Disney Baby

Uma forcinha para quem não consegue engravidar

1 em quase 7 casais pode apresentar dificuldades para engravidar naturalmente. A boa notícia é que técnicas de reprodução assistida estão aí para ajudá-los

Uma forcinha para quem não consegue engravidar

Estudos apontam que cerca de 15% dos casais podem enfrentar algum tipo de dificuldade para engravidar naturalmente.

O problema pode até ser mais comum do que se imagina, mas é fundamental entender bem o que significa “ter dificuldade para engravidar” e quais são as causas mais prováveis dessa situação.

Nosso corpo não é uma máquina e, por isso, não há garantias de que a gravidez vá acontecer de um dia para o outro. Portanto, o primeiro passo dos casais que estão querendo aumentar a família é ter muita paciência e tranquilidade para que o processo seja o mais natural possível.

Assim como existem mulheres que engravidam de uma hora para outra sem querer, outras podem levar meses. Quando, então, essa demora sai do normal e merece atenção especial?

O médico especialista em reprodução assistida, Gabriel Monteiro Pinheiro, observa que somente após um ano de tentativas sem sucesso é que se começa a estudar a possibilidade de infertilidade.

“São muitos os fatores que contribuem para que esses casais não engravidem. A reprodução assistida é o conjunto de técnicas utilizadas para identificar possíveis patologias ou fatores de risco para infertilidade”, explica.

Entre os principais obstáculos à gravidez espontânea estão a maternidade tardia, a endometriose e a anovolução – quando a ovulação não ocorre. “Hoje as mulheres optam por engravidar depois de alcançarem a estabilidade na carreira, o que não condiz com sua reserva ovariana, que começa a sofrer declínio já aos 30 anos até enfrentar uma queda vertiginosa aos 35 anos”, destaca o especialista.

No caso da endometriose, o processo inflamatório que danifica da região pélvica às tubas é um dos principais agentes dificultadores da gravidez, enquanto a ausência de ovulação pode aparecer nas pacientes com ovários policísticos. “Além disso, homens com taxas reduzidas de espermatozóides se mostram também como uma causa recorrente”, acrescenta o médico.

O lado positivo é que nem tudo está perdido. Com a evolução da medicina, existem diversos tipos de tratamento para os mais variados empecilhos à gravidez.

O casal que sente dificuldades após 1 ano de tentativas (ou 6 meses para as mulheres com mais de 35 anos) deve procurar um médico para passar por uma série de diagnósticos e, caso algum problema seja identificado, iniciar um tratamento de reprodução assistida. Algumas das técnicas mais conhecidas são:

  1. Indução de ovulação: a ovulação é estimulada por medicamentos e o processo é acompanhado por um ultrassom. A partir daí o médico indica as datas mais favoráveis para a relação sexual. É recomendado para pacientes com ovários policísticos.
  2. Inseminação intraulterina: além da indução da ovulação, há um preparo do sêmem para seleção apenas dos espermatozóides capacitados que, em seguida, são transferidos para o colo do útero.
  3. Fertilização in vitro: após indução da ovulação, os óvulos maduros são retirados por uma agulha fina pela vagina com ajuda de um ultrassom. Paralelamente, um espermograma seleciona os espermatozoides mais capacitados e a fertilização ocorre no laboratório. O embrião é formado e acompanhado por alguns dias até ser transferido de volta para o útero entre o terceiro e quinto dia, dependendo de seu desenvolvimento.
  4. Injeção intracitoplasmática de espermatozoides: o processo é muito similar à fertilização in vitro, com a diferença que o melhor espermatozoide é selecionado e injetado diretamente no interior do óvulo. 

Sobre a efetividade desses tratamentos, é importante gerenciar as próprias expectativas, já que, apesar de as chances de engravidar aumentarem, não há certeza de que vai dar certo.

De forma geral, a indução de ovulação é bem-sucedida em 25% dos casos, enquanto a fertilização in vitro e injeção intracitoplasmática apresentam taxas de 43% de sucesso. “Essas probabilidades, entretanto, variam muito caso a caso”, pondera o médico.

“A idade materna é a variável mais importante. Quanto mais nova a paciente, mais chances ela possui. A saúde dos ovários é outra variável de destaque: uma paciente que sofreu alguma cirurgia ovariana ou retirada de um ovário tem condições físicas menos favoráveis à reprodução”, esclarece Pinheiro.

A permeabilidade tubária é outro fator importante, já que gametas e embrião dependem da tuba para serem transportados até o útero. Por fim, vale lembrar que a aplicação de técnicas de fertilidade possui um outro “risco” significativo: as gestações múltiplas. “Isso acontece pela superestimulação ovariana e na transferência de um número maior de embriões para dentro do útero. Também vem associado ao aumento nos riscos de prematuridade”, afirma o especialista.

Com o crescimento da incidência de gestações múltiplas desde que as técnicas de reprodução assistida passaram a se tornar mais recorrentes, o Conselho Federal de Medicina criou uma lei que atribui um limite máximo de embriões a ser transferido para o útero, conforme a idade materna.

Assim, mulheres com menos de 35 anos podem receber até dois; acima de 35, três; e, depois dos 40, elas podem receber até quatro embriões.

(Foto: Getty Images)