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Férias programadas ajudam pais a curtirem mais o nascimento dos filhos

Descanso? Que nada! Eles querem mais é trocar fraldas, acordar à noite, dar banho e aproveitar cada momento com os seus bebês

Férias programadas ajudam pais a curtirem mais o nascimento dos filhos

O nascimento de uma criança altera drasticamente a rotina de uma família. Para pais e mães de primeira viagem, cada acontecimento é um desafio, mas mesmo para os casais que já têm filhos, é uma nova dinâmica que se estabelece.

Em muitos casos, a presença full time do parceiro é fundamental para a mulher, por conta das limitações do período pós-operatório ou para permitir que ela tenha alguns momentos de descanso, já que as mamadas noturnas fragmentam o sono e o repouso.

Por esses motivo, mas também para curtir cada minuto ao lado do filho, muitos pais têm optado por programar as férias junto com o nascimento.

Foi o que aconteceu na casa da jornalista e escritora Heloísa Noronha, 44 anos, e do publicitário e fotógrafo Fernando Reis, 40 anos, de São Caetano do Sul (SP). Ele emendou um mês de férias aos dias de licença-paternidade previstos por lei e curtiu o máximo que pôde a companhia da filha Maria Eduarda, hoje com 7 anos (os dois aparecem na foto acima, pouco tempo depois do nascimento).

“Colocava música na hora do banho, conversava com ela, fazia massagem quando tinha cólica... Foi um período delicioso, que gostaria que durasse mais”, conta. Para a mãe, essa presença foi fundamental.

“A recuperação pós-cesárea foi meio chatinha, pois sentia muita dor, era difícil levantar ou segurá-la banho, por exemplo. De madrugada, ele a pegava no berço, a colocava nos meus braços para amamentar e ficava ao meu lado”, recorda-se.

No dia em que o Fernando voltou a trabalhar, Heloísa diz que “quase enlouqueceu”. “A Duda sempre foi boazinha, mas naquele dia chorou de manhã até à noite, de saudade. A criança sente esse carinho, esse cuidado, é um vínculo que se forma para a vida toda”, lembra.

Tarefas divididas

Encantados com o paternidade, os homens fazem questão de assumir diversas tarefas com um sorriso no rosto e o coração cheio de amor. É o caso do representante comercial Paulo de Tarso Fregonesi, 38 anos, de Guarulhos, em São Paulo (fotos abaixo). Como conta, desde que ele e a esposa “ficaram grávidos”, planejou fazer parte dos primeiros momentos de Celina, hoje com 3 meses.

“Há alguns pais que esperam para ‘conhecer’ seus filhos quando já estão maiores, mas a interação com o bebê deve começar o mais cedo possível. Isso é benéfico tanto para o pai quanto para a criança. É um vínculo que é criado e que ajuda a mostrar que o bebê pode contar com aquela pessoa também, além da mãe”, explica.

Paulo de Tarso diz que a única coisa que não faz é, obviamente, amamentar. “Troco fraldas, converso, tomo banho de chuveiro com ela desde a segunda semana de vida, faço caminhadas com no sling. A Celina gosta de me ouvir cantar, então minha vida se tornou um musical. Agora, em vez de falar, só canto!”, brinca.

Apoio que faz diferença

Para Aline Dini Borges Martins, 27 anos, diretora do blog Mãe aos 40, é fundamental para a mulher ter o apoio e a presença do parceiro nessa fase inicial. “Dá muita segurança, pois sei que posso contar com ele na hora em que precisar”, afirma Aline, mãe da pequena Heloísa, de apenas 1 mês.

“Minha mãe e minha irmã moram bem perto, mas elas têm a vida delas e não podiam estar comigo de madrugada, por exemplo. Acho que se o pai quer realmente fazer valer seu papel, esse é o momento de mostrar o companheirismo, ajudando da forma que sabe e como for possível”, acredita.

Com a palavra, o pai: “Quis participar ao máximo dessa fase e procuro ficar o maior tempo possível perto dela para aproveitar cada momento, que é cheio de novidades e evoluções”, relata Antonio José Martins da Silva, 42, programador.

Licença-paternidade estendida

Fortalecer o vínculo familiar e promover a igualdade de gênero são os propósitos das empresas que vêm ampliando o período destinado a licença-paternidade no Brasil – uma tendência mundial, inclusive.

No país, a lei atual estabelece entre 5 e 20 dias de licença-paternidade e entre 4 e 6 meses para licença-maternidade. O período de 20 dias – na verdade, uma extensão de 15 para os 5 previstos por lei para todos os pais – por enquanto vale apenas para servidores públicos federais e para funcionários de empresas privadas que fazem parte do Programa Empresa Cidadã.

Trata-se de um programa (regulamentado pelo governo em 2010) que possibilida ampliar o prazo da licença-maternidade das trabalhadoras do setor privado de 4 para até 6 meses. Para a empresa, a vantagem é poder deduzir de impostos federais o total da remuneração integral da pessoa em licença. Mas não são todas que podem aderir à ação; apenas aquelas que declaram impostos sobre o Lucro Real.

Infelizmente, segundo dados recentes da Receita Federal, só 10% desse contingente optou pelo programa. Alguns exemplos são a Avon, a Nestlé e a Natura – a segunda, no caso, optou por dobrar a licença para 40 dias.

A marca de roupas masculinas Reserva oferece 30 dias, enquanto a IBM possui um programa de trabalho flexível chamado “pós-natal para pais” que permite aos funcionários trabalharem 40% da jornada de casa durante quatro meses.

Desde janeiro de 2016, o Facebook adota a licença parental de 4 meses em todos os escritórios espalhados pelo mundo, enquanto no início de julho, o Twitter anunciou que passou a adotar a licença-paternidade de 20 semanas (quase 5 meses) para seus colaboradores no Brasil, prática iniciada na sede nos Estados Unidos em maio.

É o mesmo tempo de licença ao qual as mães têm direito após o nascimento do bebê, válido ainda para casos de adoção. Segundo as gigantes das redes sociais, é saudável que seus colaboradores criem elos com seus filhos desde os primeiros dias de sua existência. Pais felizes, funcionários mais satisfeitos.

(Fotos: Arquivos pessoais)

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