Disney Baby

Eu não sabia que estava grávida!

Descobrir a gravidez quando ela já está bem avançada é mais comum do que se imagina

Eu não sabia que estava grávida!

A gente vê em filmes, seriados de TV e até fica meio pasma com as histórias de mulheres que descobrem que estão grávidas na sala de parto ou que passam boa parte da gravidez sem nem desconfiar de que há um bebê a caminho.

Aí você que se descobriu gestante nas primeiras semanas, porque o corpo não negava ou escondia os sintomas, se pergunta como isso é possível. Bem, é bem possível. Além disso, é mais comum do que se imagina e não tão difícil de acontecer.

Foi assim com a designer Carolina Tod, 24 anos, que só foi descobrir que Alice viria ao mundo beirando o sexto mês de gestação. “Eu tenho pedra na vesícula, então alguns sintomas – mesmo quando fui ao médico – acabavam sendo ligados a isso, e não à gravidez”, conta.  

A história da Carolina começou em setembro de 2014, quando foi fazer uma colposcopia. Alguns dias depois do procedimento, teve um mal-estar que a levou ao pronto-socorro. Lá, o médico quis fazer um exame de sangue para entender o problema. O resultado foi simples: gravidez.

“Eu nunca tinha tido menstruação regular, então para mim era normal passar longos períodos sem menstruar. Já passei 6 meses sem essa visita e, dessa vez, achei que era isso. Quando o exame ficou pronto, eles me falaram que, pela faixa de hormônio, eu estava grávida de pelo menos uns 3 meses.  Me mandaram para o ultrassom e foi aí que me liguei que estava mesmo grávida; quando vi a Alice se mexendo”, confessa.

Mas e a barriga? Até esse momento, Carolina não tinha engordado nadinha. A rotina corrida da época também ajudou a camuflar os sintomas. “Eu realmente não percebi porque era uma época em que o trabalho estava complicado, então eu mal dormia”, lembra-se.

Isso significa que às vezes ela virava a noite na agência em que trabalhava – e achava que o cansaço era por conta disso. “Depois, fui descobrir que já sentia Alice se mexendo e achava que era algo que tinha comido e não tinha me feito bem, essas coisas malucas que a gente pensa. Hoje, quando olho para trás, vejo que, se tivesse parado para pensar, talvez teria percebido o que estava acontecendo”, acredita.

Logo que confirmou a gravidez Carolina deu início ao pré-natal. A orientação do médico foi ficar atenta ao segundo ultrassom morfológico. Ele é que mostraria se o bebê estava saudável e dentro do peso. Alice nasceu em janeiro de 2015, completamente saudável. “Como estava tudo dentro do normal, não precisei fazer nada diferente do pré-natal”, revela.

Com Luana Martini, 31, gerente comercial, a situação foi diferente. Em dezembro de 2014, decidiu parar de tomar anticoncepcional, pois ela e o marido queriam um bebê. “Eu acreditava que, por eu tomar pílula há quase 20 anos, iria demorar pelo menos 1 ano pra engravidar”, lembra-se.

No mês seguinte, ela foi promovida no trabalho e, como o foco naquele momento seria a carreira, resolveu voltar a tomar anticoncepcional em fevereiro.

“Quando eu voltei, já estava grávida e não sabia. Em março fiz uma viagem de navio e passei muito mal, fiquei apenas no quarto e senti muita ânsia. Mas até então nunca imaginei que estivesse grávida. Achei que os enjoos fossem por conta do balanço do navio”, relembra. 

Como ela estava tomando pílula, a menstruação ocorria corretamente, então nem desconfiou. A descoberta veio no meio da festinha infantil de uma conhecida.

“Na hora que eu cheguei lá, quis ir embora por causa do cheiro da comida, do salão etc. Meu marido logo estranhou. Eu sempre comi de tudo, nunca tive problemas de náuseas. Fomos para casa, tomei banho e quando estava trocando de roupa, foi ele que olhou meu corpo e disse: ‘Você está grávida’. No dia seguinte fomos fazer o exame e deu positivo. Eu já estava entrando no quinto mês”, conta.

Há riscos?

O maior problema em descobrir a gravidez tardiamente é a falta de suplementação que deve ser feita nos primeiros meses, como o ácido fólico, que ajuda na formação do tubo neural do bebê.

Depois vem a rotina das grávidas. Muitas mulheres, sem saber que estão gestando, levam um ritmo normal de vida, que inclui bebidas alcoólicas e exercícios físicos de alta intensidade.

Renato de Oliveira, ginecologista da Criogênesis, explica que algumas gestantes podem apresentar sangramentos que normalmente são confundidos com menstruação, como foi o caso de Luana. Curiosamente, isso pode acontecer em intervalos aproximados de 1 mês.

Ele salienta que o pré-natal deve ser iniciado assim que a gravidez for revelada.

“O especialista fará uma avaliação geral da saúde da mulher. Há alguns exames que são indicados com o avançar da idade, como o ecocardio fetal. Além disso, retornos mais próximos e vigilância da pressão arterial são importantes para antecipar condutas frente a possíveis alterações”, comenta.

De acordo com ele, com um pré-natal adequado, é possível reduzir os riscos e fazer com que a mulher aproveite essa fase tão especial, visando maior segurança.

(Foto: Getty Images)