Disney Baby

Lições que eu não esperava aprender com a maternidade

Por Samantha Shiraishi
@maecomfilhos

A verdade é que desde que meus filhos nasceram eu sempre penso em “ganhar tempo” para ficar com eles. Aprendi que o conselho “aproveite, passa rápido” é absurdamente verdadeiro

Lições que eu não esperava aprender com a maternidade

Está escuro lá fora e eu não consigo mais dormir depois de atender a uma crise de choro da minha filha por um sonho que a incomodava. Luto contra a falta de sono ou encaro a realidade inevitável de que o dia vai começar às 5 horas da manhã, apesar de as crianças estarem em férias da escola e meu compromisso de trabalho ser só às 10h30?

Levanto, faço um chá quentinho e decido trabalhar e adiantar umas coisas. Não estou pensando (só) em estar mais liberada depois para poder descansar e compensar a falta de sono. A verdade é que desde que meus filhos nasceram eu sempre penso em “ganhar tempo” para ficar com eles.

Simples assim.

Como mãe de três, de idades tão distintas, eu sei que o conselho “aproveite, passa rápido” é absurdamente verdadeiro. Eles crescem num piscar de olhos e dá saudade de cada detalhe, de cada minuto, de tudo que a gente tenta fotografar para não perder e ao mesmo tempo viver para não deixar se esvair.

E a vida é mesmo como a água, que a gente tenta segurar nas mãos, mas se vai pelo meio dos dedos. O único jeito que eu descobri que funciona para reduzir esta angústia é viver ao máximo cada dia.

Daí me lembrei nesta madrugada (eu me recuso a chamar de manhã esses momentos de escuridão antes do dia efetivamente começar) de um texto que li há um tempo e que falava das lições que não esperávamos aprender com a maternidade. Ele começava dizendo que “não podemos ser egoístas”.

A princípio pensei: nesta eu não caio. Mas a verdade é que, como Laura Hartmann, eu não fazia ideia do quanto minha vida girava apenas em torno de mim e dos meus interesses até ter filhos.

E curiosamente, descobri, com a maternidade tardia da terceira filha, aos 40 anos, que conforme os meninos cresciam, eu fui retomando muito da minha individualidade e “egoísmo”, que agora já sei que não somem, mas estão em stand-by em algum lugar, esperando a chance de poder voltar a me colocar em primeiro lugar quando os filhos não precisarem mais de mim.

Afinal, antes de ter filhos, confesso, jamais levantaria cedo no inverno (a TV agora diz que estamos com 14 °C na cidade) para adiantar trabalhos, forçaria o sono a voltar e aproveitaria. Isso, claro, depois de praguejar muito contra quem me acordou fora de hora!

Me peguei pensando em outras lições que eu não esperava aprender com a maternidade:

Deixe passar. Talvez eu fosse controladora, mas acho que, acima de tudo, como irmã mais velha de uma família diferente (em constante mudança de endereço e de empregadas, com 3 irmãos mais novos e pais separados que trabalhavam muito), eu pensava que poderia resolver as coisas e planejar o futuro. Os filhos me ensinaram que, na maioria das vezes, não tem jeito e as coisas não serão nem um pouco parecidas com o que você imaginou, mas nem por isso são ruins.

Esteja sempre prevenida. Claro que continuo uma aquariana com a cabeça no futuro, por isso ainda carrego coisas no porta-malas do carro para tentar prever situações corriqueiras com filhos - de roupa suja que precisa ser trocada a mudanças de temperatura que podem representar dias de resfriados!

Aproveite os momentos. Cada um deles. Nem me refiro a sentar e brincar, deixar os compromissos para depois, porque sinceramente acho que isso é chover no molhado, todo mundo sabe e tenta fazer na medida do possível. Falo de se permitir aproveitar o que a vida dá porque tudo muda o tempo todo. Se puder emendar uma viagem a trabalho para uma cidade maravilhosa com uns dias de férias em família, faça, pois nunca se sabe quando poderão tirar folga juntos de novo! Afinal, se o seu trabalho ou do seu marido não atrapalharem a agenda, sempre pode acontecer uma recuperação escolar a mudar seus planos…

Não conte vantagem. A vida com filhos é tipo “o trânsito de São Paulo”: se você elogiar, desanda tudo! (risos). A gente acha que venceu uma etapa, comemora e tudo volta à estaca zero. A maternidade é um exercício de adaptabilidade e improviso; está mais para um vaso de plantas sensíveis do que para um quadro que terminamos e depois podemos apreciar.

Aprenda a conviver com as diferenças. Antes de ter filhos achamos que quem não consegue fazer a criança comer exatamente o mesmo cardápio dos adultos ou opta por tirar tudo que quebra do alcance das pequenas mãos é incompetente. Depois dos filhos sabemos que essa pessoa é sábia porque não vale mesmo a pena lutar por um comportamento uníssono quando se reúne mais de 2 pessoas numa mesma casa!

E o principal: um abraço e uma soneca são remédios universais. É exatamente o que estou precisando agora que o dia finalmente clareou e vou aproveitar para ficar com quem eu amo, pois, depois de ter filhos, aprendi também que um sorriso e um abraço operam verdadeiros milagres.

(Foto: Freeimages)