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Mordedor ou rei dos tapas? Saiba como lidar com essa fase

Chega a hora dos tapas e mordidas, em casa e na escola, e isso é apenas um meio de os bebês se comunicarem e expressarem suas frustrações; o importante é saber como ajudá-los

Mordedor ou rei dos tapas? Saiba como lidar com essa fase

A maternidade realmente tem muitos desafios. Mas depois que se passa a fase de cuidados básicos, em que você aprende a alimentar, lidar melhor com o sono, superar a crise dos dentes, chega a hora da birra, chega a hora de educar.

De repente, você se depara com seu filho te dando um tapa ardido na cara. Depois, recebe um bilhete da escola contando que ele foi mordido em uma disputa por brinquedos.

Essas histórias brotam em rodas de mães. Para evitar nomes, constrangimentos e julgamentos, todas as personagens dessa matéria serão chamadas de Mãe.

História da Mãe 1: “Teve uma vez que dei um tapinha nele e ele me deu de volta, então achei melhor não bater para não incentivar. Hoje, com 3 anos, eu evito bater, mas tem horas que perco a paciência e dou um tapinha, ele dá risada ou me bate também. E quando ele fica nervoso, às vezes ele me bate e logo chora”.

História da Mãe2: “Minha filha é a rainha dos tapas. Ela começou um pouco antes de fazer 1 ano e bate em todo mundo! Socorro. Em mim, no papai, nas avós, tias, amigos! Terrível. Ela bate na escola também, mas está diminuindo, porque respeita a professora. Eu morro de vergonha, porque se alguém chega perto dela, tenho que correr para ela não bater. Acho que agora que vai fazer 2 anos está melhorando, mas uma vez por dia bate em alguém e me conta sempre! ‘Bateu amigo, bateu papai’. É bem difícil”.

História da Mãe3: “Meu filho começou sendo mordido. Primeiro fiquei com raiva da criança (rs), depois da mãe e por fim me aliviei porque fui buscar conhecimento e vi que era normal da fase. Mas quando virou rotina ele morder ou vir mordido, fiquei bem brava com a escola, via nas câmeras um certo ‘desleixo’ nos cuidados. Tinham crianças efetivamente mordedoras, havia até uma auxiliar de sala exclusivamente para cuidar delas. Como nada mudava, resolvi mudar de escola. A dona da nova escola me disse que a própria filha era mordedora. A solução que encontrou era ver se a criança estava ociosa, ansiosa, se tinha preferências e fez as professoras prestarem mais atenção nesses quesitos. Meu filho foi mordido uma vez e arranhado uma vez na nova escola. Ele também empurrou uma vez uma colega. Percebe? É um número muito abaixo dos ‘acidentes’ da outra escola, a atenção que eles dão para o problema faz diferença”.

O que diz uma profissional?

Para dar uma luz para mães e pais que se encontram nessa situação, conversamos com a psicóloga Tatiana Serra, especializada em atendimento de crianças e adolescentes e orientação familiar.

O que os pais devem fazer quando o bebê começa a manifestar a raiva com tapas e mordidas?

Tatiana Serra: Mediar a situação, entender o que motivou o comportamento de raiva e ajudar a criança a administrar a situação. Em caso de mordidas e tapas, bloquear o comportamento e pontuar para a criança que ela está com raiva e que irá ajudar a lidar com esse sentimento, mas que não é através da agressão que isso será feito.

Morder de volta ou dar um tapa para a criança ver que dói, é uma solução adequada?

TS: Os pais jamais devem repetir o comportamento da criança. Se ela agiu assim em uma situação de descontrole emocional, quando você morder e bater de volta, só vai reafirmar que é assim que se lida com essas sensações. Imagine o desalento da criança ao saber que o pai/mãe, que deveriam ter o controle da situação, não tem. A insegurança ao perceber que nem o adulto sabe lidar com a raiva. Então jamais devolva o tapa na tentativa de mostrar que dói, porque já está doendo emocionalmente para ela lidar com suas emoções.

E quando esse problema se estende para a escola e o bebê começa a morder os coleguinhas?

TS: Quando se estende para a escola é preciso a mediação do professor e, quando passar dos limites, os pais devem ser chamados para orientação e para entender o que vem acontecendo na dinâmica familiar que pode estar mantendo esses comportamentos. E, se for o caso, encaminhar para um psicólogo.

No caso da sua criança ser a agredida, o que os pais podem fazer?

TS: Procurar entender o contexto em que isso ocorreu, escutar atentamente e depois tomar precauções. Porque a criança precisa ser orientada em como se defender, que pode ser pedindo ajuda para um adulto e, quando aprender a se comunicar melhor, dizer para o colega que o bateu que sua ação não foi legal. Tudo de acordo com a faixa de idade.

Até que momento a situação é aceitável e normal e quando saiu do controle?

TS: É normal quando ocorre pontualmente entre seus pares, quando a criança é contrariada. Passa dos limites quando acontece a todo momento, por exemplo, em um período de 3 horas a criança bater a maioria das vezes, ou a cada vez que for contrariada.

É importante pontuar que todas as emoções são válidas e precisam ser reconhecidas, respeitadas, e à medida em que a criança vivencia, ela aprende, seja por meio dos exemplos dos adultos ou pela própria experiência ao lidar com esses sentimentos.

A raiva é necessária, afirma que as coisas não estão em nosso controle e que não somos donos de todas as verdades, e as crianças precisam ser ensinadas a lidar com isso.

Os pais precisam deixar seus filhos serem contrariados e sentir essas emoções para, assim, ensiná-los a lidar com elas.

Se a criança nunca precisou lidar com raiva e frustração, como vai se virar na vida? Porque o tempo todo somos frustrados e sentimos raiva por isso, mas o que fazemos?

(Foto: Getty Images)