Dentro de Casa

Filho bagunceiro? Aprenda a lidar com isso

Pode parecer impossível, mas não é. Com dicas práticas, você consegue estimular as crianças a organizarem a bagunça e participarem das tarefas de casa

Filho bagunceiro? Aprenda a lidar com isso

Quem tem filhos pequenos sabe bem como é... Você arruma a casa, mas, no final do dia, tem brinquedo espalhado por todos os cantos. Carrinhos estão pelo chão da sala, há peças de quebra-cabeça no quarto, bonecas no banheiro, tênis embaixo da cama e por aí vai.

Parece que passou um tufão por ali e tirou tudo do lugar - e a tarefa de organizar tudo sobra para quem mesmo? A mãe, é claro! Mas não precisa ser sempre assim.

Segundo a psicopedagoga Irene Maluf, o ideal é incentivar a criança desde cedo a sempre guardar tudo o que usar. “Adquirir hábitos de organização traz vantagens não só para o pequeno como para toda a família, já que um ambiente onde todos colaboram torna-se muito mais harmonioso e calmo”, observa.

Além disso, ela lembra que é através de modelos, ajuda e ensinamentos que os pequenos desenvolvem a responsabilidade, a independência, autoestima, adaptação social, senso de cooperação e valorização do trabalho.

Mas não é possível convencer uma criança a ajudar sem recorrer a algumas estratégias motivadoras.

Para os maiores, vale citar as vantagens de aprenderem a fazer sozinhos algumas tarefas, como poder ir a casa de amigos ou viajar para acampamentos.

Já os menores ficam mais motivados se as vantagens forem imediatas. “Por exemplo, peça ajuda para lavar a louça, pois assim você terá mais tempo para brincar com eles”, sugere.

Irene lembra que existem algumas regrinhas importantes quando queremos ensinar organização e motivar nossos filhos a se envolverem com isso.

  • A primeira é dar o exemplo. Não podemos pedir que sejam organizados se não o formos.
  • Em segundo lugar, evite castigos, broncas, chantagens ou trocas, e invista nos incentivos, modelos e reforço.
  • Lembre-se de respeitar o tempo da criança e sua capacidade de realizar as tarefas.
  • Jamais faça algo no lugar da criança ou reclame porque ela não fez bem feito.
  • Por fim, nunca recompense com bens materiais a participação das crianças. Os parabéns e o carinho dos pais devem bastar.

 

A personal trainer Jussara Ferraz, de 34 anos, encontrou uma excelente saída para manter a casa em ordem e estimular o senso de organização de seus filhos Thiago, de 8 anos, e Felipe, de 5.

“Eu andava cansada do empurra-empurra entre as crianças na hora de ajudar nas tarefas domésticas. Por isso fiz uma tabela, com as obrigações de cada um, em cada dia da semana. Por exemplo: nas segundas, quartas e sextas, o Thiago tira a mesa do jantar. Já nas terças, quintas e sábados, é a vez do Felipe. Domingo todos descansam. Quanto aos brinquedos, podem usar à vontade, mas antes de dormir, devem ser guardados em seus devidos lugares”, conta.

Negociação é essencial

De acordo com a psicoterapeuta Maura de Albanesi, o famoso contrato entre as partes é a melhor alternativa para estimular a participação da criança, seja qual for a idade dela.

“Combine o que será responsabilidade do pequeno, e o que será responsabilidade dos pais. E deixe que a criança sugira quais as multas, caso descumpra o contrato. Assim, não se trata de um castigo, mas de consequências, como a vida é. E deixe o contrato em um local bem visível”, alerta Maura.

Ela sugere, ainda, como agir em cada faixa etária:

  • Entre 2 e 3 anos: o contrato pode ser feito em uma cartolina com desenhos. E a criança saberá a hora de brincar pelo desenho e qual é o momento de guardar os brinquedos. Aqui é importante que a casa ou apartamento tenha pontos bem definidos para que a criança saiba onde guardar os seus pertences.
  • Entre 3 e 5 anos: é importante delegar algumas tarefas pequenas, como tirar o prato da mesa, para que a criança perceba que exista uma organização na casa, além daquela que diz respeito somente aos seus pertences. Nesta fase, os elogios são importantíssimos.
  • Entre 5 e 7 anos: é necessário estipular um local para os deveres de casa e mantê-lo organizado deve ser obrigação da criança. Aqui vale mais do que nunca o contrato e a multa.
  • Ente 7 e 9 anos: a criança deve assumir tarefas rotineiras, como preparar a sua roupa para a escola ou tirar a mesa. “Estas atividades abrem espaço para que ela participe no futuro de uma organização mais abstrata”, diz a especialista. Aqui é necessário estimular o ritmo e disciplina, mas também permitir uma certa flexibilidade. Por exemplo: o amigo veio em casa hoje? Então o pequeno reassume as obrigações no dia seguinte. “Gosto da ideia do contrato justamente por ser participativo. Ele mantém a autoridade dos pais e é ‘negociável’ em alguns casos. Assim não é necessário trocas nem chantagens, que podem tornar a criança manipuladora”, finaliza.

 

(Foto: Getty Images)