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Engravidar depois dos 40 é possível

Na última década o número de mulheres grávidas com idade entre 40 e 50 anos aumentou 25% e isso é possível graças aos avanços da medicina

Engravidar depois dos 40 é possível

Fabiana Galrão engravidou com 41 anos. Depois de tentar naturalmente por 1 ano e meio, resolveu procurar um médico especialista para pesquisar se havia algum problema. “Fizemos todos os exames e não diagnosticamos nenhuma alteração, apenas o fator da idade”, diz. Em um primeiro momento, optou por um tratamento mais simples que não deu certo, mas quando a opção que tinha melhor taxa de sucesso foi escolhida, Fabiana engravidou de gêmeos.

Ela conta que pensou em desistir, mas que o sonho de ser mãe falou mais alto. “A parte mais difícil é a aceitação para fazer um tratamento, e ver que seu corpo não responde tão bem quanto um corpo mais jovem”. Por outro lado, depois de ter seu casal de gêmeos nos braços, Fabiana diz que não se arrepende de todo o processo. “Desde quando fiz o primeiro ultrassom e descobri minha gravidez minha vida mudou e foi a melhor sensação do mundo ver o desenvolvimento dos bebês, a natureza e a genética agindo, é mágico”.

A história de Fabiana vem se repetindo cada vez mais. A última edição da pesquisa de registro civil do IBGE mostrou que o número de mulheres grávidas com idade entre 40 e 50 anos cresceu quase 25% na última década, enquanto o aumento é ainda maior entre mulheres com mais de 50 anos. O avanço das técnicas de fertilização torna possível que as mulheres escolham o melhor momento de sua vida para engravidar. Mas ainda assim é preciso pesar os prós e os contras.

Se você está nesse dilema, veja o que dizem os especialistas abaixo.

Idade tardia

A menina, aos 13 anos, tem por volta de 300 a 400 mil óvulos e, a cada menstruação, mil óvulos são perdidos. Como eles não se regeneram, ou seja, esse estoque é para a vida, após os 35 anos há uma queda importante da fertilidade pela diminuição do número de óvulos. Começam a restar apenas os óvulos de pior qualidade e, por isso, diminui a chance de engravidar.

Chances de engravidar

Após os 40 anos, a chance de engravidar naturalmente são de 5%, diferente das mulheres entre 30 e 35 anos, em que os números giram em torno de 15 a 20%. Com a fertilização in vitro, a taxa sobe para 25% para mulheres de 40 a 42 anos. Próximo aos 44 anos, as chances caem para 10% e diminuem cada vez mais.

Para aumentar as chances

Manter uma rotina saudável, com uma boa alimentação, peso adequado à altura, rotina de exercícios físicos, consumo moderado de álcool e sem fumar, são medidas essenciais para diminuir a queda da fertilidade com o passar dos anos.

Quando procurar ajuda

Com 1 ano de vida sexual ativa – com relações de duas a três vezes por semana sem métodos anticoncepcionais – a taxa de sucesso de gravidez chega a 80%. Desses 20% que sobram, apenas 5% vão ter uma causa de infertilidade. Após os 35 anos, não precisa esperar 1 ano para procurar um especialista, com 6 meses já se deve buscar ajuda.

Se você já sabe que quer esperar

Congelamento de óvulos é a melhor opção atualmente. O ideal é que os óvulos sejam congelados antes dos 35 anos, para aumentar as chances de sucesso do tratamento. Dentre fazer ultrassom, internação, coleta de óvulos, laboratório, o valor gira em torno de R$ 9 mil. Atrelado a isso tem o custo de medicamento de indução da ovulação, de R$5 mil. Existe também a taxa de manutenção que é de mais ou menos R$ 400 a cada 3 meses. Quando decidir fazer a fertilização in vitro, o valor do procedimento será de R$ 6 mil a R$ 8 mil.

É melhor não adiar

Mesmo com tantos recursos, os médicos recomendam que casais que já sabem que querem engravidar não adiem. Isso porque, quanto mais tarde, maiores as chances de abortamento e de anomalias cromossômicas – Síndrome de Down, Síndrome de Edwards, Síndrome de Patau. Para a mãe, aumentam as chances de hipertensão e diabetes gestacional. No entanto, com um pré-natal bem controlado, esses problemas podem ser detectados precocemente e controlados para que a gestação transcorra bem. Os riscos para a mãe são muito relacionados à saúde física de cada pessoa. Mulheres de 40 anos saudáveis provavelmente vão ter um pré-natal muito próximo da normalidade.

Palavra do psicólogo

A vida moderna exige muitas vezes um modelo de sucesso nas relações profissionais, sociais e financeiras, drenando muitos anos e atrasando vários projetos como, por exemplo, uma gravidez. Aos 40 anos muitas dessas realizações foram atingidas e o momento de aumentar a família chega. Vêm também infinitas questões, como: Relógio biológico? Avó do próprio filho? Gravidez de alto risco? Fim da liberdade na vida? Filho saudável? Fim de um estilo de vida? Responsabilidades?

Um enorme caleidoscópio emocional se cria e os receios, estresse, fantasias, levam a um campo fértil para o desgaste físico e emocional. Essas demandas acabam por interferir na fluência da própria gravidez. O psicólogo pode e deve ser visto como uma ferramenta facilitadora e muitas vezes determinante para todo esse processo.

O acompanhamento psicológico tem que ser direcionado para o alívio de sintomas psicossomáticos, diminuição dos níveis de estresse, elaboração das novas prioridades para a gravidez e o preparo da gestante para o intenso período que terá a seguir. A adaptação ao seu novo status: “Mãe com um nenê nos braços”.

Fontes: Arnaldo Schizzi Cambiaghi, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva do IPGO, Luiz Eduardo Albuquerque, ginecologista especialista em reprodução humana da Fertivitro e Carlos Ramos de Souza Dias Filho, psicólogo clínico do IPGO.

(Foto: Getty Images)