Disney Baby

Sobre desejar congelar o tempo, para não ver um filho crescer

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Você também sente que está vivendo a melhor parte da vida do seu filho?

Sobre desejar congelar o tempo, para não ver um filho crescer

Hoje, colocando minha filha para dormir, deitei em sua caminha, junto com ela. Catarina atualmente não gosta de cafuné: prefere um carinho nas costas - é só começar a fazer que em menos de dois minutos a pequena está em sono profundo.

Ali, bem pertinho da sua cabeça, senti o cheirinho do shampoo infantil naquele cabelinho tão fino. Me lembrei que há pouco tempo ele tinha mil cachinhos, que sumiram depois dos primeiros cortes. Uma pena, eu adorava cantar "Debaixo dos caracóis dos seus cabelos", de Caetano Veloso, enquanto sentia os anelados entre meus dedos.

Ser mãe é estar sempre se despedindo, e mesmo com uma filha pequena, as despedidas já foram muitas (além dos cachinhos).

Lembro-me do dia em que me despedi da ideia de ter um segundo filho e acabei doando todos os itens de bebê que Cacá já não usava mais. O bebê conforto, a cadeirinha de alimentação, as primeiras roupinhas do enxoval... Claro que deixei alguns conjuntinhos de lembrança, como o macacão rosa que ela usou em seu primeiro dia de vida.

Sempre que me despeço de algo que marcou seus primeiros anos, sinto uma vontade enorme de congelar o tempo, para evitar um futuro adeus.

Queria que ela continuasse com o mesmo tamanho, que vestisse as mesmas roupas pequenas, que suas mãos continuassem a caber dentro das minhas. Aliás, queria que ela inteira coubesse para sempre debaixo das minhas asas, e que eu continuasse a lhe bastar da mesma forma como acontecia nos primeiros meses de vida. Tem como esquecer aquele olhar do bebê que te diz que você é o mundo inteiro dele?

Queria que Cacá não tivesse problemas maiores do que o brinquedo que quebrou ou o alimento que precisa comer, mas do qual não gosta muito. Queria que suas lágrimas mais intensas fossem causadas por uma simples crise de birra. Queria que ela preservasse a alegria de quem sabe que é amada, protegida, e que dentro de casa todas as dificuldades se dissolvem.

No fundo toda mãe gostaria de ter uma máquina do tempo. Para congelá-lo, para voltar àqueles momentos deliciosos, como a primeira apresentação de fim de ano na escola, em que o filho mal falou, mas lhe mandou um beijo. Como não é possível, cabe a nós, mães, o dever e o prazer de aproveitar cada instante como se ele fosse o último.

(Foto: 123RF)

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