muito mais prazerosa. Conversar sempre, pedir desculpas e assumir erros não nos tira a autoridade sobre eles - aliás, acredito que até nos aproxime mais, mostrando nosso lado real e não o idealizado por eles.

A gente vai errar, não poderemos atender a todos os desejos - nem devemos! - e, muitas vezes, situações parecidas com os exemplos que dei acima irão acontecer.

A grande chave para afastar o peso da culpa é entender que fazer nosso melhor não é sinônimo de perfeição. Assim, a maternidade fica bem mais prazerosa e leve. Errando e acertando, a gente aprende a criar nossos filhos, ao passo que vão crescendo, vamos evoluindo juntos, com erros e acertos de ambos os lados.

Um beijo,

(Foto: Shutterstock)