Disney Baby

Desmame gentil

Por Marina Breithaupt

Conheça uma maneira de conduzir esse momento sem neuras

Desmame gentil

Mel acaba de completar 19 meses. Foram longas noites com mamadinhas intermináveis até que decidimos (mais eu do que ela) que já era hora de irmos para uma nova fase e encarar o desmame noturno.

Já falei aqui sobre como estamos lidando com essa questão, mas depois disso preciso dizer que já demos alguns passos para frente e outros para trás.

Como tudo na vida, mesmo quando estamos decididas a seguir um caminho, muitas coisas podem nos fazer mudar de rumo.

Na maternidade isso fica ainda mais claro porque são tantas expectativas e planos para outro ser e para uma relação que começa quase sempre com dificuldades.

Definitivamente expectativas são péssimas para a criação dos nossos filhos, bem como modelos e regras.

Fica fácil cair nas armadilhas dos padrões e aí se inicia um ciclo muito complicado...

Há muitos estudos, pesquisas e opiniões para todos os assuntos da vida dos bebês e das crianças. Tanta informação que muitas vezes nos tiram o foco do principal: o nosso bebê.

Ele é um ser único, com demandas especiais e que muitas vezes não correspondem aos estudos e muitos menos às nossas expectativas.

Isso ficou muito claro para mim há pouco tempo, quando decidi iniciar o processo de desmame noturno da Mel.

Me enchi de coragem e algumas técnicas e lá fui enfrentar a batalha das noites de conversas e choros nas madrugadas intermináveis.

Nesse processo descobri alguns textos falando sobre o "desmame gentil", ou seja, um desmame sem um rompimento abrupto, sem deixar a criança se sentir abandonada. Assim não é preciso negar o peito como se de uma hora para outra esse momento tivesse se tornado uma coisa negativa.

Como tudo que leio e pesquiso (e gosto, claro) tento trazer para o meu dia a dia e ver o que podemos aproveitar, o que combina com minha família.

O desmame gentil me trouxe muitas respostas para coisas que eu não entendia e ali encontrei muitas coisas que eu já sabia.

Eu sempre achei algumas técnicas beeem estranhas, como colocar coisas com sabores ruins no seio para que a criança passe a recusar. Isso sempre me pareceu um tanto cruel e nunca me imaginei fazendo nada parecido.

Só me restava conversar com a Mel, explicar porque o peito seria negado durante a noite. Também comecei a controlar a livre demanda durante o dia para que ela fosse se desligando desse nosso vínculo.

A ideia de um desmame mais gentil me trouxe essas confirmações e me levou um pouco além, percebi que o meu tempo não é o dela. Posso até iniciar o processo, mas o ritmo agora é ditado por ela, totalmente. Cabe a mim ir coordenando isso e a cada noite ir espaçando as mamadas, por exemplo.

Não tem sido um processo fácil, muito menos rápido, mas os resultados já estão aparecendo e me sinto muito mais confortável assim. Apesar de cansada, sei que estou dando a oportunidade do meu bebê aprender a ser mais segura e menos dependente do meu peito, pois muitas vezes ela não quer leite e sim um conforto para voltar a dormir.

Aos poucos, durante esse processo, vamos descobrindo novas formas de vínculos. Então quando ela acorda, antes de dar o peito, eu a pego, converso, mostro as estrelas, nino, canto, abraço... Estou oferendo novas formas para que ela entenda que não tem fome, portanto pode voltar a dormir sem mamar.

E assim temos seguido, tenho aprendido mais sobre ela nesse processo.

Um beijo,

(Imagem: Shutterstock.com)