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Alimentando os filhos sem culpa

Nem sempre dá para ser a mãe perfeita. E não há problema nisso!

Alimentando os filhos sem culpa

Durante a licença-maternidade tudo corre às mil maravilhas: com tempo para cuidar do filho, a mãe segue à risca todas as recomendações médicas e não descuida da alimentação do pequeno.

Contudo, com o retorno ao trabalho, a maioria das mulheres acaba sendo obrigada a se desdobrar para dar conta de inúmeras tarefas. É aí que o tempo destinado ao preparo das refeições do bebê é reduzido.

A situação, comum a muitas brasileiras, não é nenhum bicho de sete cabeças. Driblar algumas regras e orientações ditadas pelos pediatras não a torna uma mãe ruim.

O segredo para não ficar paranoica com o mito da mãe perfeita é ter em mente que, na empreitada de criação dos filhos, o erro e a adaptação fazem parte do processo. 

“Não há problema em criar as próprias regras. O que funciona em uma família, pode não dar certo na sua”, defende Claudia Padung, psicóloga especialista em Terapia de Casal e Família.

De acordo com a psicóloga, o segredo para ser uma mãe realizada é adaptar as recomendações à sua própria rotina e, acima de tudo, curtir a experiência da maternidade.

“É viver os momentos com prazer, divertir-se a cada papinha feita, cada brincadeira nova. Os erros acontecerão naturalmente, fazem parte do processo”, lembra.

Para Claudia, a grande falha é ceder ao mito da mulher perfeita e abandonar os próprios desejos e projetos para se dedicar exclusivamente à maternidade, seguindo à risca os conceitos de uma mãe exemplar.

“Essa decisão pode ser tomada, desde que motivada pelo desejo genuíno de estar próxima aos filhos e não pela pressão social ou familiar de ser a mãe perfeita”, argumenta.

Além disso, cada mãe deve refletir sobre os motivos que a fazem se sentir culpada na educação ou alimentação das crianças.

“Os sacrifícios que você faz não te tornam, necessariamente, uma mãe melhor ou pior. A mãe perfeita só existe no imaginário das mulheres. Pessoas reais sofrem com medo, ansiedade, cansaço. Não dá para exigir que toda mulher consiga conciliar carreira e maternidade, seguindo todas as regras dos especialistas”, acredita.

Foco nos nutrientes

Quando o assunto é alimentação, o essencial é focar na quantidade e na qualidade dos nutrientes que a criança está ingerindo.

“Devemos considerar que um bebê até o primeiro ano de idade está em plena fase de desenvolvimento físico e mental e diversos nutrientes possuem papel fundamental para que isto possa ocorrer de forma adequada”, explica Daniela Fagioli, nutricionista e consultora da Associação Brasileira de Nutrição (Asbran).

A especialista ressalta que o bebê deve receber frutas (entre 3 a 5 porções/dia), verduras (2 porções/dia), legumes (1 a 2 porções/dia), carnes (1 a 2 porções/dia), cereais (2 a 5 porções/dia) e leguminosas - como feijão - frescas (1 a 2 porções/dia) durante o dia, além da oferta de leite materno e água potável. Os alimentos devem ser servidos em forma de papa (bem cozidos e amassados com garfo).

Para muitas mães, a correria do dia a dia torna praticamente impossível seguir essa especificação. Mas não há (ou não deveria haver) problema nisso!

Para quem não consegue preparar papinhas frescas todos os dias, o melhor é congelar semanalmente refeições prontas, para serem descongeladas e servidas ao longo da semana. “O ideal é a oferta diária de refeições in natura e frescas. O dia a dia, contudo, interfere nesse processo, forçando a mãe a criar estratégias para suprir as necessidades do bebê”, diz Daniela. 

Ainda assim, mesmo congelando porções prontas, nem sempre é possível servir comida caseira à criança, seja pela ausência de tempo, armazenamento correto ou mesmo de opções de ingredientes para o preparo da refeição. Nesses casos, é permitido, sim, recorrer às versões industrializadas.

“A papinha pronta pode e deve ser utilizada em situações onde a papa caseira pode se tornar um risco para a criança, como quando a mãe prepara a papa salgada e sai de casa, deixando o alimento muito tempo sem o controle de temperatura adequada. Nesses casos, o ideal é que se utilize as industrializadas, pois possuem a garantia de controle de qualidade”, alerta.

A papinha doce industrializada também pode ser utilizada no dia a dia, porém, balanceada com porções de frutas frescas, garantindo o estímulo ao paladar, mastigação e conhecimento de variedade de frutas que serão importantes para o resto da vida.

(Foto: Getty Images)