Receitas Saudáveis

Vale a pena pagar mais caro pelos orgânicos?

Apesar do preço superior, os alimentos são livres de agrotóxicos e mais nutritivos - ou seja, são um investimento na saúde!

Vale a pena pagar mais caro pelos orgânicos?

Diante de uma prateleira do supermercado com o vegetal orgânico custando o triplo do “comum” que está logo ao seu lado, é normal fazer a pergunta: vale a pena pagar tudo isso por ele? Afinal, é uma bela diferença de preço! Mas os especialistas são unânimes em responder que, sim, vale! Para entender, é preciso primeiro saber que os orgânicos são alimentos que não tiveram fertilizantes nem agrotóxicos sintéticos usados na sua produção.

E é aí é que está a principal vantagem. “Eles são livres de resíduos. E se sabe muito pouco sobre os resíduos de agrotóxicos. Só sabemos que eles não são eliminados pelo corpo, ficando retidos na gordura, e que vários deles são cancerígenos”, afirma a engenheira agrônoma do Instituto Biossistêmico, Priscila Terrazzan. Ela explica que as constatações dos estudos ainda são limitadas no que diz respeito aos efeitos a longo prazo dessas substâncias no organismo, mas câncer e depressão são dois dos problemas ligados a eles com frequência.

Como o corpo não elimina esses resíduos, uma criança que começa a ingerir produtos com agrotóxicos desde pequena vai acumular as toxinas no corpo por toda a vida, o que potencializa os efeitos negativos que podem ter em sua saúde. Por isso, é importante dar atenção a esse assunto.

Substitua tudo - ou, pelo menos, os mais contaminados

A empresária Carla Gagliardi, 43 anos, mudou todo o consumo de alimentos da sua casa para orgânicos no último ano. “Eu sempre dei muitas frutas e vegetais para a minha filha. Ela teve um câncer no ano passado, com 15 anos de idade, e uma das possíveis causas são os agrotóxicos. Por isso mudei por completo nossa alimentação e aqui só entram orgânicos agora! É visível a melhora dela”, conta.

Muitas pessoas acreditam que, lavando as verduras, frutas e legumes, tiramos os agrotóxicos, mas a verdade é que isso não funciona. “Muitos alimentos, como o tomate e o mamão, recebem os venenos de forma sistêmica. Eles absorvem o agrotóxico para matar as pragas que os comem”, explica Priscila Terrazan. Ou seja, o veneno fica dentro desses vegetais e não adianta tirar a casca.

A questão é tão pesada, que muitos especialistas sugerem que as pessoas deixem de comer vegetais comuns por completo. "O que recomendo aos meus pacientes é que tentem trocar tudo por orgânicos e, caso não seja possível, que substituam por orgânicos ao menos os vegetais que são considerados os mais contaminados por agrotóxicos, como o pimentão, cenoura, laranja e morango”, afirma a nutricionista funcional Lenita Salgado. Para ajudar, anualmente a Anvisa divulga um relatório com os vegetais com maiores níveis de veneno. Não custa nada acompanhar o documento, não é mesmo?

Outros benefícios dos orgânicos

Além da questão dos agrotóxicos, os alimentos orgânicos ainda apresentam outras vantagens. “Os venenos são como remédios, trazem efeitos colaterais com sua ação. Por isso, os vegetais acabam gastando seus nutrientes para aguentarem o peso dos remédios”, explica Priscila. Ela afirma que alimentos orgânicos possuem mais nutrientes que os comuns e, além disso, são considerados mais saborosos e, muitas vezes, mais vistosos.

Outro ponto que o consumo de orgânicos tem de positivo é a conservação do meio ambiente: além de não contaminar águas e solos com os agrotóxicos, nem agredir a flora e a fauna da região de cultivo, os agricultores de orgânicos seguem diversas regras ambientais que são muito rigorosas. Porém, mais do que seguir leis, os cultivos orgânicos procuram cuidar do entorno natural da região para criar um ciclo ambiental positivo, que permita que a terra possa continuar sendo usada a longo prazo.

Esse cultivo cuidadoso, somado ao fato de os orgânicos serem fornecidos por microprodutores e em pequenas quantidades, o que dificulta sua logística, é o que encarece os produtos. Mas quem escolher pagar mais caro, precisa ficar de olho. Todo produtor orgânico precisa ter um certificado do que faz.

Se possível, compre direto do produtor ou em feiras livres, para ter contato direto com a origem do seu alimento. Mas se não der, fique atenta ao selo de qualidade do Ministério da Agricultura, que deve estar em todos os orgânicos vendidos em supermercados.