Educação e Desenvolvimento

Coaching para filhos?

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Há quem acredite que crianças são como miniempresários, que podem ser direcionadas para a busca do sucesso. Será?

Coaching para filhos?

Outro dia recebi em minha casa um livro que tratava de um tema um tanto inusitado: o coaching como ferramenta na relação entre pais e filhos.

Confesso que minha primeira reação foi a de curiosidade: afinal, nunca havia ouvido falar da aplicação de técnicas normalmente usadas no ambiente profissional para a educação dos pequenos. Será que eu havia perdido algo importante nesses quatro anos de maternidade?

Foi então que comecei a leitura e me deparei com algumas sugestões que visavam o desenvolvimento de um filho como um vencedor na vida.

Capítulos que descreviam verdadeiros treinamentos para que o filhote atingisse seus objetivos. E foi quando eu pensei: mas será mesmo que uma criança sabe exatamente o que quer, com tão pouca idade? Não seria a infância uma fase de descobertas, deixando a busca pelo "sucesso" para o futuro?

Talvez eu esteja indo na contramão de uma tendência cada vez mais forte no mundo da paternidade/maternidade: a de acreditar que, para vencer na idade adulta, é necessário "se preparar" desde cedo.

Nossos filhos estão atolados em atividades extracurriculares: não basta estudar inglês - também são necessárias aulas de espanhol, de música, de teatro... Sem falar nas duas ou três modalidades esportivas que eles devem aprender fora da escola.

Tempo para brincar? Como, se não ficam um período inteiro em casa? E se ficam, têm a longa lista de lição de casa ou o reforço que o próprio colégio sugere para que "consigam acompanhar o resto da classe".

Eu me pergunto quando a geração de nossas crianças terá tempo para se descobrir, sem pressões. Para brincar com carrinhos, bonecas, panelinhas... Para desenvolver não apenas habilidades cognitivas, mas também a imaginação, a criatividade, o espírito de colaboração e até mesmo a (tão desejada) liderança!

Mas, para isso, os pequenos precisarão ser reconhecidos como tal - e não como uma miniatura de empresários em formação.

(Foto: Sergio Vassio Photography/ Creative Commons)