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Filhos em um lado, mosquito da dengue em outro

Proteger os pequenos do Aedes aegypti requer escolha de produtos certos e cuidado com a casa

Filhos em um lado, mosquito da dengue em outro

Entra ano, sai ano, algumas regiões do Brasil enfrentam problemas com surto de dengue. Nessas ocasiões, as mães ligam o alerta e (é claro!) buscam a melhor maneira de proteger seus filhos. Aí surge uma dúvida gigante: recorrer ao repelente ou não? A resposta é: depende. Isso porque o produto só é recomendado a partir dos 2 anos de idade.

Carolina Marçon, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que, mesmo o repelente prometendo ser seguro em recém-nascidos, não é aconselhável usá-lo, devido aos conservantes e substâncias alergênicas. Segundo ela, proporcionalmente a área corpórea do bebê é muito maior do que o peso, o que pode aumentar o risco de reações alérgicas e intoxicação.

"Dos 3 meses aos 2 anos o ideal é procurar orientação médica. Geralmente são indicados repelentes à base de citrodiol, com uma concentração inferior a 50%”, frisa. A partir dos 2 anos, já é possível liberar produtos que levam outros elementos em sua composição - recomenda-se, entretando, seguir a indicação médica.

“É importante sempre optar por marcas conhecidas e que tenham aprovação da Anvisa”, lembra. Na hora da escolha, prefira os produtos em gel ou creme, pois eles têm absorção mais rápida.

Já os repelentes à base de óleo de eucalipto e seus derivados só são indicados a partir dos 3 anos. Em crianças maiores, eles até podem ser aplicados, mas, no máximo, três vezes ao dia. Além disso, a dica é lavar as mãos depois de usar o produto, para não correr o risco de contaminar olhos ou boca.

A diferença entre os repelentes

Antes de aplicar repelente nas crianças, é preciso saber que há dois tipos do produto: à base de citronela ou DEET, um composto químico. O primeiro é extraído de uma planta natural, que combate os insetos pelo odor.

O segundo é sintético e tem a função de reduzir o odor das pessoas que atrai os insetos. A DEET pode ser tóxica aos humanos e, a longo prazo, provocar até problemas cardíacos e neurológicos.

Por isso, o uso tem restrições, principalmente para crianças, idosos, grávidas e portadores de doenças respiratórias, que devem priorizar os produtos naturais.

A absorção desse composto tóxico também pode causar complicações, como: dermatite de contato, insuficiência renal, hepatite, urticária e comprometimento do sistema nervoso.

"Em crianças, esse risco aumenta, já que são mais vulneráveis. A pele delas é mais fina, com absorção maior e metabolização ainda insuficiente, tornando-a mais exposta a intoxicações", garante Carolina.

Apesar de o DEET ter contraindicações, há mais de 50 anos ele é o composto prevalecente nos repelentes, pelo fato de não haver outra substância com eficácia semelhante que possa substituí-lo, inclusive os naturais.

Além dos repelentes

O que fazer, então, se tais produtos estão proibidos para menores de 2 anos? Outras formas de prevenção podem ser usadas para manter os mosquitos transmissores Aedes aegypti bem longe.

A dematologista Carolina Marçon explica que o filtro físico ainda é a opção mais eficaz. Por isso, cubra as áreas mais atacadas – pernas e braços – com roupas. Isso evita a aproximação dos mosquitos, que são atraídos pelas regiões expostas do corpo.

O segundo passo é equipar a casa. Nesse quesito, você pode investir em:

  • Espirais ou vaporizadores elétricos: ligue-os ao amanhecer e/ou final da tarde, antes do pôr do sol, horários em que o mosquito da dengue mais pica. Sempre na parede oposta à da cama, ok?
  • Mosquiteiros: são recomendados sobretudo para casas e ambientes com crianças. Cubra as camas e outras áreas de repouso, dia e noite.
  • Inseticidas: ainda como forma de prevenção, muitos inseticidas podem servir de arma contra os insetos sem agredir as pessoas. Recorra aos modelos que não oferecem contato direto com a pele, como as versões que são plugadas em tomadas. Evite inseticidas em aerosol, que podem causar dores de cabeça e alergias nas pessoas sensíveis à formulação. Também vale a pena investir em produtos à base de citronela, que afastam os insetos sem trazer riscos para a saúde, por causa do seu óleo essencial, rico em geraniol e citronelal, substâncias responsáveis por exalar o perfume que deixa os insetos bem longe.

 

Evite que os insetos se proliferem

O Aedes aegypti é atraído pela umidade e, por isso, a água parada é o ambiente ideal para a proliferação da dengue. Nem precisamos falar que você pode ajudar na prevenção, eliminando toda e qualquer água acumulada em recipientes. Sem contar que algumas precauções minimizam os riscos de alguém ser picado pelos insetos:

  • Aprenda a reconhecer os ninhos e abrigos de insetos e fique de olho se não encontra situações similares na sua casa.
  • Use sempre calçados e meias quando andar no quintal ou outros ambientes fora da casa.
  • Opte por camisas de manga comprida, calças, meias e sapatos quando estiver em alguma área de mata.
  • Perfumes tendem a atrair insetos. Por isso, evite-os.
  • Aplique inseticida nas latas de lixo e as mantenha sempre bem fechadas.
  • Remova plantas que possam atrair insetos e que estejam ao redor da casa.

 

(Foto: Getty Images)