Disney Baby

Para as mães: vocês merecem ser felizes!

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Você também já sentiu culpa por ter um momento de felicidade sem os filhos?

Para as mães: vocês merecem ser felizes!

Talvez eu comece este post sendo um pouco polêmica: a verdade é que, há tempos, tenho percebido que existe um sentimento materno dos mais esquisitos, injustificados e verdadeiros - a culpa de ser feliz. Claro que nem todas as mães a sentem, mas confesso que em alguns momentos já a senti. Não de uma forma escancarada, óbvia, que você identifica de cara. Mas sei que ela estava ali, escondidinha, como quem não quer nada, só esperando sua vez de aparecer.

Engraçado como eu só me dei conta dessa culpa quando a enxerguei em outra mãe. Sabe aquela pessoa que faz tudo certinho? É carinhosa com os dois filhos, sai de casa para trabalhar (mas tendo preparado o lanche da escola e deixado os meninos vestidos com uniforme, prontos para serem levados para o colégio pelo marido), volta correndo para buscá-los, senta junto para fazer a lição? Pois essa é minha amiga! Ela se dedica à família, tenta equilibrar os pratos de esposa, mãe, filha, dona de casa, profissional; e se não tira nota máxima em todas as áreas (porque, afinal, ela é humana), chega bem perto disso.

Como presente de 10 anos de casamento, o marido deu a essa amiga uma viagem para a Europa, acreditam? Tudo combinado, avós a postos para receber os netos, férias combinadas com o chefe, esposo sorrindo de orelha a orelha porque teria a mulher só para ele por duas semanas, depois de anos sem viajarem sozinhos. E quando eu achei que essa amiga estava com as malas prontas, recebo seu telefonema choroso:

- Pois é, acho que não vou mais viajar.
- Puxa, mas o que aconteceu, os meninos ficaram doentes?
- Não, eles estão ótimos, não pegam nem gripe há mais de um ano!
- Sua mãe não poderá ficar com eles? Ah, é o trabalho, cortaram suas férias?
- Não, minha mãe adorou a notícia de que vai ficar com os netos, até comprou pijaminha novo para eles. E no emprego vou ter que tirar esses dias de qualquer jeito, agora não consigo remarcar.
- Mas então por que você não vai? Brigou com o marido? Bem agora?
- Não, Nívea, ainda não contei para ele que não vou. Aí sim que eu acho que vamos brigar.
- Não entendi, querida. Por que você não vai, afinal, se está tudo combinado, o esquema todo montado?
- Sabe, é porque eu não sei se vai ser bom. Tenho medo de gostar tanto, que vou me sentir culpada por ter tido dias felizes sem meus filhos. Tenho receio de redescobrir minha vida sem eles, e sentir saudade. No fundo, é isso.

Essa poderia ser uma história fictícia, mas não é. E por mais estranha que pareça aos olhos de quem não tem filhos, é perfeitamente compreensível para uma mãe que dedicou os últimos anos à criação dos pequenos. É como se, com a chegada da maternidade, você não tivesse mais direito à existência própria. A gostar de estar sozinha, de participar do mundo dos adultos, onde criança não entra.

Depois de muita conversa, essa amiga resolveu viajar (contrariada, mas foi). E quando voltou, era a pessoa mais alegre que eu vi nos últimos tempos!

Ela percebeu que seus filhos ficaram bem sem ela, que seus pais aproveitaram a experiência com os netinhos sem a sua interferência, que seu casamento tomou um novo fôlego, que o marido voltou com uma vontade dobrada de ajudar em casa. Ela viu que uma mãe merece (e precisa) ser feliz! Porque, com isso, ela espalha felicidade ao seu redor - sem culpas, sem medos, sem prisões.

(Foto: 123RF)