Criar e brincar

Montar, empilhar, empurrar, girar, derrubar…. e começar tudo de novo

Por Patrícia Cerqueira
@Comida Boa Muda Tudo

Para as crianças entenderem como o mundo funciona, não é preciso muita pirotecnia. Bastam alguns blocos, cubos e liberdade para deixar a imaginação fluir

Montar, empilhar, empurrar, girar, derrubar…. e começar tudo de novo

*PUBLIEDITORIAL

Um dos brinquedos preferidos do meu filho Samuel, quando pequeno, eram blocos, potes, de tamanhos e cores diferentes, que ele empilhava, criando uma torre alta (alta para o tamanho dele) e, para, em seguida, dar um tapa, derrubando todos. Ele ria e repetia essa ação várias vezes. Pegava os potes todos os dias. Mas não era apenas assim que ele brincava. 

Gostava de levar o brinquedo para o parque, encher de areia e criar bolinhos. A gente enfeitava com o que tinha à disposição: galhos, folhas e flores, e cantava parabéns para quem ele quisesse. Cada dia uma pessoa fazia aniversário. 

Também carregava os blocos para o banho. Enchia a banheira com as peças coloridas e criava um mundo de brincadeiras naqueles momentos. Lembro até hoje do dia que ele perdeu um dos blocos e não conseguia mais fazer a torre. Isso o chateou bastante, mas não o impediu de continuar carregando os blocos de empilhar e encaixar para onde queria. Brincou com os cubos por muito tempo.

Meu filho mais novo, Miguel, também foi fascinado pelos blocos de empilhar e montar, cubos de encaixar peças de diferentes formas geométricas e um outro brinquedo que ele precisava martelar peças. Eram brinquedos que prendiam a atenção do menino. 

Ele passava horas explorando. Ia de um para outro. Pedia para eu martelar a peça ou empilhar os cubos, erguendo a torre que ele iria desmontar. Não esqueço até hoje do olhar de felicidade dele quando conseguiu encaixar todas as peças no cubo de formas geométricas. Ele ficou tão surpreso com o feito, que repetiu várias vezes a conquista, como que para ter certeza de ter conseguido.

Todos esses brinquedos, aparentemente simples, são ótimos para a criança entender, por exemplo, princípios de ação e reação, de causa e efeito, além de estimularem a imaginação, refinarem a coordenação motora, ensinarem sobre cor, forma e tamanho. 

Outra coisa fascinante que acontece com as crianças enquanto elas manipulam esses brinquedos é o refinamento do conjunto olhar-movimento motor.

Uma das melhores linhas de brinquedos dessa categoria, na minha modesta opinião de mãe, é a Playskool, da Hasbro. Os meninos brincaram muito com os blocos de encaixar, o cubo de forma geométrica, o jogo do martelo, além de brinquedos que exploram sons, formas e cores, como o Hipopótamo Comilão e a Tartaruga Cores e Formas.  

Eu não sabia, mas Playskool é a primeira empresa que reconheceu que o aprendizado infantil acontece através da brincadeira. A marca foi fundada por duas mães, professoras americanas, que perceberam, na prática, que os brinquedos são as melhores ferramentas de aprendizado infantil.  

Em 1928, elas fundaram o Instituto Playskool, e passaram a criar brinquedos desenhados especificamente para estimular o aprendizado. Os blocos de empilhar e o conjunto de martelar, por exemplo, foram lançados em 1940!!! 

Viu, só? Esses brinquedos são tradicionais, não saem de moda, não entram em desuso. Não precisam de energia elétrica nem pirotecnia para chamar a atenção dos pequenos. Estiveram presentes na minha casa e trouxeram muitos momentos de felicidade e de aprendizado para os meus filhos.