Disney Baby

De pai para filho

A relação entre eles deve ser iniciada ainda na barriga da mãe, já que a referência paterna é importante para o desenvolvimento da criança

De pai para filho

Durante muito tempo, a figura paterna foi associada exclusivamente a duas funções dentro do núcleo familiar: a de prover e disciplinar. Com o passar dos anos, porém, esses conceitos começaram a ser questionados e postos à prova, não apenas por estudos, mas também pelos próprios homens.

Devido às inúmeras transformações da vida moderna – como a mudança do papel feminino na sociedade e a conquista das mulheres nos campos profissional e pessoal –, até eles passaram a querer estar mais próximos dos filhos, não só emocionalmente, mas também nos cuidados com os pequenos.

Ponto para eles! Afinal, nessa configuração quem mais sai ganhando são as crianças.

A figura do pai é tão importante quanto a da mãe, por isso é fundamental que eles estejam inseridos na vida dos filhos desde a gestação, acompanhando as consultas de pré-natal, buscando informações e estimulando o bebê que ainda está no ventre materno.

“Durante a gestação, a presença física e afetiva do pai serve de amparo para a mãe e dá tranquilidade para receber o novo membro da família”, afirma o psicólogo Cristiano Liveraro.

Ano após ano

No desenvolvimento da criança, a presença do pai se faz ainda mais fundamental, pois é ele quem estabelece os limites entre a relação materna e a criança, colocando-se como uma barreira entre o “tudo-dar” da mãe.

Segundo o psicanalista Rubens de Aguiar Maciel, especialista no estudo da paternidade, é da natureza da criança desejar exclusividade da mãe e, embora essa seja uma postura apropriada para um bebê, ela deve se transformar com o desenvolvimento da criança. É aí que surge o pai como aquele que deve intervir.

“Essa é uma das principais funções do pai: mostrar os limites. No começo, a criança vai espernear, mas depois começa a aceitar que, embora não tenha a mãe o tempo todo, tem a boneca, a amiga, o namorado e assim por diante, ao longo da vida”, diz Maciel.

A função do pai é justamente estabelecer essa noção de que a criança não é o centro do universo, que ela convive em sociedade. “É o pai quem, amorosamente, vai dizer, ‘olha, fica na tua, aguenta um pouco a tua frustração que daqui a pouco seus pais estarão junto contigo de novo’”, afirma.

Pai, um ser que existe

É entre os 6 e 8 meses que o bebê começa a se reconhecer como um ser separado e distinto da mãe. É a partir desse momento que ele passa a notar a existência do pai. No entanto, a maior referência paterna surge entre os 4 e 6 anos de idade, período formador da personalidade.

“Nessa fase, meninos ou meninas passam a identificar-se com aspectos próprios do pai. Mas o contrário também pode acontecer. Se houver algum conflito nessa relação, a criança passa a sustentar um comportamento e atitudes diferentes das do pai”, explica Fábio Roesler, psicólogo com especialização em Análise Aplicada do Comportamento, pelo Hospital das Clínicas.

Para que os vínculos afetivos e as identificações de pai e filho se estabeleçam, é essencial que as mães colaborem. Ambos devem participar ativamente do cuidado com os filhos, mas cada um no seu espaço, pois a criança precisa vê-los como duas pessoas diferentes.

“Infelizmente, muitas vezes, mesmo em relações matrimoniais saudáveis e estáveis, algumas mulheres tendem a tomar para si todo e qualquer cuidado relacionado à criança. É preciso que ela deixe o pai assumir funções e tarefas cotidianas de cuidado, educação, lazer, porque são essas ações que possibilitam vínculos saudáveis”, enfatiza o psicólogo Cristiano Liveraro.

A jornalista Flávia Vargas Ghiurghi tem orgulho de dizer que seu marido, Gianfrancesco, sempre foi participativo na criação de seu filho Rafael, hoje com 12 anos. "O primeiro banho do Rafa, assim que nasceu, foi dado pelo pai. Foi ele também que o ensinou a andar de bicicleta, a nadar, a cozinhar e, atualmente, o ensina a praticar seu hobby, o aeromodelismo”, conta.

Segundo ela, é um pai que procura saber sobre tudo da vida dele: estudos, amizades, namoradinhas. “Não há dúvidas de que a atenção do pai é fundamental para a formação e criação da identidade de um filho", avalia.

Pai ausente

A falta do pai é sempre prejudicial. Embora a mãe possa exercer certas funções paternas, como as relacionadas ao limite, a ausência do pai enquanto modelo pode trazer uma série de fantasias e consequências, mais ou menos sérias, dependendo do convívio da criança com outras figuras masculinas.

“Se a criança tiver uma variedade de figuras masculinas para se identificar, o problema se dilui um pouco. Caso contrário, o problema cresce na medida em que ela não terá modelos para se projetar. Nesses casos, é comum que ela busque referências entre os amigos, com os pais dos amigos, mas essa não é uma condição favorável”, explica Maciel.

No caso de pais separados, segundo o psicólogo Fábio Roesler, não basta apenas ser um bom pai durante os dias em que está com a criança, é preciso ouvi-la diariamente e tentar participar o máximo possível.

“Mesmo que não seja possível estar presente fisicamente sempre, é importante que o pai marque essa presença de outras formas, por exemplo, por meio de ligações telefônicas, mensagens e afins. É fundamental que ele se esforce para viver o dia a dia do filho como se não estivessem em casas separadas”, afirma.

De pai para filho

Não é preciso esperar a criança estar apta a jogar bola para participar de sua vida, pelo contrário, é importante que o pai marque presença desde sempre. Com a ajuda dos psicólogos entrevistados, selecionamos 5 dicas importantes:

  1. Crie vínculo desde a gestação: leia, vá às consultas e acompanhe os exames e experimente conversar com a barriga - se você estiver morrendo de vergonha, lembre-se: só você, sua mulher e seu filho saberão.
  2. Mãos à obra! Quem disse que mulher nasce sabendo ser mãe? Do mesmo jeito que elas aprendem, os homens também. Então, não tenha medo e troque fraldas, dê banho. Se ele ainda é aleitado ao peito, ajude fazendo-o arrotar. Busque confortar o pequeno em um momento de desconforto. No começo, pode parecer difícil, mas logo vem a prática.
  3. Tenha tempo: quando estiver em casa, participe da rotina da criança, procure fazer ao menos uma refeição com seu filho, ouça o que ele tem a dizer. Mesmo naquela fase em que você não entende uma palavra sequer, travar diálogos é delicioso! Brinque, leve para passear, conte uma história ou simplesmente aninhe seu pequeno.
  4. Demonstre afeto: as crianças precisam se sentir amadas. Procure mostrar ao seu filho como ele é importante para você, beije e abrace a criança e sempre retribua suas demonstrações de carinho.
  5. Tenha responsabilidade: não deixe apenas para a mãe decidir o que é melhor para a criança; tenha interesse nos assuntos referentes à criação e educação de seu filho. Debata com sua companheira e cheguem a um consenso. Uma família afinada possibilita um ambiente harmônico para o desenvolvimento infantil.

 

(Fotos: Getty Images)