Disney Baby

A angústia ou ansiedade da separação

Por Marina Breithaupt

Chega uma fase em que os bebês não conseguem se afastar dos seus pais: a famosa angústia da separação

A angústia ou ansiedade da separação

Tenho três filhos e passei por esse sufoco com todos eles. Ainda não encontrei nenhum amigo ou parente que não tenha relatado viver a mesma situação. Uns mais, outros menos, mas a ansiedade da separação parece ser comum à todas as famílias.

Acredito que deva, sim, haver casos em que isso não aconteça - que sorte! - e foi por essa razão que comecei a pesquisar. Notei que Babi, minha primeira filha, teve poucos episódios desse "medo" de ficar longe de mim. Não chegou a ser uma "fase", aconteceram apenas alguns episódios mesmo.

Atribuo hoje ao fato de que ela sempre foi assistida por mais pessoas. Foi para o berçário cedo, tinha a vovó por perto e nossa funcionária sempre estava com ela. Acredito que fez a diferença.

Theo e eu vivemos uma relação muito intensa nos primeiros meses de vida, muito parecida com a rotina que tenho hoje com a caçula Mel. Somos só nós para tudo e, claro, percebi muito mais dificuldades nesse sentido.

A angústia da separação - também conhecida como ansiedade da separação - é abordada por diversos autores. Pesquisando encontrei alguns artigos na internet e também alguns autores falando sobre isso em seus livros (deixo uma listinha dos títulos ao final do post) e pude verificar que a maioria deles aponta uma faixa etária como sendo a mais propícia para o início desses episódios.

Seria entre sete e oito meses, quando o bebê começa a notar que não é um ser único junto com a sua mãe, e pode perdurar até os 2 anos. É uma fase de muita insegurança e precisamos de calma e paciência, além de muita empatia para ajudar o bebê.

Claro que como tudo, nem sempre é exatamente assim. Pode acontecer desse período se prolongar ou aparecer mais tardiamente, como é nosso caso aqui hoje com a Mel.

Sei que preciso de paciência, mas me sinto sobrecarregada, pois mesmo que alguém tente me ajudar, quando eu saio de seu campo de visão, ela já começa a me procurar, chamar e depois chorar.

Tenho tentado evitar rotular as fases pelas quais meus filhos passam, já sei que cada ser é único, porém está bem difícil nesse caso.

Por experiência própria, sei que vai passar, mas mesmo assim não é um período tranquilo, pois há muito desgaste emocional e até físico. Cada vez que preciso me ausentar, Mel tem uma crise de choro. E mesmo que acabe não presenciando nada, o coração dói.

Tenho tentado seguir algumas dicas que tirei dos livros. Sair, algumas vezes, brevemente de perto dela, dentro de casa mesmo, nada que demore, mas fazendo-a entender que está tudo bem quando não estou perto e que logo vou voltar.

Dizer sempre quando vou sair. Ir falando antes e dar tchau ao ir. Tenho também brincado muito de "esconde-esconde" para que ela compreenda a dinâmica toda, ou seja, eu não estou ali, mas logo reapareço.

Outra coisa que já pratico muito é a conversa. Quando estamos muito exaustas diante de uma situação, a gente se esquece de que o diálogo é sempre o melhor caminho. Tenho falado muito com ela sobre isso. Falado que nossa casa é segura, que nossa família também e que não há problemas se eu precisar sair um pouco, que sempre vou voltar, e sempre estarei aqui quando ela precisar.

Sei que logo vai passar.

Dicas de livros:

- The Science and Parenting - Margot Sunderland

- A encantadora de Bebês - Tracy Hogg

- No-Cry Separation Anxiety Solution: Gentle Ways to Make Good-Bye Easy from Six Months to Six Years - Elizabeth Pantley

(Imagem: Shutterstock)