Fantasias

Há limites para o faz de conta?

Por Samantha Shiraishi
@maecomfilhos

A possibilidade de viver outros papéis e experimentar “estar no lugar de outra pessoa” é um dos exercícios que a gente deve estimular nos filhos

Há limites para o faz de conta?

- "Mamãe, você é *Madafa*, eu sou *Banca* de Neve".

Uma das manias da minha caçula, atualmente, é o filme da Branca de Neve. Aquele mesmo, literalmente do tempo da vovó, com a voz de Dalva de Oliveira. E, curiosamente, ela não sente medo nem da madrasta. Diverte-se imitando ora uma, ora outra e - por quê não? - em muitos momentos fazendo de conta que é um dos anões ou o próprio caçador.

Num dos meus primeiros textos aqui no Babble eu comentei que acho que poucas coisas na infância são tão fofas quanto uma criança pequena fantasiada e feliz com o personagem que está representando.

Meus filhos amavam sair com fantasias - e valia até uniforme do time de futebol do coração - e vibravam muito quando eram “reconhecidos” e as pessoas puxavam conversas com o Senhor Incrível, Rei Leão ou um jogador de futebol, craque da seleção.

Hoje é Manu quem se realiza com seus vestidos de Princesas Disney ou mesmo as roupas de heróis dos irmãos, trocando de papéis e se divertindo sendo madrasta, princesa, bruxa, mãe ou filha.

Essa possibilidade de viver outros papéis e experimentar “estar no lugar de outra pessoa” é um dos exercícios que a gente deve estimular nos filhos. Ela é boa para aumentar a capacidade de sentir empatia, uma das virtudes que deveríamos estimular desde cedo e para sempre. Deveria ser disciplina escolar, junto com Ética e Projeto de Vida.

Creio que, com mais empatia, nosso coeficiente de felicidade seria muito maior – e os deslizes e pequenas corrupções, muito menores! Como no filme Encantada ou na série Once Upon A Time e em Malévola, a gente percebe que não precisa de roupa de bruxa ou magia para torcer por quem merece e sonhar com o final feliz.

Tudo isso está naturalmente dentro da gente. E criança é gente, portanto, independente do nome do “vilão”, vai se posicionar na luta do bem contra o mal e essa experiência vai povoar seu imaginário e suas brincadeiras.

Que tal entrar no jogo com as crianças e participar da conversa dos adolescentes, aproveitando o que tem de melhor em datas festivas como o nosso Carnaval e o Halloween dos EUA, liberando o lado lúdico, “vestindo um novo personagem”, experimentando algo novo e ser feliz rindo de si mesmo?

Se vestir fantasias não é seu forte ou você não quer investir nisso, tenho uma sugestão: com o aplicativo Show Your Disney Side dá para ser vilão, mocinho ou o palhaço da história.

Basta uma “selfie” e o aplicativo transforma seu rosto no do personagem, com direito à animação - eu já “envelheci muitas vezes sendo a madrasta/bruxa” e brincando de ser Anão, Buzz Lightyear ou Luke Skywalker!

(Foto: Acervo pessoal)