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Amamentar é natural

Por Samantha Shiraishi
@maecomfilhos

Mas a gente não nasce sabendo. Reuni algumas coisas que aprendi amamentando meus 3 filhos

Amamentar é natural

Amor em estado líquido.

É assim que tenho lido nas redes sociais as mães se referirem ao leite materno.

Eu, que ainda amamento minha caçula de 2 anos, e fui longe também com o aleitamento dos filhos mais velhos, me surpreendo e me pego pensando sobre este ato de amor que anda tão romantizado, mas que é bem mais exigente do que frases bonitas podem dar a entender.

Amamentar é um ato de amor, favorece o vínculo com seu bebê, facilita o desenvolvimento emocional, cognitivo e do sistema nervoso.

Creio que no século XXI ninguém discute que os benefícios do aleitamento materno são inúmeros, mas garantir que tudo dê certo é um desafio e tanto nas primeiras semanas do bebê.

Nem todas as grávidas recebem orientação sobre o assunto no pré-natal e, mesmo quem recebe, experimenta surpresas - eu, por exemplo, fiz um longo curso de gestante e, apesar disso, na descida do leite, me assustei, pois ninguém me preparou para a quantidade de leite que tive!

Dificuldades comuns estão relacionadas à “pega” do bebê (o jeito como ele abocanha a mama, que nem sempre funciona bem nos primeiros dias, num descompasso entre a boquinha miúda e o peito cheio) e à posição correta para amamentar (eu mesma acertei nos dois primeiros e na terceira tive que ter ajuda para conseguir fazê-la mamar confortavelmente nas primeiras semanas).

Enfim, essa fase traz uma série de questionamentos e inseguranças que são, muitas vezes, rodeados também de muitos mitos que passam de geração para geração, como a posição da mão ao segurar a mama - as nossas mães seguravam em “tesoura”, o que pode “cortar” a descida, e hoje a gente segura em “concha”, apenas apoiando a parte de baixo.

Apesar de tantos anos amamentando em livre demanda, até eu aprendo e compartilho informações sempre que posso no Amamentar é natural

Dizem que amamentar dói. E pode doer mesmo. Isso porque pouca gente aprende a preparar o bico do peito para que fique menos sensível. Mas bastam ações simples, como lavá-lo com uma esponja mais áspera e tomar sol sem sutiã. Tá, o sol é complicado, mas eu sempre usei banho de abajur com lâmpada de 40 W a 15 cm do peito e bronzeava igual. O bico fica menos sensível e dói muito menos quando o bebê começa a mamar. 

Seio pequeno não produz leite. Eu aumentei quatro números de sutiã quando tive meu primeiro bebê. Isso mesmo: quatro! Fui pro 48. Então fiquei com peitão e quem me vê hoje acha que eu sempre fui assim, mas não - usava 40, no máximo 42. Era peito pequeno que ficou cheio e deu leite de sobra - tanto que doei. Mas peito pequeno que não fica grande dá muito leite também. Porque o diferencial da produção de leite está na quantidade de glândulas e o tamanho do peito está na quantidade de gordura de cada mama. As células produtoras (glândulas mamárias) e os ductos de leite são os mesmos em todas as mulheres, até mesmo naquelas que fizeram cirurgia plástica para colocar prótese de silicone. A direrença está na dobradinha mãe e filho: a quantidade de leite que seu filho vai receber depende das suas próprias necessidades, e de quanto a mama seja estimulada adequadamente. Quanto mais ele sugar, mais o corpo da mãe faz leite.

Amamentar é um ótimo anticoncepcional. Se isso valesse a gente não tinha sempre alguma amiga ou conhecida que engravidou quando tinha um recém-nascido, né? Mas gente como eu, que amamenta em livre demanda e em quantidade grande, tem mesmo uma mudança nos hormônios por alguns meses e fica sem ciclo menstrual. Não tem garantia, por isso o melhor é falar com o médico, que vai indicar camisinha, DIU, implantes ou as pílulas de progestagênio, que são as mais indicadas para esse período.

A alimentação da mãe influencia o leite. Sabe aquela história de que se a mãe comeu feijão dá gases no nenê? É verdade. Logo no começo do aleitamento, muita coisa faz diferença bioquímica no leite materno e o jeito é seguir a orientacão da nutricionista e observar para descobrir o que pode e o que não pode - para mim eram temperos industrilizados, tipo tempero pronto, que acabavam com o sossego dos bebês. E vale lembrar que tudo o que a mãe come acaba passando para o leite materno - por isso o consumo de bebidas alcoólicas ou cigarros é contraindicado, assim como de medicamentos, que sempre devem ter recomendação do médico da mãe e aprovação do pediatra do bebê!

O leite materno pode ser fraco. Essa história do leite fraco até me deprime porque muitas mulheres me contam que por conta disso deixaram de amamentar. O mito se formou por ignorância: quando se compara o leite materno com o da vaca, que é mais denso e consistente, tem moléculas maiores e sua digestão é bem mais lenta, parece que o bebê aleitado no peito tem fome mais rápido. O leite materno tem 97% de água e, por isso, é facilmente digerido e logo o bebê sente fome novamente. O leite humano é composto por células vivas que transferem para o bebê a imunidade materna aos agentes infecciosos. Os glóbulos brancos presentes nele levam os anticorpos da mãe para o filho.

Preciso trocar de lado para ele mamar bem. O que poucas mulheres sabem é que, quando o bebê começa a sugar, o leite materno tem maior concentração de água mesmo, é normal, é chamado de “anterior”. Nessa fase, ele contém ainda vitaminas, minerais e anticorpos. Após um tempinho de mamada, começa a descer o leite que chamamos de “posterior”, que é mais rico em gordura, que fornece mais energia e permite que o bebê fique satisfeito e ganhe peso. Por isso, a recomendação é que a mãe ofereça um seio por mamada, ou seja, que a mamada não seja interrompida até que o bebê consiga ingerir bastante quantidade do leite posterior, que tem mais gordura. Somente depois de esvaziar uma mama, se necessário, o outro seio deve ser oferecido, o que ocorre normalmente com bebês maiores, que já mamam muito. Desse jeito você garante que o bebê retire do peito o leite anterior, rico em água, e o posterior, rico em gordura.

Na volta ao trabalho, o leite seca. O tema da campanha da Semana Mundial do Aleitamento Materno em 2015 é "Amamentação e Trabalho". E conciliar os dois não é fácil. Eu acostumei a esgotar o leite porque doava e sempre tinha leite meu congelado para os bebês quando saía. Voltei ao trabalho só quando eles já comiam papinhas e, sempre que possível, deixava as mamadas para quando eu estivesse perto. Ajudou muito o fato de que, quando estávamos juntos, antes ou depois do trabalho, eu oferecer o leite em livre demanda, ou seja, por quanto tempo e quantas vezes o bebê quisesse. As mamadas noturnas podem ser cansativas, mas são fundamentais para manter uma boa produção de leite materno, pois é a hora de maior liberação da prolactina, hormônio que controla a produção do leite humano.

Leia também: Sou uma entusiasta do aleitamento materno, mas com ressalvas ;)

(Fotos: Freeimages e acervo pessoal)