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6 passos para passar longe da superproteção

Cuidado e preocupação, sim; exagero, não. Tudo o que você precisa saber para descobrir se é uma mãe superprotetora e, se for preciso, reverter isso

6 passos para passar longe da superproteção

Ser mãe e pai não é uma tarefa fácil. Às vezes, é quase impossível encontrar o equilíbrio entre se preocupar com seus filhos e poupá-los em exagero, caindo na superproteção.

O cuidado com os pequenos e o desejo que eles tenham sempre o melhor são sentimentos comuns e mais que normais entre a maioria dos pais. O erro, entretanto, acontece quando se passa do ponto.

“Alguns estudos mostram que crianças superprotegidas podem se tornar ansiosas, depressivas, neuróticas e menos abertas a novidades. Além disso, podem apresentar baixa estima e ausência de responsabilidades. A ansiedade, por exemplo, é mais frequente, pois as crianças criam uma relação constante de dependência com a mãe”, explica Jorge Huberman, médico pediatra do Hospital Albert Einstein em São Paulo. Já pensou?

Por mais que doa o coração da supermãe aí, a frustração e o sofrimento também devem fazer parte da vida da criança.

“Experiências boas são importantes para o desenvolvimento da criança, mas experiências negativas também são muito úteis. Afinal, a vida é feita de altos e baixos. A perda de um animal de estimação ou a decepção com o primeiro amor na escola são frustrações que, apesar de muitas mães acharem que as crianças não vão suportar, são superadas com relativa facilidade”, comenta Mario Novais, médico e professor de pediatria na UFRJ, no Rio de Janeiro.

Os especialistas concordam que acabamos projetando na criança nosso medo do sofrimento, quando na verdade os pequenos lidam com os momentos difíceis muitas vezes bem melhor do que os adultos.

“As crianças são mais fortes do que a maioria das mães imaginam. Crianças saudáveis lidam com as adversidades muito bem”, salienta o especialista Mario Novais.

É claro que isso também não é motivo para largar a criança por aí, por si só. Ela precisa, sim, de conforto e proteção dos pais, especialmente nos momentos difíceis, mas de uma forma natural, para que entenda que situações ruins fazem parte da vida. Também para que possa, desde pequena, enxergá-las como uma oportunidade de aprendizado.

“É importante que os pais estejam ao lado dos filhos sempre que as duvidas surgirem para que não se sintam desamparadas e sejam exaltadas nos seus acertos e corrigidas nos seus erros”, pondera Jorge Huberman.

Com uma fronteira tão tênue e subjetiva, como então dosar quando a preocupação e intervenção dos pais é necessária e quando está sendo exagerada?

Confira aqui algumas dicas para não cair na armadilha da superproteção dos pequenos:

1. Evite fazer tudo pelo seu filho

O médico pediatra Jorge destaca que é importante para a criança ter oportunidade de pensar e encontrar soluções para seus problemas. Os pais devem dar esse espaço e podem repassar algumas dicas para ajudar, mas sem entregar tudo sempre de mão beijada.

2. Não compense sua ausência com excesso de zelo

Com a vida familiar cada vez mais corrida, é muito comum que os pais tentem compensar a ausência no dia a dia do filho com cuidados e preocupações em exagero.

3. Não hipervalorize pequenos acidentes

Criança que é criança cai e se machuca, não tem jeito. O que não dá para fazer é colocá-la sempre no papel de coitadinha.

Mario dá o exemplo de quando o pequeno ou pequena bate a cabeça na parede: os pais, obviamente, devem ajudar a criança, mas sempre controlando a situação, dizendo que não foi nada e encorajando-a a se levantar e a voltar a brincar (se estiver tudo bem com ela, é claro!).

4. Exponha seu filho

Atividades na escola, na creche, nos cursos extracurriculares e diante de amigos e familiares ajudam a tirar as travas da criança em um ambiente externo, estimulando seu desenvolvimento.

Frequentar festas de aniversário e dormir na casa de familiares e amigos, por exemplo, são ótimas oportunidades de socialização.

Mãe e o pai também não devem ficar o tempo todo grudados com a criança. Monitorá-la de longe, sem que ela perceba, também contribui para que ganhe segurança quando os pais não estiverem por perto.

5. Dê responsabilidades compatíveis com a idade

Respeitando a etapa de desenvolvimento da criança, é sempre importante estimulá-la a tomar atitudes próprias. Desde caprichar mais no desenho, até guardar brinquedos e ler livros, ações assim ajudam os pequenos a desenvolverem sua personalidade e seu caráter, como comenta o especialista Jorge.

6. Converse com seu filho sobre suas frustrações

Não ignore os momentos difíceis. Encarar as dificuldades de forma corajosa e transparente é uma das principais lições que você pode dar a seu filho.

Quando ele tirar um nota baixa na escola, brigar com um amigo ou perder um campeonato de futebol, por exemplo, os pais devem conversar com a criança sobre isso, calmamente, explicando que as decepções e passagens negativas são extremamente normais na vida.

Dessa forma, o pequeno se sentirá mais seguro e confiante para seguir em frente, depois que essa maré negativa tiver passado.

Não se esqueça

A grande dica aqui é colocar na cabeça, de uma vez por todas, que você não conseguirá (e mesmo que conseguisse, não seria legal) impedir todo e qualquer sofrimento dos seus filhos.

O negócio, então, é deixá-los preparados para tirar tudo de letra quando um problema vier. “Muitas vezes o aprendizado vem do sofrimento, que reforça também a personalidade da criança”, afirma Jorge.

Não queremos que nossos filhos cometam os mesmos erros que cometemos. Mas precisamos permitir que eles errem mais para que entendam seus limites e aprendam a lidar melhor com isso com o tempo.

(Foto: Getty Images)