Educação e Desenvolvimento

Como fazer um filho te ouvir

Por Nívea Salgado
@Mildicasdemae

Você acha que seu filho não obedece, não entende, não coopera? Experimente conversar, mas conversar de verdade!

Como fazer um filho te ouvir

Quando as pessoas que não conhecem muito bem minha filha a encontram pela primeira vez, é frequente que elas me digam: "que menina doce, colaborativa, inteligente!". Não que Catarina não seja assim, mas é claro que em muitos momentos eu tenho que ser uma mãe firme com ela. A pequena não é uma criança calma e "comportada naturalmente" - tudo é muito conversado aqui em casa, e se alguma coisa não faz sentido para ela, posso esperar uma falta de colaboração total da filhota.

Nesses anos de convivência com minha filha, ficou muito nítido que não adianta apenas impor algumas regras. Claro que isso já funcionou com muitas gerações, mas com nossos filhos eu acredito que a coisa seja um pouco diferente. Isso porque o acesso que eles têm à informações na atualidade é muito maior do que a que tivemos, nessa tenra idade. Muitas crianças de 5, 6 anos hoje já viajaram para outros países, sabem mexer em tablets e computadores, assistem a animações educativas, convivem bastante fora de casa (afinal, além da escola, costumam ter círculos de convivência no balé, no judô, no inglês, na natação). E com isso seus horizontes se expandem.

Quando bebês, nossos filhos aprendem com nosso exemplo. Eles aprendem a falar, a andar, a comer conosco. Mas logo passam a ter contato com outros núcleos, que influenciarão seu comportamento. "Por que eu não posso ganhar a boneca X, se minhas amigas têm?". "Por que você não compra bolacha recheada, se as mães dos meus amigos compram?". "Por que não posso dormir na casa da minha amiga, se a outra pode?". Essas são apenas algumas poucas perguntas que começam a surgir pelo caminho conforme eles crescem, e eu acredito muito no poder do bom argumento.

- "Você não tem a boneca X porque a mamãe e o papai estão gastando com a reforma da casa agora. Mas no seu aniversário será possível comprar, pois podemos nos programar para isso".

- "A mamãe não compra bolacha recheada porque prefere comprar comidas mais saudáveis. E tem muita coisa saudável que é gostosa, já percebeu? Como aquela uva sem caroço que você ama levar no lanche! E se você for à casa do seu amigo e ficar com muita vontade, eu não me importo que você coma. Mas aqui, para consumo frequente, não vou comprar". 

- "Você não pode dormir na casa da sua nova amiga porque eu não conheço bem os pais dela. E se eu não os conheço, não sei como seria a experiência de você dormir lá. Lembra que na casa da nossa vizinha você já dormiu? Porque eu a conheço há muito tempo, confio nela e sei que você ficará feliz em passar a noite lá. Quando eu conhecer melhor os pais da sua amiguinha, poderei saber se você gostará de passar a noite na casa deles, ou não".

Gosto de explicar tudo de uma forma que a pequena possa entender. Acho importante pontuar que em determinado momento não é possível, mas poderá ser no futuro (e vice-versa). E que em ambientes diferentes há regras distintas - em casa é uma, na casa da avó ou do amigo pode ser outra. Porque se eu simplesmente responder: "não compro o biscoito porque é ruim", a pequena vai olhar para a minha cara e dizer: "mas eu adoro!".

Confome os filhos crescem, algumas coisas se tornam negociáveis (como o fato de poder comer determinada coisa fora de casa), outras não. Acho importante que ele saiba que as pessoas são diferentes, que ele é diferente dos amigos. E que, se por um lado ele deve respeitar essas diferenças, tem que assumir suas escolhas e se fazer ser respeitado por elas. Coisa de adulto? Eu acho que tudo começa lá na infância!

(Foto: 123RF)

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