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Primeiros passos: veja qual o melhor modelo de calçado para os bebês

Modelos duros podem prejudicar o desenvolvimento dos pés, o ideal é aproveitar algumas situações para deixar os pequenos descalços

Primeiros passos: veja qual o melhor modelo de calçado para os bebês

Os primeiros passos, com certeza, são um dos marcos mais esperados no primeiro ano de vida dos bebês. Alguns são precoces, outros precisam de mais tempo.

O fato é que a conquista é para ser celebrada, pois a partir daí que os pequenos se tornam grandes exploradores do mundo.

E será que seus pés precisam estar protegidos para essa exploração? Como resistir aos modelos lindos de tênis e sapatos pequeninos?

O importante é saber que existe sim a necessidade de um calçado que isole os pés do frio ou de um chão que possa machucar a pele delicada dos bebês. “Sempre usei um modelo que simula o pé descalço, mas molhava nos dias de chuva. Optei por um calçado semelhante ao tênis de adulto, meu filho parecia andar de salto alto”, conta Clara Cabrera, que tem um bebê de 1 ano e meio.

“O importante é que o calçado não atrapalhe o caminhar da criança”, diz o ortopedista pediátrico, Nei Botter, da Clínica de Especialidades do Hospital Israelita Albert Einstein.

O modelo ideal
O médico explica que o calçado deve ter a sola mais flexível, que permita que os dedos – principalmente o dedão – faça o movimento de dobrar na hora de tirar o pé do chão. “Esse movimento é importante para que a musculatura da planta do pé e da perna vá se desenvolvendo e tenha uma função melhor e uma forma melhor. O calçado que imobiliza age como se o pé da criança tivesse um gesso”, afirma.

Também é preciso ficar atento à parte de trás, que fica no calcanhar. Ela tem que ser mais firme. “Não é para melhorar a forma, mas para que o pé não fique deslizando. É uma questão de firmeza. Como a criança está aprendendo a andar, se o pé estiver instável, vai piorar o desenvolvimento”, diz Botter.

Já a parte superior também deve ser maleável, pois se for muito dura, impede o movimento de flexão do pé. E se o fechamento for de velcro e a criança for pequena, é melhor optar por um modelo de um velcro só. Vale apertar o calçado com os dedos para testar os movimentos na parte em que ficam os dedos dos pequenos.

“Hoje no mercado existem muitos modelos flex, que são mais indicados”, afirma o ortopedista.

Essas dicas devem ficar na cabeça dos pais até pelo menos os 8 anos das crianças, quando pé está desenvolvido.

O melhor é ficar descalço
No passado, utilizavam-se as botas ortopédicas para corrigir a forma do pé, associado à palmilha para formar o arco. Botter explica que esse foi um grande equívoco. “A natureza tem seus mecanismos para desenvolver os pés”, acredita.

Com pesquisas, foi descoberto que a movimentação livre é importante para o desenvolvimento muscular, dos ossos e melhor fica o andar e o formato.

Isso quer dizer que, para aprender a andar em si e desenvolver a musculatura e o formato do pé, nada melhor que andar descalço. Aproveite a areia, a grama, o chão de casa, para deixar os pequenos livres de sapatos. Descalça, a criança tem mais contato com o solo e a própria sensibilidade do pé vai aumentando.

Alerta
O médico enfatiza que alguns modelos que estão na moda, com solado alto, mais duro e aberto atrás, preso apenas por uma tira, são extremamente ruins para as crianças.

“Trabalhos científicos mostram maior número de fraturas por quedas em crianças que usam esse calçado. O uso deve ser restrito a algumas situações – como chão molhado, por exemplo. Para utilização continua, eu desaconselho, pois a criança está desenvolvendo sua habilidade neuromotora e a sola alta e dura não são ideias para essa fase”.

(Foto: Getty Images)