Na Rua

Seu filho, atleta em uma equipe!

Esportes coletivos são ótimos para a saúde e melhoram os relacionamentos das crianças. Mas só devem ser feitos se os pequenos quiserem, ok?

Seu filho, atleta em uma equipe!

Poucas atividades são tão estimulantes para o universo infantil quanto esportes coletivos. Além da boa saúde, eles promovem sensação de bem-estar e o prazer da convivência com os amigos.

“O corpo desenvolve integralmente suas capacidades humanas do ponto de vista emocional, intelectual e social, na mesma medida em que se movimenta e compartilha momentos com outras pessoas”, diz Neusa Gomes, psicomotricista e psicopedagoga clínica.

O fato é que se movimentar faz bem e todo mundo sabe disso! No entanto, é importante ficar atento para algumas pequenas armadilhas geradas, na maior parte das vezes, pela empolgação excessiva dos pais.

Mesmo sem intenção, elas podem transformar algo positivo em um verdadeiro transtorno. Para evitar o contratempo, vai a dica: ter sempre em mente que, em primeiro lugar, o intuito é a diversão!

Quando os pais exageram

Crianças têm prazer em se movimentar. É natural, faz parte da infância. Só que isso deixa de ser saudável quando feito apenas por obrigação ou pela vontade dos adultos. Erra também quem alimenta expectativas relativas ao bom desempenho competitivo dos filhos.

E não precisa se limitar aos esportes praticados em grupo. Andar de skate ou bicicleta, dançar, nadar, jogar capoeira e tantas outras atividades são tão prazerosas quanto, desde que escolhidas por quem vai praticá-las.

O mais importante é que os pequenos experimentem bastante até descobrirem o que gostam de verdade. Promover horas livres no parque com a família unida é outra excelente forma de apresentar novas práticas aos filhos, conhecer as preferências deles e incentivar um estilo de vida ativo.

E o principal: nunca esqueça que um bom exemplo é a melhor forma de ensinar. Pais ativos são o melhor de todos os estímulos.

Passo a passo

Mas como identificar os limites entre a obsessão e a vontade que os pais têm de, por meio dos esportes, promover a felicidade dos filhos?

Quem nos ajuda a responder essa questão é Paula Korsakas, coordenadora do Centro de Práticas Esportivas da USP, mestre em Pedagogia do Movimento e autora de diversos artigos sobre esporte infanto-juvenil.

Confira abaixo um tira-dúvidas para aqueles que pretendem iniciar os filhos no mundo maravilhoso dos esportes coletivos!

Existem esportes recomendados para crianças? Embora o futebol, o voleibol, o basquetebol e o handebol sejam os mais populares, todos os esportes coletivos são igualmente indicados para crianças, desde que adaptados para cada faixa etária. “As características específicas desenvolvidas não mudam de acordo com o esporte escolhido”, explica Korsakas.

Quando começar? Não existe idade certa para iniciar seu filho na prática de esportes, desde que sejam introduzidos com brincadeiras que se assemelhem às atividades oficiais. De todo jeito, é bem verdade que entre 5 e 6 anos as crianças apresentam melhor condições de atender demandas colaborativas entre os participantes, exigidas por todas as atividades coletivas.

Onde praticá-los? O lugar mais indicado é sempre a escola. Portanto, conheça o programa disponibilizado por ela. Se a metodologia agradar, é esse o melhor local! Caso contrário, vale procurar escolinhas voltadas exclusivamente às práticas esportivas infantis. Mas atenção: não se esqueça de certificar-se quanto à experiência dos professores na lida com crianças.

Vantagens emocionais: o aprendizado é constante e intenso. Desde noções de solidariedade, por meio da divisão de materiais, do espaço e do tempo; como do respeito ao próximo, por meio do trabalho em equipe. Korsakas ensina que atividades coletivas, quaisquer que sejam, também impulsionam as crianças na direção da justiça e da honestidade. Além disso, é um ótimo estímulo ao desenvolvimento cognitivo, uma vez que, para executar uma jogada, os participantes precisam acionar a inteligência estratégica e lidar com noções de sucesso e frustração a partir de então.

Vantagens físicas: agilidade, equilíbrio, velocidade e flexibilidade são capacidades melhor desenvolvidas na infância. Ao praticar esportes coletivos, a criança automaticamente promove funções motoras como essas. Algumas escolinhas oferecem um programa de iniciação esportiva, onde os pequenos experimentam diversas modalidades físicas.

Risco de lesões: pequenos acidentes, como arranhões e pancadas, podem ocorrer em qualquer esporte. Mas o risco vale a pena, já que o sedentarismo na infância resulta em prejuízos muito maiores na vida adulta. O ideal é ter a prática do esporte conduzida por um profissional especializado. Ele certamente auxiliará na minimização dos riscos. 

(Foto: Getty Images)