Ecologia e Meio Ambiente

Quando a fofura é excesso de gordura

Saiba como identificar se o seu bichinho está acima do peso e o que fazer para que ele tenha uma vida mais saudável

Quando a fofura é excesso de gordura

Todo mundo se derrete com pets gordinhos, que são gostosos de apertar e fazer carinho. Mas o que pouca gente desconfia é que essa “fofura” pode ser, na verdade, um problema sério de saúde: a obesidade.

Além da predisposição genética, a má alimentação e o sedentarismo são alguns dos vilões do sobrepeso. Estimam-se que, no Brasil, 30% dos cães e 25% dos gatos sofram com a doença.

“Quase todos os mamíferos domésticos podem ter obesidade, levando em consideração o estilo de vida sedentário de muitos donos e a maneira confinada em que cães e gatos vivem nos grandes centros urbanos”, explica Eric Vieira Januário, veterinário endocrinologista do Hospital Pet Care.

E uma pesquisa feita pela ONG inglesa The Blue Cross indica exatamente isso: pessoas que comem demais e se exercitam pouco costumam ter animais acima do peso. Elas repetem nos bichos o seu comportamento.

Com a obesidade, a saúde dos animais fica pior. Entre os principais sintomas estão os problemas respiratórios e cardiovasculares e as dores nas articulações. “Os animais começam a apresentar dificuldade para qualquer tipo de atividade ou exercício, se cansam fácil, ficam ofegantes e mal conseguem se levantar”, detalha Eric.

Segundo ele, o peso de cada animal varia de acordo com a idade e a raça. É considerado obeso o pet que ultrapassa 30% do peso ideal indicado.

É fácil identificar

“Além dos quilinhos a mais, os donos também podem perceber uma mudança no corpo, como o acúmulo de gordura em determinadas partes, entre elas a base da cauda ou abdômen. Ao apalpar o cão ou o gato, o ideal é sentir uma fina camada de gordura sobre as costelas, que devem ser facilmente palpáveis”, indica.

Ao perceber qualquer um desses sinais, é preciso procurar um veterinário para que um diagnóstico seja feito corretamente.

“Temos que verificar, antes de tudo, se o bichinho é apenas gordinho ou se existe algum problema que leve ao acúmulo de peso, por exemplo, o hipotireoidismo ou outras doenças hormonais”, detalha.

Para melhorar a saúde do seu animalzinho é preciso mudar alguns hábitos e seguir à risca as orientações do veterinário. Na alimentação, por exemplo, nada de ceder aos apelos do pet e dar comidas gordurosas e petiscos fora de hora.

“É importante saber medir a quantidade correta da ração, além de regular os intervalos em que seu bichinho come. O dono não pode, em hipótese alguma, deixar comida à vontade”, recomenda Amândio Alves, médico veterinário do Animal Help.

A boa notícia é que o mercado é abastecido por alimentos com teores adequados de nutrientes para promover a perda de peso. Em geral, são rações com pouca gordura e mais fibras, que promovem a saciedade.

Vale lembrar que o tipo de dieta vai depender do grau de obesidade. “Só podemos definir o tratamento depois de realizar alguns exames, como glicemia, colesterol, triglicérides, entre outros”, ressalta o especialista.

A mesma dica vale para os exercícios físicos. É muito importante que os bichinhos sejam incentivados a se movimentar – afinal, quanto mais eles engordam, mais sedentários ficam.

Cão atleta

As caminhadas devem ser estimuladas durante toda a vida, mas sempre tomando cuidado para não forçar demais as articulações. Não pense, porém, que é só andar até o poste mais próximo.

“Caminhadas em torno de 20 a 30 minutos, de três a quatro vezes por semana, são um bom método de perda de calorias. Para cães que não se exercitam regularmente, vá devagar e aumente lentamente a intensidade de suas atividades. E comece a caminhar em superfícies macias, como terra, areia ou grama”, ensina Amândio.

E os gatos?

Para os donos de gatinhos, bichanos que costumam ficar dentro de casa e dormir quase 16 horas por dia, a dica é optar pela brincadeira. “Vale estimular atividades com brinquedos e outros objetos, já que esses animais não vão realizar atividades físicas como os cães”, comenta.

Arranhadores, novelos de lã e outras distrações que façam o pet se deslocar dentro do ambiente são válidos. O médico também pode indicar um plano de exercícios para o seu bichinho, incluindo sessões de fisioterapia com esteiras normais e até aquáticas.

Lembre-se sempre: o tratamento da obesidade em animais é um processo composto por várias etapas e pode levar tempo. Então, é preciso ter muita paciência e comprometimento para que, no fim, o seu pet volte a ter uma vida saudável e feliz.

(Foto: Getty Images)